Com qualquer coisa se fazem os postes laterais, mesmo com algo que tem sopro de vida — isto é, mesmo um animal amarrado junto à entrada do beco pode servir como poste, desde que fique parado ali, preso desde antes do Shabat — e Rabi Yossei proíbe — por temer que o animal morra ou se mova, deixando de ter a altura exigida sem que ninguém perceba, e as pessoas continuem confiando nele como se ainda estivesse lá. E transmite impureza como cobertura de sepultura — se esse mesmo objeto usado como poste for depois utilizado para cobrir uma sepultura, adquire o estatuto de "golel", que transmite impureza permanentemente, mesmo depois de removido — e Rabi Meir purifica — discordando dessa transmissão de impureza. E escrevem-se sobre ele documentos de divórcio (guitin) para mulheres — se o poste for, por exemplo, um animal vivo, é válido escrever sobre seu corpo o documento de divórcio, já que a lei apenas exige uma superfície apropriada, e não especificamente pergaminho — e Rabi Yossei HaGelili invalida.
Três disputas em torno de uma única questão: o que é, afinal, um "poste"? As três controvérsias reunidas nesta mishná — Rabi Yossei sobre animais vivos, Rabi Meir sobre impureza de "golel", Rabi Yossei HaGelili sobre documentos de divórcio — giram, cada uma à sua maneira, em torno da mesma pergunta: até que ponto um objeto usado para outro fim pode ao mesmo tempo servir de sinal fixo do beco? A leniência da opinião anônima, permitindo até um animal vivo, mostra novamente que o essencial do reparo rabínico erguido em torno da proibição de Yirmiyahu é a presença de um sinal, não sua natureza física específica.
O Rambam segue a opinião anônima, permitindo fazer o poste lateral até mesmo com um objeto de idolatria — pois, ao contrário da trave, o poste não tem medida fixa de largura.
Com qualquer coisa se faz o poste lateral, mesmo com algo que tem sopro de vida, e mesmo com objetos proibidos ao uso — mesmo um ídolo em si, ou uma árvore de idolatria feita poste, é válido, pois a espessura do poste lateral é qualquer que seja.
O poste dispensado da restrição que atingiu a trave. Diferentemente da trave — proibida quando feita de uma árvore de idolatria, precisamente porque tem medida fixa (Hilchot Shabat 17:13, ver mishná 1:3) —, o Rambam explica que o poste lateral pode ser feito até de um ídolo ou árvore de idolatria, já que sua espessura não é fixa por lei. Este é um exemplo notável de como um mesmo tipo de proibição (derivar proveito de objetos de idolatria) se aplica de modo diferente a dois reparos aparentemente semelhantes, conforme cada um tenha ou não medida legal fixa.
Os comentadores explicam o receio de Rabi Yossei quanto ao animal vivo, e a lógica por trás das outras duas disputas anexas sobre a natureza do poste lateral.
"Com qualquer coisa se fazem os postes laterais, mesmo com algo que tem sopro de vida etc." — golel é a cobertura da sepultura; tudo o que a toca fica impuro por sete dias, e isso é o que disse a Torá: "e todo aquele que tocar, sobre a face do campo, num morto pela espada, ou num cadáver, ou num osso humano, ou numa sepultura" — e isso ainda se explicará em detalhe, em seu lugar, no tratado de Ohalot.
E não é a halachá segundo Rabi Yossei, nem segundo Rabi Meir, nem segundo Rabi Yossei HaGelili — isto é, prevalece a opinião anônima em cada uma das três disputas.
"Rabi Yossei proíbe" — pois se teme que o animal morra e deixe de ter dez palmos de altura, sem que a pessoa perceba, continuando a confiar nele como se ainda estivesse em pé com a altura devida.
"E Rabi Meir purifica" — a razão da opinião de Rabi Meir se explica no tratado de Suká, e em todos os casos semelhantes, pelo princípio de que ele considera que toda partição que consiste em algo com sopro de vida não é considerada uma partição válida — e por isso, para ele, o animal usado como poste nunca chega a ter, de fato, o estatuto de estrutura fixa capaz de transmitir impureza como cobertura de sepultura.