Quem assumiu o nazireado estando em um cemitério, ainda que tenha ficado ali trinta dias, esses dias não sobem para ele da contagem, e ele não traz sacrifício de impureza. Saiu e voltou a entrar, os dias sobem para ele da contagem, e ele traz sacrifício de impureza. Rabi Eliezer diz: não no mesmo dia, pois está dito "e os dias anteriores cairão", até que ele tenha dias anteriores. — Quem aceita sobre si o nazireado enquanto já está impuro, dentro de um cemitério, não pode começar a contar nenhum dia de nazireado enquanto a impureza persistir, pois a contagem exige um estado de pureza contínuo desde o início; por isso, mesmo que permaneça ali por trinta dias inteiros, nenhum desses dias é contado, e como não há uma contagem de nazireado que a impureza tenha efetivamente interrompido, ele também não traz o sacrifício especial trazido por quem se torna impuro no meio de um nazireado já em curso. Mas se ele sai do cemitério, faz a aspersão da água de purificação no terceiro e no sétimo dia, mergulha no banho ritual e se purifica, e só então volta a entrar no cemitério, a situação muda: como já havia um intervalo de pureza entre a aceitação do voto e o novo contato com a impureza, os dias contados nesse intervalo de pureza sobem para a contagem do nazireado, e essa nova impureza, por ter interrompido uma contagem já iniciada, obriga a trazer o sacrifício de impureza. Rabi Eliezer acrescenta uma condição: essa nova impureza só tem esse efeito de anular a contagem se ocorrer depois de, pelo menos, dois dias completos de pureza contados — não no próprio dia em que a pessoa saiu, se purificou e voltou a entrar —, pois a Torá fala em "dias anteriores", no plural, exigindo que já existam dias de nazireado válido antes que a impureza possa anulá-los.
A condição de Rabi Eliezer se apoia na leitura estrita do mesmo versículo que, ao longo de todo o perek, determina a anulação da contagem.
Rabi Eliezer lê o plural "os dias anteriores" como exigência de que existam, no mínimo, dois dias já contados de nazireado válido antes que uma nova impureza possa "derrubá-los". Por isso, se a pessoa saiu do cemitério, purificou-se e, no mesmo dia, voltou a entrar em contato com a impureza, ainda não havia "dias anteriores" suficientes — no plural — para que a queda da contagem se aplicasse; a impureza nesse caso não anula nada, pois nunca chegou a haver uma contagem estabelecida de dois dias ou mais para ser anulada.
Ao contrário das disputas anteriores do perek, aqui a halachá segue Rabi Eliezer, não os sábios anônimos.
Rambam registra explicitamente que, nesta mishná, a halachá segue Rabi Eliezer, e não os sábios anônimos — ao contrário do padrão das mishnayot anteriores do perek. Ele estende ainda o princípio: mesmo um nazireu comum, puro desde o início, que se torna impuro já no primeiro dia de sua contagem, não tem esse primeiro dia anulado pela impureza, precisamente pela mesma leitura do versículo "os dias anteriores", no plural.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi esclarece que a razão pela qual nenhum dia conta, mesmo depois de trinta dias parado no cemitério, é que o próprio voto de nazireado nunca chega a se firmar plenamente sobre a pessoa enquanto ela permanece em contato ininterrupto com a impureza — daí a expressão "não sobem para ele da contagem". Quando ela sai, faz a aspersão da água de purificação no terceiro e no sétimo dia e mergulha no banho ritual, purificando-se por completo, e só então retorna ao cemitério, os dias contados nesse intervalo puro já valem como nazireado pleno, e a nova impureza, por interromper uma contagem genuína, obriga o sacrifício.
Rambam formula o princípio geral: enquanto a pessoa permanece em contato contínuo com a fonte de impureza — sem sair, purificar-se e só então retornar —, nenhum dia se soma à contagem, pois falta o requisito básico de que o nazireado se estabeleça sobre uma pessoa em condição de pureza. Só a sequência completa de sair, aspergir a água de purificação no terceiro e sétimo dia e mergulhar no banho ritual permite que a contagem realmente comece a valer.
Bartenura explica a posição de Rabi Eliezer com clareza: se, no próprio dia em que a pessoa se purificou, ela já se torna impura de novo — por uma das impurezas pelas quais o nazireu deve tosar —, essa impureza não anula esse primeiro dia, porque ainda não havia "dias anteriores", no plural, contados de nazireado. Bartenura generaliza a regra também para qualquer nazireu comum que se torna impuro logo no primeiro dia de sua contagem regular, e conclui que a halachá segue Rabi Eliezer nesta mishná.