Quem diz "sou nazireu como o número dos dias do ano solar" conta nazireados como o número dos dias do ano solar. Disse Rabi Yehudá: houve um caso, e quando ele completou, morreu. — A mishná fecha o capítulo com um caso semelhante ao do "cabelo da cabeça" (mishná 1:4): quem vincula seu voto a um número grande, mas finito e conhecido — os trezentos e sessenta e cinco dias do ano solar —, não se torna nazireu vitalício, mas assume literalmente essa quantidade de nazireados distintos, cada um com sua própria duração mínima de trinta dias, resultando numa soma total de anos. Rabi Yehudá relata um episódio real — de alguém que fez exatamente esse voto e, ao completar a contagem inteira de todos esses nazireados, morreu — como prova de que essa interpretação está correta: se a pessoa fosse considerada nazireu eterno (sem possibilidade de "completar" o voto), a expressão "quando ele completou" não faria sentido algum, pois um voto vitalício, por definição, não se completa em vida.
Como no caso do "cabelo da cabeça" (mishná 1:4), a base para cada um dos nazireados individuais contados aqui continua sendo o piso mínimo de trinta dias derivado da guematria de "yihyê" no versículo do nazireado.
Esta mishná fecha o Perek Alef reafirmando, num caso extremo, o princípio que percorreu todo o capítulo: a linguagem exata do voto determina sua estrutura. Quando a pessoa vincula seu nazireado a um número finito e conhecido — mesmo que grande, como os dias do ano solar —, a halachá conta literalmente esse número de nazireados distintos, cada um regido pelo piso mínimo de trinta dias; apenas quando a linguagem é genuinamente aberta e sem número definido (como "cheio, sem especificar", visto na mishná 1:5) é que se chega à leitura de nazireado vitalício sem fim determinado.
Como Rashi não comenta diretamente o texto desta mishná no daf correspondente (a sugiá do Bavli discute seu conteúdo apenas de forma indireta, dentro da sugiá sobre a mishná anterior), a halachá é apresentada com base no Perush HaMishná de Rambam, honestamente identificado como fonte principal.
Rambam explica que existe uma disputa paralela à da mishná 1:4: segundo Rabi, apenas quem diz explicitamente "assumo sobre mim o nazireado como o número dos dias do ano solar" conta múltiplos votos, enquanto quem usa a fórmula simples "sou nazireu como..." se torna nazireu eterno único. Rabi Yehudá discorda dessa distinção e traz o caso concreto, de alguém que fez o voto na fórmula simples e morreu exatamente ao completar a contagem de todos os nazireados — provando que mesmo essa fórmula gera múltiplos votos contáveis, e não um nazireado eterno indivisível. Rambam conclui explicitamente que a lei segue Rabi Yehudá.
Rashi não traz uma glosa direta e independente sobre esta mishná no daf correspondente do Talmud Bavli — seu conteúdo é discutido apenas dentro da sugiá sobre a mishná 1:4. Por isso o perush aqui se apoia em Rambam e Bartenura, honestamente identificados.
Rambam observa que o próprio verbo "completou" (hishlim), usado no relato de Rabi Yehudá, é a prova textual central: só faz sentido falar em "completar" um voto que tem um fim determinado e contável. Um nazireado genuinamente eterno, por definição, nunca se completa — a pessoa permanece nazireu até a morte sem jamais atingir o fim do voto. O fato de o homem do caso relatado ter morrido justamente ao completar sua contagem mostra que ele estava, de fato, contando um número finito e determinado de nazireados sucessivos.
Bartenura confirma a contagem literal: trezentos e sessenta e cinco nazireados distintos, um para cada dia do ano solar. Sobre o argumento de Rabi Yehudá, Bartenura reforça a mesma lógica de Rambam — a noção de "completar" (hashlamá) é logicamente incompatível com um nazireado eterno, que nunca chega ao fim; o relato do homem que morreu exatamente ao completar sua contagem prova, de modo insofismável, que se tratava de um número finito de votos sucessivos, e a lei segue Rabi Yehudá nesse ponto, encerrando o Perek Alef.