De Modiim para dentro, confia-se sobre utensílios de barro. De Modiim para fora, não se confia. Como assim? O oleiro que vende as panelas: se entrou para dentro de Modiim, ele mesmo é o oleiro, elas são as panelas, e eles são os compradores, é confiável. Se saiu, não é confiável. — A mishná estabelece uma fronteira geográfica de confiança: a cidade de Modiim, situada a certa distância de Jerusalém, marca o limite a partir do qual se confia no povo comum quanto à pureza dos utensílios de barro que produz e vende, pois em Jerusalém não havia fornos para queimar cerâmica, tornando impossível produzir localmente todas as peças necessárias, e os Sábios preferiram confiar nos artesãos vindos de fora a impor uma restrição impraticável para toda a população. Mas essa confiança se aplica apenas dentro dos limites precisos da situação: o oleiro precisa ter entrado, ele mesmo, com suas próprias panelas, para dentro do território demarcado por Modiim, vendendo-as diretamente aos compradores que testemunham sua entrada. Se, em algum momento, o oleiro sair de volta para fora dos limites de Modiim, mesmo que retorne depois, deixa de ser confiável quanto à pureza de suas peças, pois já não há garantia de que não tenha tido contato com impureza durante sua ausência.
A Torá trata o utensílio de barro de modo único entre todos os materiais: uma vez que se torna impuro, não há purificação possível por imersão — ele deve ser quebrado. Precisamente por essa irreversibilidade, a preocupação com a pureza dos utensílios de barro é mais delicada do que a de outros materiais, que podem sempre ser purificados por imersão; e é exatamente por isso que a mishná precisa estabelecer uma regra clara de confiança geográfica em torno de Jerusalém — pois, uma vez que uma peça de barro se torna impura, ela está perdida para sempre, sem possibilidade de correção.
Rambam explica a lógica espacial da regra: a confiança depende do local em que o comprador vê e adquire a peça diretamente do oleiro.
Bartenura explica o motivo prático por trás da fronteira de Modiim; Rashi, na Guemará, detalha as combinações possíveis de entrada e saída do oleiro e do comprador.
Rambam recorda que já identificou, no tratado Pessachim, a localização de Modiim como um lugar próximo de Jerusalém, e promete explicar em outro contexto o motivo dessa leniência específica sobre utensílios de barro. Ele conclui uma ressalva importante: toda essa discussão sobre confiabilidade se refere ao povo comum (am ha'aretz); os sábios (talmidei chachamim), por outro lado, são sempre confiáveis, em qualquer lugar, quanto à pureza de seus utensílios.
Bartenura precisa a distância: Modiim ficava a quinze milhas de Jerusalém. Ele explica o motivo prático da leniência: como não se permitiam fornos de queima em Jerusalém, por causa da fumaça que produziriam, era impossível fabricar ali tanto cal quanto peças de cerâmica — todas precisavam vir de fora. Por isso, em vez de impor uma restrição impraticável a toda a população, os Sábios preferiram confiar nos artesãos vindos de fora, dentro dos limites geográficos estabelecidos.
Rashi elabora as diferentes combinações discutidas na Guemará: há casos em que o oleiro sai de dentro dos limites para o próprio Modiim, e casos em que o comprador cuidadoso (chaver) vem de fora do limite e entra em Modiim — cada combinação de movimento do oleiro e do comprador determina, segundo sua posição exata em relação à fronteira, se a transação é ou não considerada confiável quanto à pureza dos utensílios envolvidos.