O vinhedo de quarto ano: Bet Shammai diz: não tem quinto e não tem biur (a escola de Shammai sustenta que as leis específicas do segundo dízimo — o acréscimo de um quinto do valor ao resgatá-lo para si mesmo, e a obrigação de removê-lo da casa na época do biur — não se estendem ao vinhedo de quarto ano, por mais que a Torá o chame de "kodesh"; para Bet Shammai, essa palavra por si só não basta para importar todas as leis do segundo dízimo). E Bet Hillel diz: tem (a escola de Hillel sustenta o oposto: a mesma palavra "kodesh" que descreve tanto o segundo dízimo quanto o vinhedo de quarto ano é suficiente, por meio de uma comparação verbal (gzerá shavá), para estender todas as leis do segundo dízimo — incluindo quinto e biur — também ao vinhedo de quarto ano). Bet Shammai diz: tem peret e tem olelot, e os pobres podem resgatar para si mesmos (peret são os cachos caídos durante a colheita, e olelot são os cachos pequenos e incompletos — ambos, segundo a Torá, Vaicrá 19:10, devem ser deixados no vinhedo para os pobres; Bet Shammai sustenta que, como o vinhedo de quarto ano continua sendo propriedade comum do dono — mamon baalim — e não "dinheiro do Alto" como o dízimo, essas leis agrícolas comuns continuam se aplicando normalmente, e os pobres que colhem peret e olelot podem resgatar esses cachos para si e consumir o valor em Jerusalém). E Bet Hillel diz: tudo vai para o lagar (a escola de Hillel, consistente com sua posição de que o vinhedo de quarto ano é inteiramente equiparado ao dízimo — portanto "dinheiro do Alto" e não propriedade comum do dono —, sustenta que não há lugar para as leis de peret e olelot: toda a colheita, sem exceção para cachos caídos ou incompletos, é levada ao lagar como uma unidade só, pertencente inteiramente à santidade do dízimo).
O debate desta mishná nasce diretamente de uma leitura comparativa entre dois versículos que empregam a mesma palavra-chave — "kodesh" — para descrever, respectivamente, o vinhedo de quarto ano e o dízimo em geral.
Duas disputas, uma só lógica subjacente. As duas partes da mishná — quinto e biur de um lado, peret e olelot do outro — não são disputas independentes, mas expressões da mesma divergência fundamental entre as escolas: o vinhedo de quarto ano é "mamon gavoah" (dinheiro do Alto, pertencente inteiramente à santidade, como o dízimo) ou "mamon baalim" (propriedade comum do dono, sujeita apenas a uma restrição especial de consumo)? Bet Hillel, ao afirmar que tem quinto e biur, sustenta a primeira posição — e por isso, coerentemente, nega as leis de peret e olelot, que só fazem sentido para um vinhedo que ainda pertence ao dono comum (pois apenas o dono tem a obrigação de deixar cachos para os pobres; o "dinheiro do Alto" não tem dono no sentido comum). Bet Shammai, ao negar quinto e biur, sustenta a segunda posição — e por isso, coerentemente, afirma que peret e olelot continuam se aplicando, como em qualquer vinhedo comum, permitindo inclusive que os pobres colham e resgatem para si mesmos, algo inconcebível se o vinhedo fosse propriedade sagrada e centralizada como o dízimo.
O Rambam decide a halachá como Bet Hillel — a posição predominante na Mishná — em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 9, halachot 2 e 4.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Disse o Nome bendito sobre o vinhedo de quarto ano: "sagrado, louvores ao Eterno" (Vaicrá 19:24), e disse sobre o dízimo: "sagrado ao Eterno" (ibid. 27). Bet Hillel interpreta "kodesh" e "kodesh" (por meio da comparação verbal), dizendo: assim como aquele que resgata seu próprio segundo dízimo deve acrescentar um quinto e está sujeito ao biur, como se explicará neste perek, assim é a lei do vinhedo de quarto ano. E Bet Shammai não interpreta "kodesh" e "kodesh" dessa forma, mas diz: já que essa lei não foi explicitada na Torá (especificamente para o vinhedo de quarto ano), não o obrigaremos nela. E do mesmo modo diz Bet Hillel: o dízimo é dinheiro do Alto, como já explicamos; e eles dizem: aprendemos o vinhedo de quarto ano do dízimo em todas as suas leis, e por isso não está sujeito a peret nem a olelot, pois é dinheiro do Alto, mas o pisam todo junto no lagar — e este é o sentido de seu dito "tudo vai para o lagar". E Bet Shammai diz que é dinheiro do dono, e por isso está sujeito a peret e a olelot.
"Não tem quinto": os donos não precisam acrescentar um quinto quando o resgatam. "E não tem biur": no terceiro e sexto ano (segundo outra versão: quarto e sétimo), quando os dízimos são removidos — pois quinto e biur não foram ditos sobre o vinhedo de quarto ano, mas apenas sobre o dízimo. Porém Bet Shammai reconhece que ao menos o resgate se aplica a ele, e embora o resgate não esteja explícito na Torá quanto ao vinhedo de quarto ano, deduzem-no do que está escrito "kodesh hilulim" — leem nele "chilulim" (de "chilul", resgate): resgata-o e depois o come (um jogo fonético entre "hilulim", louvores, e "chilulim", que sugere resgate — mesmo Bet Shammai, que rejeita a comparação total com o dízimo, aceita esta leitura mínima que estabelece ao menos a possibilidade de resgate). "E Bet Hillel diz: tem": pois deduzem "kodesh" e "kodesh" do dízimo, para lhe dar toda a lei do dízimo. "Tem peret e tem olelot": pois entendem que é dinheiro do dono e não dinheiro do Alto; por isso está sujeito a peret e a olelot como qualquer vinhedo comum. E os pobres que colhem o peret e as olelot do vinhedo de quarto ano resgatam para si mesmos e comem o resgate em Jerusalém. "E Bet Hillel diz: tudo vai para o lagar": pois entendem que é dinheiro do Alto como o dízimo; por isso não tem peret nem olelot, mas pisam-no todo de uma vez, e sobe e come em Jerusalém, ou resgata e leva o dinheiro a Jerusalém.