Seder Nashim · Massechet Nazir · Perek Vav · Mishná 9 de 11

A tenufá final: o momento exato em que o nazireu volta a poder beber vinho

הָיָה מְבַשֵּׁל אֶת הַשְּׁלָמִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná descreve o rito culminante do término do nazireado — a elevação ritual do braço cozido do carneiro junto com pão sobre as mãos do nazireu —, e a divergência entre a posição anônima da mishná e Rabi Shimon sobre o momento exato em que ele volta a ter permissão para beber vinho e se impurificar.

Ele cozinhava a oferenda de paz ou a fervia. O cohen tomava o braço cozido do carneiro, uma hala de pão ázimo do cesto, e um wafer de pão ázimo, e colocava sobre as mãos do nazireu e os elevava. E depois disso o nazireu tinha permissão para beber vinho e se impurificar por mortos. Rabi Shimon diz: assim que um dos sangues foi aspergido sobre ele, o nazireu já tinha permissão para beber vinho e se impurificar.Ao final do procedimento sacrificial, o cohen toma o braço cozido do carneiro da oferenda de paz, junto com um pão ázimo e um wafer retirados do cesto de pães que acompanha essa oferenda, coloca-os sobre as mãos do próprio nazireu, e realiza com eles o rito de elevação, movendo-os para frente e para trás. Segundo a posição anônima da mishná, só depois de completado todo esse procedimento — incluindo essa elevação final — o nazireu recupera a permissão de beber vinho e de se impurificar por contato com um morto, encerrando definitivamente as restrições de seu voto. Rabi Shimon discorda quanto ao momento exato: para ele, basta que o sangue de um único dos três sacrifícios tenha sido aspergido sobre o altar para que as restrições já cessem, sem necessidade de aguardar o restante do procedimento, incluindo a elevação do braço.

הָיָה מְבַשֵּׁל אֶת הַשְּׁלָמִים אוֹ שׁוֹלְקָן. הַכֹּהֵן נוֹטֵל אֶת הַזְּרוֹעַ בְּשֵׁלָה מִן הָאַיִל, וְחַלַּת מַצָּה אַחַת מִן הַסַּל, וּרְקִיק מַצָּה אֶחָד, וְנוֹתֵן עַל כַּפֵּי הַנָּזִיר וּמְנִיפָן, וְאַחַר כָּךְ הֻתַּר הַנָּזִיר לִשְׁתּוֹת יַיִן וּלְהִטַּמֵּא לְמֵתִים. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, כֵּיוָן שֶׁנִּזְרַק עָלָיו אֶחָד מִן הַדָּמִים, הֻתַּר הַנָּזִיר לִשְׁתּוֹת בְּיַיִן וּלְהִטַּמֵּא לְמֵתִים:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

O momento em que o nazireu volta a ter permissão para beber vinho está associado, no próprio texto bíblico, à expressão "depois" — cuja extensão exata é objeto da divergência da mishná.

Bemidbar (Números) 6:19-20
וְלָקַח הַכֹּהֵן אֶת הַזְּרֹעַ בְּשֵׁלָה... וְהֵנִיף אֹתָם הַכֹּהֵן תְּנוּפָה... וְאַחַר יִשְׁתֶּה הַנָּזִיר יָיִן
E o cohen tomará o braço cozido... e o cohen os elevará como oferenda de elevação... e depois o nazireu beberá vinho.

A palavra "depois" — אַחַר — é a base textual de toda a controvérsia: a posição anônima da mishná a entende como referindo-se ao término de todos os atos do procedimento, incluindo a elevação recém-descrita no mesmo versículo, ao passo que Rabi Shimon a compara, por analogia verbal, à expressão paralela sobre a tosquia — "depois de tosquiar seu nazireado" —, que se refere a um único ato específico, e não à totalidade do procedimento.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura confirma que a halachá segue Rabi Shimon quanto ao momento em que cessam as restrições.

Bartenura · Nazir 6:9
הָא לָמַדְתָּ שֶׁכֵּיוָן שֶׁנִּזְרַק עָלָיו אֶחָד מִן הַדָּמִים מֻתָּר לִשְׁתּוֹת יַיִן וּלְהִטַּמֵּא לְמֵתִים. וְכֵן הֲלָכָה

Bartenura conclui, ao final de seu comentário à posição de Rabi Shimon, que a halachá segue essa posição: basta que o sangue de um único dos três sacrifícios tenha sido aspergido para que o nazireu já recupere a permissão de beber vinho e de se impurificar por mortos, sem necessidade de aguardar a conclusão do rito de elevação do braço.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.

Rashi · רש״י
Nazir 45b, s.v. מתני' או שולקן
מַתְנִיתִין אוֹ שׁוֹלְקָן - שֶׁאֵינוֹ מְבֻשָּׁל יָפֶה, וְלֹא מְבֻשָּׁל כָּל צָרְכּוֹ: אֶת הַזְּרוֹעַ בְּשֵׁלָה - אִיכָּא לְמֵימַר

Rashi distingue os dois verbos usados na mishná para o cozimento — מְבַשֵּׁל, referindo-se a um cozimento completo, e שׁוֹלֵק, referindo-se a uma fervura mais leve, insuficiente para cozinhar por completo —, esclarecendo que ambos os métodos são aceitáveis para o preparo do braço do carneiro que será elevado.

Rambam · פירוש המשנה
Perush HaMishná, Nazir 6:9
היה מבשל את השלמים או שלקן הכהן כו': כבר ידעת לשון התורה בקרבנות נזיר שהם כבש לעולה וכבשה לחטאת ואיל לשלמים

Rambam recorda a estrutura dos três sacrifícios do nazireu antes de detalhar o rito de elevação: um cordeiro para a oferenda de ascensão, uma ovelha para a oferenda pelo pecado, e um carneiro para a oferenda de paz — e é justamente sobre o braço deste último, cozido, que ocorre o rito de elevação descrito na mishná.

Bartenura · רע״ב
Nazir 6:9
וְאַחַר כָּךְ הֻתַּר הַנָּזִיר לִשְׁתּוֹת יַיִן. דִּכְתִיב וְאַחַר יִשְׁתֶּה הַנָּזִיר יַיִן, אַחַר הַמַּעֲשִׂים כֻּלָּם. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר כוּ׳. כְּתִיב הָכָא וְאַחַר יִשְׁתֶּה הַנָּזִיר יַיִן, וּכְתִיב הָתָם אַחַר הִתְגַּלְּחוֹ אֶת נִזְרוֹ, מַה לְּהַלָּן אַחַר מַעֲשֶׂה יְחִידִי, אַף כָּאן אַחַר מַעֲשֶׂה יְחִידִי. הָא לָמַדְתָּ שֶׁכֵּיוָן שֶׁנִּזְרַק עָלָיו אֶחָד מִן הַדָּמִים מֻתָּר לִשְׁתּוֹת יַיִן וּלְהִטַּמֵּא לְמֵתִים. וְכֵן הֲלָכָה

Bartenura expõe com clareza a base da controvérsia: a posição anônima lê "depois" como referindo-se ao término de todos os atos do procedimento; Rabi Shimon, por uma analogia verbal ("gezerá shavá") com a expressão paralela sobre a tosquia — que se refere a um único ato —, conclui que também aqui "depois" se refere a um único ato, a aspersão de um sangue. E, como citado acima em Halachot, Bartenura confirma que a halachá segue Rabi Shimon.