"Sou nazireu, e nazireu quando eu tiver um filho" — começou a contar o seu, e depois nasceu-lhe um filho, completa o seu e depois conta o de seu filho. "Sou nazireu quando eu tiver um filho, e nazireu" — começou a contar o seu, e depois nasceu-lhe um filho, deixa o seu e conta o de seu filho, e depois completa o seu. — A ordem exata em que a pessoa pronuncia os dois votos determina qual deles tem prioridade quando o nascimento do filho ocorre durante a contagem já iniciada. No primeiro caso, a pessoa disse primeiro "sou nazireu" — um voto imediato e incondicional — e só depois acrescentou a condição referente ao filho; por isso, mesmo que o filho nasça antes de ela completar seus trinta dias, ela continua e completa primeiro seu próprio nazireado, que já estava em curso e tinha prioridade cronológica na declaração, e só depois começa a contar o nazireado do filho. No segundo caso, a ordem das cláusulas é invertida: a pessoa condicionou primeiro seu voto ao nascimento do filho, e só depois — talvez pensando ainda não ter filho algum — acrescentou um segundo voto imediato, "e nazireu". Como o compromisso referente ao filho foi mencionado primeiro na declaração, ele tem prioridade: assim que o filho nasce, mesmo que isso interrompa a contagem já iniciada do voto imediato, a pessoa deve pausar seu próprio nazireado, contar primeiro o do filho por completo, e só depois retomar e completar o que faltava do seu.
A mishná depende do princípio de que uma pessoa pode assumir múltiplos votos de nazireado, cada um contado de modo sequencial e distinto, segundo a estrutura de sua própria declaração.
Nada impede que uma única pessoa assuma sobre si múltiplos votos de nazireado, um após o outro, desde que cada um seja contado por seus próprios trinta dias mínimos, sem sobreposição. A mishná resolve o problema prático de qual nazireado deve ser contado primeiro seguindo a ordem cronológica exata em que os dois compromissos foram pronunciados na fala da pessoa — o voto mencionado primeiro tem prioridade de contagem.
Como Rashi não traz glosa independente sobre esta mishná no daf correspondente do Bavli, a halachá é apresentada com base no Perush HaMishná de Rambam, honestamente identificado como fonte principal.
Rambam acrescenta uma nota relevante para a prática: como os dois nazireados da mesma pessoa — o seu e o de seu filho — são tratados, para efeitos de certas leis, como uma única unidade contínua de nazireado, se a pessoa se impurificar por contato com um morto durante os dias do nazireado que recaiu sobre ela quando o filho nasceu, essa impureza anula a contagem inteira, tanto do nazireado do filho quanto do que restava do seu próprio, exigindo reinício.
Rashi não traz glosa independente sobre esta mishná no daf correspondente do Talmud Bavli — a sugiá que discute o tema aparece adiante, ligada a outras questões da Guemará. Por isso o perush aqui se apoia em Rambam e Bartenura, honestamente identificados.
Rambam considera o mecanismo da mishná autoexplicativo — a ordem das cláusulas na declaração determina a ordem da contagem — e acrescenta uma observação sobre suas implicações: como os dois nazireados formam, na prática, uma sequência unificada dentro da mesma pessoa, uma impureza que ocorra durante o período em que o nazireado do filho está sendo contado anula não apenas essa contagem, mas também o que restava do nazireado original da própria pessoa, pois ambos são tratados como uma única cadeia contínua de obrigação.
Bartenura confirma a leitura estrutural da mishná, explicando cada cláusula em sua ordem: no primeiro caso, a pessoa assumiu primeiro o nazireado simples e só depois o nazireado condicionado ao filho, por isso completa o primeiro antes de começar o segundo. No segundo caso, como a pessoa assumiu primeiro o compromisso referente ao filho — mesmo que ele ainda não tivesse nascido no momento da declaração — esse voto tem prioridade estrutural: assim que o filho nasce, mesmo interrompendo a contagem já em curso do voto imediato, ela precisa pausar e contar primeiro o nazireado do filho, retomando o próprio somente depois.