Como se faz a sociedade no beco? — a mishná passa a descrever o procedimento prático do shituf, a sociedade de comida que une os moradores de um mesmo beco, permitindo-lhes transportar de seus pátios para o beco comum. Coloca-se o barril e diz: eis que este é para todos os moradores do beco. — um único morador toma a iniciativa, separa um barril de comida ou bebida e o declara pertencente, em conjunto, a todos os que moram no beco. E ele o adquire para eles por meio de seu filho e sua filha maiores, e por meio de seu escravo e sua escrava hebreus, e por meio de sua esposa. — para que a declaração se torne aquisição jurídica válida em nome dos demais moradores, é preciso que alguém, agindo como agente independente, tome o barril em nome deles; e essa função pode ser exercida por um filho ou filha já maiores, por um escravo ou escrava hebreus, ou pela própria esposa — pessoas cuja capacidade de agir juridicamente é reconhecida como distinta da do dono do barril. Mas não o adquire por meio de seu filho e sua filha menores, nem por meio de seu escravo e sua escrava cananeus, porque a mão deles é como a mão dele. — filhos e filhas menores, e escravos e escravas cananeus, não têm capacidade jurídica própria de adquirir para outrem; tudo o que suas mãos tomam é considerado, pela lei, como tomado pela própria mão de seu pai ou senhor — de modo que não há, nesse caso, um verdadeiro agente distinto capaz de efetuar a aquisição em nome dos demais moradores.
"Ficai cada um em seu lugar" pressupõe que cada um seja, de fato, seu próprio agente jurídico. É por isso que a mishná distingue com tanto cuidado quem pode representar o dono do barril na aquisição em nome dos vizinhos: só quem tem mão própria, juridicamente independente, pode fazer com que "o lugar de todos" se torne um só, unindo o beco inteiro por meio de um único ato. Filho, filha, escravo ou escrava menores não têm essa mão própria — sua mão é, para a lei, a mesma mão do pai ou do senhor, incapaz de criar a pluralidade de vontades que a aquisição em nome de outrem exige.
O Rambam explica que o mesmo procedimento vale tanto para o eiruv de um pátio quanto para o shituf de um beco, e por que apenas quem tem capacidade jurídica própria pode servir de agente da aquisição.
Se um dos moradores do pátio tomou um pão e disse: eis que este é para todos os moradores do pátio; ou se era alimento de duas refeições e disse: eis que este é para todos os moradores do beco — não precisa recolher de cada um deles, mas precisa adquiri-lo para eles por meio de outrem. E pode adquirir por meio de seu filho e sua filha maiores, e por meio de seu escravo hebreu, e por meio de sua esposa; mas não por meio de seu filho e sua filha menores, nem por meio de seu escravo e sua escrava cananeus, porque a mão deles é como a mão dele. E também pode adquirir por meio de sua escrava hebreia, mesmo sendo menor, pois o menor adquire para outros em matéria que é de origem rabínica.
Os comentadores explicam o gesto físico da aquisição — erguer o eiruv um tefach do chão — e por que a mão do menor e do escravo cananeu se funde à mão do próprio dono.
"Como se faz a sociedade no beco? Coloca-se o barril..." — o princípio para nós é que o eiruv dos limites, o shituf dos becos e o eiruv das comidas, todos precisam de aquisição por meio de outrem, e é necessário que o recipiente em que se reúne o shituf do beco esteja erguido um tefach do chão, para que pareça separado.
E está claro que isso que dissemos — "adquire para eles" — vale quando aquilo com que fazem o shituf pertence a uma só pessoa; então é necessário estabelecer outra pessoa que adquira para eles sua parte, e que ocupe seu lugar. Mas se cada um deu sua própria parte, não há razão para haver um agente que adquira.
"Coloca-se o barril" — do seu próprio, se quiser; e então precisa de aquisição por outrem, pois se fosse deles próprios não precisaria de aquisição.
"E o adquire para eles por meio de seu filho e sua filha" — diz-lhes: recebei este barril e adquiri-o em nome de todos os moradores do beco. E o agente ergue o eiruv com a mão, um tefach do chão, pois onde quer que esteja depositado no domínio do próprio dono não há aquisição real; e diz: adquiri para eles.
"Porque a mão deles é como a mão dele" — e não é uma aquisição verdadeira.
Comentando a mishná "Coloca-se o barril" — do seu próprio, se quiser. "E o adquire para eles por meio de seu filho e sua filha" — diz-lhes: recebei este barril e adquiri-o em nome de todos os moradores do beco.
"Porque a mão deles é como a mão dele" — e não é, portanto, uma aquisição real.