"Não comi dele em meu luto" (ibid., 14) (referindo-se ao segundo dízimo): eis que, se o comeu em estado de luto agudo (aninut) (o período entre a morte de um parente próximo e seu sepultamento, quando o enlutado, segundo a lei da Torá, está proibido de comer alimentos sagrados como terumá e o segundo dízimo, mesmo sem ter contraído impureza ritual), não pode se confessar. "E não removi dele em impureza" (ibid.): eis que, se o separou em estado de impureza (se, ao retirar o segundo dízimo de sua casa durante o processo de biur, o próprio dono estava ritualmente impuro no momento da separação), não pode se confessar. "E não dei dele a um morto" (ibid.): não comprei dele caixão e mortalhas para um morto (o segundo dízimo, sendo destinado exclusivamente a comer, beber e untar em Jerusalém — como estabelecido já no segundo perek deste tratado —, não pode ser gasto em nenhum uso funerário, mesmo indiretamente, comprando itens que serão usados no sepultamento de alguém), nem o dei a um enlutado em troca de dinheiro comum (mesmo uma transação aparentemente neutra — vender o próprio dízimo, recebendo em troca dinheiro comum, para que um enlutado o consuma — é proibida, pois equivaleria a extrair benefício pessoal e comercial de algo cuja santidade exige consumo específico e não comércio ordinário), e não o comi nem mesmo em Jerusalém antes de separar a teruma do dízimo (mesmo dentro de Jerusalém, onde o consumo do segundo dízimo é normalmente permitido e correto, é proibido consumi-lo antes que a teruma do dízimo — a porção que o levita deve separar de seu próprio primeiro dízimo para o cohen — já tenha sido devidamente retirada; consumir precipitadamente, fora dessa ordem correta, também invalida a confissão).
Esta mishná decompõe a terceira frase de condições do viduy maasrot, dedicada especificamente às restrições que cercam o consumo apropriado do segundo dízimo em seu estado de santidade.
Por que luto, impureza e morte compartilham a mesma frase? As três proibições desta mishná, embora tecnicamente distintas, compartilham uma lógica comum: o segundo dízimo é definido pela Torá (Devarim 14:26) como algo a ser consumido com alegria "diante do Eterno" — "e te alegrarás, tu e tua casa". O estado de aninut (luto agudo) é incompatível com essa alegria exigida por definição; o estado de impureza ritual é incompatível com a proximidade exigida ao sagrado; e o contexto da morte — seja pelo uso funerário direto, seja pela venda a um enlutado — é a antítese última da vitalidade e alegria que caracterizam o consumo apropriado do dízimo. A mishná ensina que essas três formas de contaminação simbólica e ritual — mesmo quando não envolvem necessariamente uma transgressão technical do "consumo" em si (como no caso de vender o dízimo a outra pessoa) — bastam para invalidar a confissão, pois a confissão pressupõe não apenas que os presentes foram corretamente entregues e separados, mas que todo o processo, do início ao fim, respeitou integralmente o caráter sagrado e alegre do dízimo.
O Rambam codifica estas três condições em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 11, halachá 12, além de discutir a definição técnica de aninut em Hilchot Avel (Leis do Luto).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Já mencionamos anteriormente que deste versículo aprendemos que o segundo dízimo é proibido ao enlutado (onen). E mencionamos ainda que se chama onen a pessoa a quem morreu um dos parentes por quem é obrigado a se enlutar, durante o dia do sepultamento — segundo a lei rabínica; mas segundo a lei da Torá, apenas o dia da morte propriamente é considerado aninut (o Rambam distingue com precisão dois níveis de aninut: o núcleo bíblico, restrito ao próprio dia da morte, e uma extensão de origem rabínica que prolonga esse status até o momento do sepultamento, mesmo que ocorra em dia posterior). E os parentes por quem a pessoa é obrigada a se enlutar são seu pai, sua mãe, seus filhos e filhas, seus irmãos e irmãs, e sua esposa.
"Não comi dele em meu luto": todo o dia da morte é aninut de origem bíblica, mesmo depois do sepultamento; e a noite seguinte ao dia da morte é aninut de origem rabínica, e do mesmo modo o dia do sepultamento, quando este não é o próprio dia da morte, é aninut de origem rabínica. "Não comprei dele caixão e mortalhas para um morto": e algo semelhante é proibido até mesmo para um vivo, pois é proibido comprar roupa e coisas semelhantes com dinheiro do segundo dízimo, como já ensinamos no fim do primeiro perek: tudo o que está fora de comer, beber e untar, se foi comprado, deve-se comer contra seu valor (isto é, resgatar seu valor com dinheiro comum e devolvê-lo à santidade do dízimo). E a mishná não mencionou aqui "caixão e mortalhas" senão para nos ensinar que não apenas se untou dele um morto — o que já é proibido, pois está escrito "dele", isto é, da própria substância do dízimo — mas mesmo se comprou caixão e mortalhas, embora não tenha dado a própria substância do dízimo sobre um morto (apenas usado seu valor convertido para uma compra relacionada à morte), mesmo assim não pode se confessar (o Bartenura explica por que a mishná lista especificamente "caixão e mortalhas", um exemplo aparentemente redundante com a proibição geral de comprar itens não alimentares — precisamente para esclarecer que mesmo esse uso indireto, através de uma compra e não do consumo direto do próprio fruto, já basta para invalidar a confissão).