Viu o koy e disse: "eis que sou nazireu se isto é animal selvagem"; "eis que sou nazireu se isto não é animal selvagem"; "eis que sou nazireu se isto é animal doméstico"; "eis que sou nazireu se isto não é animal doméstico"; "eis que sou nazireu se isto é animal selvagem e doméstico"; "eis que sou nazireu se isto não é nem animal selvagem nem doméstico". — O koy é uma criatura cuja classificação os sábios deixaram deliberadamente indefinida, por reunir simultaneamente características de animal selvagem (chayá) e de animal doméstico (behemá), sem que se possa dizer com certeza a qual das duas categorias pertence. Uma pessoa, ao avistar um koy, pronuncia seis votos de nazireado distintos, cada um cobrindo uma das possibilidades lógicas sobre a natureza do animal — selvagem, não selvagem, doméstico, não doméstico, ambos, ou nenhum dos dois —, de modo que, qualquer que seja a verdade sobre o koy, ao menos uma de suas afirmações estará correta.
"Eis que sou nazireu se um de vocês é nazireu"; "eis que sou nazireu se nenhum de vocês é nazireu"; "eis que sou nazireu se todos vocês são nazireus" — eis que todos são nazireus. — Três outras pessoas, testemunhando a cena, acrescentam seus próprios votos, apostando sobre se um, nenhum, ou todos os seis primeiros se tornaram efetivamente nazireus. Como o koy é uma criatura genuinamente ambígua — com traços reais tanto de animal selvagem quanto de doméstico, e não meramente uma incerteza factual passível de esclarecimento, como no caso do desconhecido das mishnayot 5:5–5:6 —, mesmo Beit Hilel concordam aqui que todos os nove participantes se tornam nazireus: os seis primeiros, porque cada um de seus seis votos capta uma faceta real do koy, e os três últimos, porque, entre os seis primeiros, sempre haverá tanto um nazireu quanto alguém cujo voto específico não se sustenta sozinho, tornando verdadeiras todas as três apostas finais.
Como nas demais mishnayot sobre nazireado condicional, o fundamento textual básico é o próprio versículo que institui o voto; a natureza ambígua do koy, por sua vez, é reconhecida pelos sábios em diversas áreas da halachá, sem depender de um único versículo específico.
A diferença essencial entre esta mishná e a mishná 5:6 — onde a identidade do desconhecido que recuou jamais é esclarecida, isentando todos do nazireado — está na natureza da própria incerteza: o koy não é um caso de fato desconhecido, mas de uma criatura genuinamente intermediária, que a tradição recebida reconhece como portadora simultânea de características de ambas as categorias bíblicas de animais. Por isso, mesmo aqueles que, como Beit Hilel, exigiriam clareza fática em outras dúvidas de nazireado, aqui reconhecem que cada uma das seis primeiras afirmações capta algo real sobre o koy, tornando válidos todos os votos que dele dependem — inclusive os três votos finais dos companheiros, que apostam sobre o grupo.
Rambam explica por que, neste caso, mesmo Beit Hilel concorda que todos os participantes se tornam nazireus, encerrando o Perek Hei.
Rambam remete ao tratado de Bicurim, onde já se estabeleceu que o koy tem características reais tanto de animal selvagem quanto de animal doméstico. Por isso, qualquer que seja a fórmula usada — "é selvagem", "não é selvagem", "é doméstico", e assim por diante —, o nazireado se aplica, pois cada afirmação capta um aspecto verdadeiro da criatura. E é por essa razão, explica Rambam, que a mishná conclui que "todos são nazireus": cada participante, ao declarar sua parte da verdade sobre o koy, efetivamente assume um nazireado válido.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura, encerrando o Perek Hei.
Rashi observa, quanto a uma leitura possível desta mishná, que a conclusão "todos são nazireus" poderia ser entendida apenas segundo Beit Shammai, que sustentam que nazireado por engano é válido. Mas a Guemará, como resume o próximo comentário, esclarece que na realidade a mishná se sustenta mesmo segundo Beit Hilel, precisamente porque o caso do koy não é de engano, mas de dúvida objetiva genuína.
Rashi relata a explicação de seu próprio mestre para uma dificuldade da Guemará sobre como nove pessoas distintas chegam a fazer nove votos de nazireado ao redor de um único koy. E conclui com o ponto central: a mishná se aplica mesmo segundo Beit Hilel, pois a disputa entre as escolas nas mishnayot anteriores dizia respeito apenas à consagração por engano — quando a realidade contradiz frontalmente a suposição do declarante —, ao passo que aqui se trata de dúvida objetiva sobre a classificação de uma criatura genuinamente intermediária, caso em que até Beit Hilel reconhece a validade do voto.
Rambam explica o mecanismo lógico dos três votos finais com um exemplo ainda mais extremo: mesmo que, de um grande grupo de pessoas, apenas uma fosse efetivamente nazireu e todas as demais não fossem, quem dissesse "sou nazireu se todos vocês são nazireus" ainda assim se tornaria nazireu — pois, para essa fórmula, basta que a afirmação seja parcialmente verdadeira, já que há de fato ao menos um nazireu no grupo, exatamente como, no caso do koy, basta que a criatura tenha alguma característica correspondente à afirmação para que o voto se confirme.
Bartenura resume, para encerrar o Perek Hei, a diferença entre as duas escolas quanto ao fundamento da conclusão: para Beit Shammai, os nove são nazireus com certeza plena, pois nazireado por engano já é válido segundo sua posição geral; para Beit Hilel, o nazireado de cada um é uma questão de dúvida genuína — não de engano —, já que o koy pode ser animal doméstico, animal selvagem, ou uma criatura à parte, distinta de ambos, e essa incerteza objetiva basta, mesmo para Beit Hilel, para obrigar cada declarante a se tratar como nazireu.