Quem tinha duas parelhas de testemunhas testificando sobre ele — estas testificando que assumiu dois nazireados, e aquelas testificando que assumiu cinco —, Bet Shamai dizem: o testemunho se dividiu, e não há aqui nazireado algum. E Bet Hilel dizem: dentro de cinco está incluído dois, que seja nazireu por dois. — Quando duas parelhas de testemunhas, cada uma composta por dois indivíduos válidos, discordam entre si sobre quantos votos de nazireado a pessoa assumiu — uma dizendo que foram dois, a outra dizendo que foram cinco —, surge a questão de saber se esse testemunho, mesmo discordante, pode ao menos estabelecer um núcleo comum. Bet Shamai considera que a discordância entre as duas parelhas invalida o testemunho por completo: como elas não concordam entre si sobre o número exato, cada parelha, isoladamente, não tem dois testemunhos que a apoiem integralmente sobre aquele número específico, e por isso não se estabelece nazireado algum. Bet Hilel discorda, aplicando um princípio de inclusão lógica: quem testemunha que a pessoa assumiu cinco nazireados está, implicitamente, também testemunhando que ela assumiu pelo menos dois — pois cinco inclui dois dentro de si —, e por isso, quanto a esses dois nazireados mínimos, há de fato duas testemunhas de cada parelha concordando, o que basta para estabelecer, ao menos, o nazireado de dois votos.
A validade de um testemunho como base para a aceitação de um voto se apoia no princípio bíblico geral da exigência de duas testemunhas, aplicado aqui a uma disputa aritmética entre parelhas.
O princípio de que basta a palavra da própria pessoa para assumir um voto de nazireado não exclui a necessidade de se estabelecer, por meio de testemunhas, o número exato de vezes em que esse voto foi assumido, quando a própria pessoa nega tê-lo feito. A disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel gira em torno de uma questão puramente lógica sobre como avaliar duas parelhas de testemunhas discordantes: se a divergência anula todo o testemunho, ou se o número menor, estando contido no maior, pode ser extraído como um núcleo comum de concordância.
A halachá segue Bet Hilel, encerrando o Perek Guimel.
Rambam considera o conteúdo desta mishná suficientemente claro em si mesmo, e remete apenas ao princípio já conhecido de que cada nazireado, quando não especificado, equivale a trinta dias — de modo que, segundo Bet Hilel, a pessoa cujo testemunho discordante ainda assim confirma pelo menos dois nazireados fica obrigada a observar dois períodos de trinta dias, um após o outro.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura, encerrando o Perek Guimel.
Rashi explica a lógica de cada posição com precisão: para Bet Shamai, como nenhuma das duas testemunhas de uma mesma parelha concorda plenamente com a outra sobre o número exato, tecnicamente não há "duas testemunhas" válidas sobre nenhum número específico, e o testemunho como um todo se anula. Para Bet Hilel, de qualquer forma ambas as testemunhas concordam que houve, no mínimo, dois nazireados — já que cinco necessariamente contém dois dentro de si —, e portanto, quanto a esse número mínimo, o testemunho não se divide, mas permanece válido e conjunto.
Rambam remete ao princípio geral do nazireado padrão de trinta dias, aplicando-o ao resultado prático da posição de Bet Hilel nesta mishná: a pessoa cujo testemunho discordante confirma ao menos dois nazireados observa dois períodos consecutivos de trinta dias.
Bartenura resume a disputa que encerra o Perek Guimel: para Bet Shamai, o simples fato de as duas parelhas se contradizerem sobre o número exato basta para invalidar todo o testemunho, como se ele nunca tivesse existido; para Bet Hilel, a lógica da inclusão — de que um número maior sempre contém o menor dentro de si — permite extrair, do meio da discordância, um núcleo mínimo de concordância genuína, suficiente para obrigar a pessoa a observar, ao menos, dois nazireados.