Quem impõe voto à sua esposa, proibindo-a de ir à casa de seu pai, enquanto ele está com ela na cidade, um mês ele mantém; dois, deve divorciá-la e pagar-lhe a ketubá. E quando ele está em outra cidade, uma festa de peregrinação ele mantém; três, deve divorciá-la e pagar-lhe a ketubá. — Este voto tem uma natureza diferente dos anteriores: em vez de privar a esposa de um benefício pessoal, ele restringe sua liberdade de movimento e seu vínculo afetivo com a família de origem. Quando o marido mora na mesma cidade que o pai da esposa, ela normalmente teria acesso fácil e frequente à casa paterna, de modo que um mês de restrição é tolerável — mas passado esse prazo, sua ausência prolongada se torna dolorosa o bastante para exigir divórcio. Quando, porém, o marido mora em outra cidade, a visita ao pai naturalmente já seria mais espaçada, ocorrendo tipicamente apenas nas três festas de peregrinação (Pêssach, Shavuot e Sucot), quando era costume das famílias se reunirem; por isso a mishná tolera que o voto dure até a primeira dessas festas passar sem visita, mas se ela perder três festas de peregrinação seguidas sem poder ver o pai, o marido é obrigado a divorciá-la.
O vínculo entre a filha casada e a casa paterna, que este voto ameaça cortar, tem sua origem no próprio texto que distingue a autoridade do pai sobre a filha "em sua juventude" da nova autoridade do marido, sem apagar o laço afetivo remanescente.
Este versículo já foi citado em Ketubot 6:7 para fundamentar a transição de autoridade do pai para o marido; aqui ele serve de pano de fundo para o direito remanescente da filha casada de manter contato com sua casa paterna. Embora a autoridade legal formal sobre ela tenha passado ao marido, a mishná reconhece que o laço com "a casa de seu pai" continua sendo parte de seu bem-estar emocional, e por isso um voto que a corta completamente desse vínculo — mesmo que por um período limitado — é tratado com a mesma gravidade dos votos que atingem seu bem-estar físico, exigindo divórcio quando ultrapassa os prazos estabelecidos.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece a estrutura completa dos prazos, incluindo a distinção de Rabi Yehuda entre israelita e cohenet mencionada na Guemará, e confirma a decisão final.
Rambam explica que o texto da mishná, tal como formulado — "uma festa ele mantém, três, deve divorciá-la" — já reflete a opinião de Rabi Yehuda, que distingue entre a esposa de um israelita comum (para quem duas festas perdidas já bastam) e a de um cohen (para quem se tolera até três festas, dada a irreversibilidade do divórcio do cohen). Rambam esclarece, porém, que a lei final não segue essa distinção de Rabi Yehuda: em todos os casos, quando o prazo é ultrapassado, o marido deve divorciá-la e pagar a ketubá, sem a graduação adicional proposta por ele.
Bartenura confirma a mesma estrutura de prazos explicada por Rambam; Rashi, sobre a Guemará, explica por que a visita anual às festas de peregrinação é o padrão natural de referência quando o marido mora em outra cidade.
Bartenura esclarece que a formulação da mishná, tomada isoladamente, parece contraditória — "uma festa ele mantém" mas "três, ele divorcia" —, e a Guemará resolve essa aparente contradição explicando que se trata, na verdade, de duas cláusulas sobrepostas: uma festa perdida é tolerável para a esposa de um israelita, mas ela deve ser divorciada já na segunda festa perdida; já a esposa de um cohen tem um prazo maior, sendo divorciada apenas na terceira. Bartenura confirma que essa é a opinião de Rabi Yehuda, e que a lei não a segue.
Rashi explica por que a mishná usa as festas de peregrinação como unidade de medida quando o pai mora em cidade diferente: era costume das filhas visitarem seus pais precisamente nessas ocasiões de reunião familiar, tornando-as o ponto de referência natural. Ele acrescenta uma distinção sutil entre mulheres: aquela que é "ansiosa" (redufá) por ir constantemente à casa do pai tem um prazo menor de tolerância — perdendo apenas duas festas já é motivo de divórcio —, enquanto a que não sente essa urgência pode tolerar até duas festas perdidas sem que isso a atinja tão profundamente.