Rabi Yehuda diz: se a via pública os cortava — ou seja, se um caminho por onde passa multidão atravessa o espaço entre os pasin — deve-se desviá-la para os lados — para fora do cerco, pois do contrário o próprio trânsito público desfaria o caráter de partição desse espaço. Mas os Sábios dizem: não é necessário — pois mesmo com a multidão passando por dentro, os cantos sólidos preservam o cerco como partição válida. Tanto o poço público, quanto o poço particular — de água viva, que brota — fazem-se para eles pasin — a leniência simplificada dos postes duplos e simples — mas para a cisterna particular — de águas de chuva acumuladas, que podem secar — faz-se para ela uma partição de dez palmos de altura — uma parede sólida e contínua, não apenas postes — palavras de Rabi Akiva. Rabi Yehuda ben Bava diz: não se fazem pasin senão para o poço público apenas — restringindo ainda mais a leniência — e para os demais faz-se um cinto — uma partição de cordas — de dez palmos de altura.
Por que a leniência dos pasin tem limites. A leniência dos pasin foi instituída para uma necessidade específica: dar de beber aos animais dos peregrinos que sobem a Jerusalém, junto a águas vivas e permanentes. Por isso a mishná restringe cuidadosamente a quais águas ela se aplica — poços de água viva, não cisternas de chuva que podem secar — e exige que o trânsito de multidões não desfaça o caráter de partição do cerco, preservando o equilíbrio entre a necessidade prática e a proibição bíblica de Yirmiyahu 17:22.
O Rambam codifica a halachá segundo Rabi Akiva: pasin apenas para água viva de uso público, dentro de Eretz Israel, e apenas para os animais dos peregrinos.
Não permitiram estes pasin senão em Eretz Israel, e apenas para os animais dos que sobem para a festa de peregrinação, e isso desde que seja um poço público de água viva. Mas nas demais terras, a pessoa desce ao poço e bebe, ou faz para ele uma partição ao redor do poço, alta dez palmos, e fica dentro dela, tira água e bebe... E do mesmo modo, a cisterna pública e o poço particular — mesmo em Eretz Israel — não se enche deles a não ser que se faça para eles uma partição alta dez palmos.
A halachá segue Rabi Akiva, restringindo ainda mais o texto da mishná. O Rambam codifica a opinião de Rabi Akiva — pasin apenas para poço público de água viva —, mas acrescenta uma restrição geográfica que nem aparece explicitamente na mishná: mesmo essa leniência só vale dentro de Eretz Israel, e apenas para os animais dos peregrinos que sobem para as três festas de peregrinação. Fora da Terra, ou para outros fins, exige-se sempre a partição sólida de dez palmos — seja ao redor do poço, seja descendo o próprio bebedor para dentro dele.
Os comentadores explicam a distinção entre águas que podem secar e águas vivas permanentes, base da disputa entre Rabi Akiva e Rabi Yehuda ben Bava.
"Rabi Yehuda diz: se a via pública os cortava, deve-se desviá-la para os lados etc." — "se a via pública os cortava" quer dizer que corta entre os pasin. "Deve-se desviá-la para os lados" quer dizer que o caminho das pessoas fique fora dos pasin, não dentro deles. E be'er é uma fonte de águas que brotam; e bor é a cova onde se acumulam as águas.
E não é a halachá segundo Rabi Yehuda; e a halachá é segundo Rabi Yehuda ben Bava... e disseram: não permitiram os pasin dos poços senão para os animais dos que sobem para a festa de peregrinação apenas.
"Cisterna pública" — se a água seca, uns lembram aos outros que secou, pois não permitiram pasin de poços senão para que haja água disponível para os animais dos peregrinos.
"Poço particular" — também é permitido, pois o poço é de água viva, e esta não seca.
"Para o poço público" — porque ali há duas vantagens, e assim é a halachá. E não é permitido tirar água do poço por meio dos pasin senão para dar de beber aos animais dos peregrinos, e apenas em Eretz Israel.
"Bor" (cisterna) — águas acumuladas, que costumam secar; e por isso proibiu Chananiá, pois às vezes a água seca e as partições se anulam, e não permitiram pasin de poços senão por causa da água dos animais dos peregrinos.
"Be'er" (poço) — água viva; e como a mishná diz "poços" e não "cisternas", refere-se a águas vivas.
"Cisterna pública" — se a água seca, uns lembram aos outros, e não carregam ali.
"Poço particular" — pois sua água não seca.
"Para cisternas, não" — nem mesmo as públicas.