A mulher senta-se e separa a sua chalá nua (pode fazê-lo e recitar a bênção mesmo sem roupas), porque ela pode cobrir-se (sentando de certa forma, ocultando sua nudez), mas não o homem (que não consegue se cobrir totalmente na mesma posição). Quem não pode fazer sua massa em pureza (por estar impuro e não ter acesso próximo a água para imersão) deve fazê-la em kabin (porções pequenas, cada uma abaixo do volume mínimo que obriga em chalá), e não deve fazê-la em impureza (uma única massa grande, impura, da qual se separaria chalá impura). Mas Rabi Akiva diz: que a faça em impureza, e não a faça em kabin (pois é preferível separar a chalá, ainda que impura, a evitar totalmente a mitzvá reduzindo a massa).
A raiz da disputa está na própria formulação do mandamento de separar chalá — "das vossas massas" — que a tradição não vê como cancelada pela impureza, mas cuja execução em estado impuro é, ainda assim, algo que se busca evitar quando possível.
Por que "não a faça em kabin"? A opinião majoritária prefere que a pessoa reduza sua massa a porções abaixo do volume mínimo, evitando de saída qualquer obrigação de chalá, a fazer uma massa grande, impura, cuja chalá seria igualmente impura — sem valor de uso para o sacerdote, e destinada apenas à queima, um desperdício que a tradição prefere evitar quando há alternativa. Rabi Akiva discorda: para ele, evitar por completo a possibilidade de cumprir a mitzvá (fazendo porções pequenas de propósito) é pior do que cumpri-la de forma imperfeita — pois "assim como a impureza contamina a massa comum, contamina também a chalá", ou seja, a chalá separada de uma massa impura carrega a mesma condição da massa, sem que isso a torne dispensável; ela ainda cumpre, tecnicamente, a mitzvá de separação, ainda que destinada à queima. Os sábios respondem a Rabi Akiva com um argumento final: mesmo ele reconhece que, em determinadas circunstâncias, é aceitável fazer a massa em kabin — de modo que sua objeção não é absoluta.
O Rambam não dedica, em Hilchot Bikurim, uma halachá específica ao dilema entre fazer a massa em kabin ou em impureza — matéria que toca as leis gerais de pureza ritual (Hilchot Tumat Ochlin e Hilchot Mikvaot) mais do que a legislação própria de chalá. Registra-se aqui, com honestidade, que não há uma codificação equivalente e dedicada nesse capítulo específico.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Porque ela pode cobrir-se": seu sentido é que, quando ela iguala suas pernas e sua posição sentada ao chão, e junta suas pernas uma à outra, não se vê sua nudez, e é permitido a ela abençoar e retirar a chalá (a postura sentada, com as pernas unidas e o corpo próximo ao solo, oculta naturalmente as partes íntimas de uma mulher, o que não ocorre da mesma forma com um homem) [...]. "E quem não pode fazer sua massa em pureza": seu sentido é que ele está impuro, e há entre ele e a água mais de quatro milhas à sua frente — não se exige dele que caminhe até o lugar da água, imerja e depois amasse; antes, deve amassar em impureza. Mas não deve amassar senão em porções kabin, que são menores que o volume mínimo de chalá, para que não fique obrigado em chalá [...]. E a lei não segue Rabi Akiva.
"E separa a sua chalá nua": separa chalá e abençoa sobre sua separação, desde que a parte inferior de seu corpo esteja rente ao chão e toda a sua nudez esteja coberta [...]. Mas o homem não pode abençoar nu, pois não lhe é possível cobrir sua nudez, já que os testículos e o membro se destacam (fisicamente, mesmo sentado, permanecem visíveis). "Quem não pode fazer sua massa em pureza": como quem está impuro e não há ali quarenta seá (a medida mínima de água válida para uma imersão purificadora) nas quais possa imergir-se. "Deve fazê-la em kabin": deve fazer toda a sua massa em porções de um kab cada, para que não fique obrigada em chalá e ele precise separá-la em impureza. "Que a faça em impureza": pois isso é preferível a isentar sua massa da chalá por completo, sem que reste nela nenhuma parte dedicada ao Nome (a posição de Rabi Akiva valoriza o cumprimento nominal da mitzvá, mesmo imperfeito, sobre a isenção completa por manipulação do volume). E a lei não segue Rabi Akiva.