O Sumo Sacerdote e o nazireu não se impurificam por seus parentes, mas se impurificam pelo met mitzvá. — O Perek Vav encerrou-se tratando da impureza que anula ou não anula os dias já cumpridos do nazireado; o Perek Zayin abre com um tema correlato, mas distinto: quem, dentre os que têm restrições especiais quanto à impureza, é obrigado a enterrar um morto que ninguém mais pode enterrar. A Torá proíbe explicitamente tanto o Sumo Sacerdote quanto o nazireu de se impurificarem por seus parentes mais próximos — pai, mãe, irmão, irmã —, ao contrário do cohen comum, que tem o dever de se impurificar por esses mesmos parentes. Essa restrição, porém, cede diante do met mitzvá: um cadáver encontrado sem ninguém disponível para cuidar de seu sepultamento, caso em que a obrigação de dar dignidade ao morto — considerada fundamental na Torá — prevalece até mesmo sobre as restrições de santidade mais rigorosas.
Estavam caminhando pelo caminho e encontraram um met mitzvá — Rabi Eliezer diz: que se impurifique o Sumo Sacerdote, e não se impurifique o nazireu. E os sábios dizem: que se impurifique o nazireu, e não se impurifique o Sumo Sacerdote. — O caso concreto que a mishná examina é o de um Sumo Sacerdote e um nazireu que caminham juntos e deparam-se com um met mitzvá: já que ambos têm o dever de se impurificar por ele, mas apenas um precisa efetivamente fazê-lo (não há necessidade de que ambos se contaminem para enterrar um único corpo), surge a questão de qual dos dois deve ceder e se tornar impuro. Rabi Eliezer sustenta que deve ser o Sumo Sacerdote quem se impurifica, poupando o nazireu; os sábios sustentam exatamente o oposto — que deve ser o nazireu quem se impurifica, poupando o Sumo Sacerdote.
Disse-lhes Rabi Eliezer: que se impurifique o cohen, que não traz sacrifício por sua impureza, e não se impurifique o nazireu, que traz sacrifício por sua impureza. Disseram-lhe: que se impurifique o nazireu, cuja santidade não é santidade eterna, e não se impurifique o cohen, cuja santidade é santidade eterna. — Rabi Eliezer defende sua posição com um argumento de custo prático: tornar-se impuro é, para o Sumo Sacerdote, uma consequência mais leve, pois ele não precisa trazer nenhum sacrifício especial por essa impureza; já para o nazireu, a mesma impureza acarreta a obrigação de trazer sacrifícios de purificação e recomeçar a contagem — um ônus mais pesado, que Rabi Eliezer prefere evitar. Os sábios respondem com um argumento diferente, baseado na natureza da santidade de cada um: a santidade do nazireado é temporária, limitada aos dias do voto, e cessa naturalmente quando eles se completam; a santidade do Sumo Sacerdote, ao contrário, é permanente, vinculada ao cargo enquanto ele vive. Por isso, para os sábios, é preferível que seja interrompida — ainda que temporariamente, pela impureza — a santidade que de todo modo é passageira, preservando intacta a santidade que dura para sempre.
A proibição do nazireu quanto aos parentes está em Bemidbar; a proibição paralela do Sumo Sacerdote, formulada em termos ainda mais estritos, está em Vaikrá.
A Torá menciona explicitamente "seu pai e sua mãe" tanto a respeito do nazireu quanto a respeito do Sumo Sacerdote — repetição que, segundo a leitura talmúdica citada por Rambam, não vem para restringir ainda mais a proibição, mas para ensinar por comparação (guezerá shavá) que, assim como o Sumo Sacerdote se impurifica pelo met mitzvá apesar da proibição quanto a seus parentes, também o nazireu se impurifica pelo met mitzvá apesar de sua própria proibição idêntica. É esse fundamento comum, extraído da mesma expressão nos dois textos, que fixa o princípio geral com que a mishná abre o Perek Zayin, antes de examinar o caso em que os dois deveres colidem.
Rambam, no Perush HaMishná, situa a base textual da impureza pelo met mitzvá e confirma que a halachá segue os sábios.
Rambam observa que a Torá usa a mesma expressão — "por seu pai e por sua mãe" — tanto na proibição do nazireu quanto na do Sumo Sacerdote, e que dessa repetição comum os sábios já haviam extraído, no capítulo anterior, a prova de que o nazireu se impurifica pelo met mitzvá; a mesma lógica se aplica igualmente ao Sumo Sacerdote. Rambam conclui explicitamente que a halachá segue os sábios — ou seja, diante de um met mitzvá encontrado por ambos juntos, é o nazireu quem deve se impurificar, e não o Sumo Sacerdote.
Perush de Rashi sobre a Guemará, abrindo o Perek Zayin, além de Rambam e Bartenura.
Rashi assinala, ao abrir o Perek Zayin, que a mishná se apoia em versículos específicos — os mesmos que a própria Guemará irá expor a seguir — para fundamentar a proibição de impureza que recai tanto sobre o Sumo Sacerdote quanto sobre o nazireu quanto a seus parentes.
Rashi esclarece o alcance exato da disputa entre Rabi Eliezer e os sábios: ela só existe no caso específico em que o Sumo Sacerdote e o nazireu caminham juntos e encontram um met mitzvá, quando é preciso decidir qual dos dois deve se impurificar primeiro; quando qualquer um deles está sozinho, não há disputa alguma — ambos têm o dever individual de se impurificar pelo met mitzvá, como já estabelece a primeira parte da mishná.
Rambam compara textualmente as duas proibições — a do nazireu em Bemidbar e a do Sumo Sacerdote em Vaikrá — mostrando que, apesar da diferença de linguagem, ambas mencionam explicitamente "pai" e "mãe", base textual comum de que os sábios extraem, por comparação, o dever de ambos de se impurificarem pelo met mitzvá.
Bartenura remete às duas passagens da Torá — Parashat Emor e Parashat Nasso — como fonte da proibição dupla, e observa que a disputa registrada na mishná não se restringe ao Sumo Sacerdote: o mesmo raciocínio, e portanto a mesma disputa, aplicar-se-ia igualmente a um cohen comum que encontrasse um met mitzvá junto com um nazireu, pois a lógica por trás dos dois argumentos — o custo do sacrifício, de um lado, e a permanência da santidade, de outro — é a mesma em ambos os casos.