Todos sobem à Terra de Israel, e não todos saem. Todos sobem a Jerusalém, e não todos saem — tanto os homens quanto as mulheres, e também os escravos. Casou-se com uma mulher na Terra de Israel e a divorciou na Terra de Israel, dá-lhe das moedas da Terra de Israel. Casou-se com uma mulher na Terra de Israel e a divorciou em Capadócia, dá-lhe das moedas da Terra de Israel. Casou-se com uma mulher em Capadócia e a divorciou na Terra de Israel, dá-lhe das moedas da Terra de Israel. Rabán Shimon ben Gamliel diz: dá-lhe das moedas de Capadócia. Casou-se com uma mulher em Capadócia e a divorciou em Capadócia, dá-lhe das moedas de Capadócia. — A última mishná do tratado inteiro eleva ao ápice o princípio de que a Terra de Israel goza de um status jurídico especial dentro do casamento: qualquer um dos cônjuges pode obrigar o outro a subir à Terra de Israel — e, dentro dela, especificamente a Jerusalém —, mesmo que isso signifique deixar para trás um lar melhor ou uma cidade mais próspera, e ninguém, nunca, pode ser obrigado a sair dela ou de Jerusalém. Se o marido quer subir e a esposa recusa, ela perde sua ketubá e é divorciada sem receber nada; se a esposa quer subir e o marido recusa, ele deve divorciá-la e pagar-lhe a ketubá integral — a recusa de subir à Terra de Israel é tratada como quebra do próprio acordo matrimonial, custosa para quem a pratica. A mishná passa então a tratar de um problema prático decorrente dessa mobilidade entre terras: como a ketubá é geralmente fixada num valor nominal em moeda local, e diferentes regiões usavam moedas de valores distintos, surge a questão de qual moeda vale no momento do pagamento, quando casamento e divórcio ocorreram em lugares diferentes. A resposta padrão da mishná favorece sistematicamente a moeda da Terra de Israel — mais valiosa e mais fácil para o marido pagar — em três dos quatro cenários possíveis, cedendo à moeda de Capadócia (uma província da Ásia Menor, cujas moedas eram maiores e valiam mais do que as da Terra de Israel) apenas no quarto cenário, onde ambos os eventos ocorreram lá. Rabán Shimon ben Gamliel discorda desse critério geográfico e adota um critério temporal-jurídico diferente: como ele entende que a obrigação da ketubá tem origem bíblica (e não apenas rabínica), o valor devido segue o momento em que a obrigação nasceu — o local do casamento —, e não o local do divórcio.
A Torá comanda tomar posse da Terra de Israel e nela habitar como destino coletivo do povo — um comando que a mishná traduz, no plano mais íntimo do casamento, num direito absoluto: nenhum vínculo conjugal, por mais legítimo que seja, pode ser invocado para impedir a subida à Terra ou obrigar a saída dela. É com esse princípio — o mais elevado de toda a hierarquia de deveres conjugais tratados ao longo do tratado — que se encerra Massechet Ketubot, elevando o vínculo com a Terra de Israel acima até mesmo do vínculo entre marido e mulher.
Rambam explica que "todos sobem" significa que a obrigação de subir à Terra de Israel prevalece mesmo de um lar bom para um lar ruim, e mesmo de uma cidade de maioria judaica para uma cidade de maioria não-judaica — revertendo, neste único caso, todas as hierarquias de conforto estabelecidas na mishná anterior — e que "não todos saem" significa que ninguém pode obrigar a saída, nem mesmo de um lar ruim para um lar bom. Cada cônjuge pode obrigar o outro a subir à Terra de Israel ou a Jerusalém; se ela impede, sai sem ketubá; se ele impede, deve divorciá-la e pagar a ketubá. Sobre a moeda de pagamento, Rambam explica que Capadócia é a região identificada como Kaftor, e que, como a ketubá da mulher é uma instituição de origem rabínica, os Sábios facilitaram seu pagamento ao marido, ora pelo padrão do local do casamento, ora pelo local do divórcio, sempre buscando a opção mais leve para quem paga; Rabán Shimon ben Gamliel discorda porque considera a ketubá de origem bíblica, e por isso segue sempre o local onde a obrigação nasceu — o casamento. A lei não segue Rabán Shimon ben Gamliel. É com esta explicação, marcada no próprio texto original com a nota de fechamento "Aqui se conclui o Perush HaMishnayot de Rambam sobre Massechet Ketubot", que Rambam encerra seu comentário sobre este tratado inteiro.
Bartenura explica que a força da obrigação de subir a Jerusalém é tal que até um escravo hebreu deve acompanhar seu dono contra sua própria vontade, e que ela vale mesmo de um lar bom para um lar ruim, e mesmo de uma cidade de maioria judaica para uma de maioria não-judaica — a única situação em que essas hierarquias habituais de conforto são revertidas. Sobre Capadócia, Bartenura confirma que suas moedas eram maiores e valiam mais do que as da Terra de Israel, e explica a lógica da disputa: como a ketubá é uma instituição rabínica, os Sábios facilitaram seu pagamento na moeda mais fácil para o marido pagar conforme a situação; Rabán Shimon ben Gamliel, considerando-a de origem bíblica, aplica sempre o padrão do local do casamento. Bartenura confirma que a lei não segue Rabán Shimon ben Gamliel.
Rashi confirma que a obrigação de subir a Jerusalém força toda a casa — inclusive quem normalmente teria outros direitos, como um escravo hebreu — a acompanhar o chefe da família contra sua própria vontade. Sobre as moedas de Capadócia, explica que eram fisicamente maiores e valiam mais do que as moedas correntes da Terra de Israel — daí a preferência do marido por pagar nelas apenas quando o casamento ocorreu lá. E explica a expressão-chave da Guemará, "aqui se ensinaram das leniências da ketubá": esta mishná integra uma lista de casos, espalhados pelo tratado, em que os Sábios facilitaram sistematicamente o pagamento da ketubá em favor do marido — reconhecendo que, sendo ela uma instituição de proteção à mulher, mas de origem rabínica, cabe aos próprios Sábios calibrar seu rigor.