Quem tinha frutos (do segundo dízimo) nestes tempos (depois da destruição do Templo, quando não há mais possibilidade de subir a Jerusalém e consumi-los lá) e chegou a hora do biur (a véspera do último Pessach do terceiro ou sexto ano do ciclo sabático, quando a lei exige que o segundo dízimo remanescente seja tratado): Bet Shammai diz: é preciso convertê-los em dinheiro (mesmo sem Templo, e mesmo sem poder efetivamente gastar esse dinheiro em Jerusalém no momento, Bet Shammai exige que o dono realize o ato formal de resgate, convertendo os frutos remanescentes em moeda, com base na leitura literal do versículo "converterás em dinheiro"). E Bet Hillel diz: tanto faz que sejam dinheiro, tanto faz que sejam frutos (Bet Hillel discorda: já que, de qualquer forma, tanto o dinheiro quanto os frutos remanescentes precisarão ser guardados indefinidamente — genizá — até que o Templo seja reconstruído e se torne novamente possível consumi-los ou gastá-los em Jerusalém, não há vantagem prática em exigir a conversão formal em dinheiro; ambas as formas permanecem igualmente retidas, sem uso possível no presente).
O debate desta mishná retoma o mesmo versículo central do resgate do segundo dízimo, agora aplicado à pergunta específica de saber se sua letra deve ser cumprida mesmo quando, na prática, ela já não pode ser plenamente realizada — pois não há Templo para onde levar o dinheiro resgatado.
Uma disputa sobre o sentido de cumprir um preceito que não pode ser completado. Esta mishná ilustra uma questão jurídica e teológica mais ampla: o que fazer com uma obrigação da Torá cujo objetivo final — consumir o dízimo "diante do Eterno" em Jerusalém — está temporariamente impossibilitado pela destruição do Templo, mas cuja etapa preparatória — o resgate por dinheiro — continua tecnicamente exequível? Bet Shammai adota a posição de que cada etapa do preceito deve ser cumprida em sua própria época, mesmo que a etapa final fique pendente indefinidamente, pois a Torá especifica uma sequência de ações, e a impossibilidade de completar a última não dispensa as anteriores. Bet Hillel adota a posição pragmática de que, quando o objetivo final de uma etapa preparatória (permitir o transporte e uso posterior do dinheiro em Jerusalém) está inteiramente fora de alcance, forçar essa etapa preparatória perde seu sentido prático — resultando, na halachá final, na mesma conclusão para dinheiro e frutos: ambos precisam apenas ser guardados em segurança (geniza) até que as circunstâncias mudem.
Este caso específico — frutos do segundo dízimo remanescentes na época do biur "nestes tempos", isto é, sem Templo — não recebe uma codificação formal e distinta na Mishné Torá; o Rambam, cujas leis pressupõem em geral a existência do Templo e a plena aplicabilidade das mitzvot a ele vinculadas, não trata separadamente do cenário pós-destruição descrito nesta mishná, registrando-se aqui honestamente essa lacuna.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Nestes tempos": seu sentido é no tempo em que o Templo Sagrado não existe. Diz Bet Shammai: "e atarás o dinheiro em tua mão" (Devarim 14) — apenas o dinheiro se sobe (mantém-se guardado, à espera da reconstrução). E Bet Hillel diz: que isso (a obrigatoriedade da conversão em dinheiro) vale apenas quando há um lugar para onde subir os frutos e comê-los ali; mas nestes tempos, quando não há ali um Templo, a lei é que se removam os frutos (o Rambam explica a posição de Bet Hillel de modo ligeiramente distinto do texto simples da mishná: em vez de "tanto faz dinheiro ou frutos porque ambos são guardados", ele entende que Bet Hillel dispensa inteiramente a conversão, tratando o próprio biur — a remoção — como suficiente, já que o objetivo final de consumir em Jerusalém está de todo modo inatingível).
"Nestes tempos": quando o Templo Sagrado não existe. "É preciso convertê-los em dinheiro": pois está escrito "e atarás o dinheiro em tua mão" — apenas o dinheiro se sobe (guarda-se). "Tanto faz que sejam dinheiro, tanto faz que sejam frutos": ambos precisam de geniza (guarda cuidadosa, sem uso), então de que adianta o resgate? (o Bartenura formula com clareza a lógica de Bet Hillel: se o resultado prático — guardar sem usar — é idêntico em ambos os casos, o ato formal de resgate não produz nenhum benefício adicional, tornando-o dispensável).