E estes são dados a qualquer sacerdote (diferentemente da chalá e da teruma, que só se dão a um sacerdote confiável em pureza, os itens a seguir podem ser entregues a qualquer sacerdote, sem essa restrição): os itens consagrados (charamim, objetos dedicados ao Templo por voto), os primogênitos (de animais puros), o resgate do filho primogênito (as cinco moedas de prata do pidyon haben), o resgate do primogênito do asno (o cordeiro dado em troca), o braço, as bochechas e o estômago (as partes do animal abatido, dadas ao sacerdote), a primeira tosquia (do rebanho de lã), o óleo de queima (teruma que se tornou impura e não pode ser comida, apenas queimada para iluminação), os itens sagrados do Templo (consagrados que devem ser consumidos dentro do recinto), e os bikurim (os primeiros frutos). Rabi Yehuda proíbe quanto aos bikurim (entende que os bikurim, diferentemente dos demais itens desta lista, só devem ser dados a um sacerdote da guarda sacerdotal da vez, não a qualquer sacerdote). A ervilhaca de teruma (um tipo de leguminosa usada como ração animal, cultivada com status de teruma): Rabi Akiva permite (dá-la a qualquer sacerdote, mesmo um am haaretz, pois não há risco real de impureza), mas os sábios proíbem (exigem que também ela seja dada apenas a um sacerdote confiável, como a teruma comum).
A mishná retoma o versículo central que estabelece os dons sacerdotais, distinguindo, dentro dele, entre aqueles cuja santidade exige um sacerdote confiável (como a teruma) e aqueles cuja natureza permite entrega a qualquer membro do sacerdócio.
Por que apenas teruma, teruma do dízimo e chalá exigem um sacerdote confiável, enquanto todos os demais dons desta lista não exigem? A distinção repousa sobre o grau de santidade e o risco prático de impureza envolvido. Teruma, teruma do dízimo e chalá são alimentos santos que, se ingeridos em estado de impureza, geram uma transgressão gravíssima (punível por Mão Divina); por isso a Torá — segundo a leitura de "como Aharon era chaver" — restringe sua entrega a sacerdotes de confiança comprovada quanto à pureza. Já os demais dons desta lista são, em sua maioria, "chulin" (não-sagrados) para efeito de pureza — carnes de abate, dinheiro de resgate, lã — ou, quando sagrados (como os itens consagrados ao Templo), destinados a contextos onde o risco de consumo impuro já é mitigado por outros fatores. Por isso a Torá não impôs a mesma exigência de confiabilidade, e esses dons podem ser entregues a qualquer sacerdote, mesmo um am haaretz. O debate sobre os bikurim (Rabi Yehuda) reflete a posição especial desse dom — trazido em cerimônia festiva ao Templo, e por isso talvez restrito à guarda sacerdotal em serviço; e o debate sobre a ervilhaca de teruma reflete a dúvida sobre se um alimento usado primariamente como ração animal, ainda que tecnicamente teruma, carrega o mesmo risco de consumo impuro por um am haaretz.
O Rambam formula o princípio geral desta mishná em Hilchot Bikurim 1:7, dentro da sistematização completa das vinte e quatro dádivas sacerdotais.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Disseram na guemará [do Talmud Yerushalmi]: os bikurim e os primogênitos são para os homens da guarda [sacerdotal em serviço], e o restante para qualquer sacerdote. Quiseram dizer, com "qualquer sacerdote", que não se distingue entre um sacerdote erudito e um do povo comum, mas isso pela via do que é bom e adequado — pois disse o Nome Elevado: "e dareis dele a oferta do Eterno a Aharon, o sacerdote" (Bemidbar 18:28). E disseram nos Sifrei: assim como Aharon era chaver [confiável em pureza], assim também todos [que recebem teruma devem ser] chaverim; daí disseram: não se dão dádivas sacerdotais senão a um chaver (o Rambam esclarece a base textual e midráshica de toda a distinção desta mishná: a menção explícita de "Aharon" liga a exigência de confiabilidade especificamente à teruma e, por extensão, à chalá — mas não aos demais dons).
"Os itens consagrados": [dados] aos sacerdotes, como está escrito (Bemidbar 18): "todo item consagrado em Israel será teu". "E os primogênitos": se [o animal] é sem defeito, é item sagrado do Templo; e se tem defeito, está escrito (Devarim 12): "o impuro e o puro o comerão" (Bartenura distingue os dois regimes de pureza aplicáveis ao primogênito, conforme tenha ou não defeito físico que o desqualifique como oferenda).