Há no pelo branco o que não há na carne viva, e há na carne viva o que não há no pelo branco. Que o pelo branco certifica impuro no furúnculo e na queimadura, reunido e disperso, cercado e não cercado. Há na carne viva — que a carne viva certifica impura na calvície posterior e na calvície frontal, invertida e não invertida, e impede que quem se tornou todo branco seja puro, e certifica impura em qualquer aparência — o que não há assim no pelo branco.
Fecha-se aqui a série de três comparações que abre o Perek Dálet. Entre pelo branco e carne viva, o pelo branco tem a vantagem de certificar impuro no furúnculo e na queimadura — onde não há carne viva, pois a pele ali já foi alterada pela própria lesão — e de fazê-lo tanto quando as duas fiações de pelo estão juntas quanto dispersas, cercadas pela mancha ou ligadas a ela por um fio estreito. A carne viva, por sua vez, tem a vantagem de certificar impura na calvície posterior e na frontal — onde não há pelo branco a considerar —, de fazê-lo tanto quando ela precede a mancha quanto quando é precedida por ela, de impedir que alguém cujo corpo todo se tornou branco seja declarado puro enquanto restar nele carne viva, e de certificar impura em qualquer aparência de carne, vantagens todas ausentes no pelo branco.
Já se te disse antes que o pelo branco é sinal de impureza no furúnculo e na queimadura, e que não há no furúnculo e na queimadura carne viva, porque essa pele já se alterou por ser resultado de uma lesão, como se explicará depois disto.
Sobre “cercado e não cercado”: quer dizer que o pelo branco, seja no contorno da mancha, nas laterais, seja visto dentro da própria praga — e a carne viva não é assim, pois entre suas condições está que apareça dentro da praga, e não à parte, e que esteja unida, e não dividida: parte da carne viva num lugar e parte noutro, com o espaço entre as duas partes do tamanho de uma lentilha, mesmo que ambas as partes estejam dentro da praga. E a carne viva também é sinal de impureza na calvície posterior e na frontal, onde não há pelo ali, de modo algum. Quanto ao que se disse “invertida e não invertida”, explicá-lo-ei: o pelo branco não é sinal de impureza quando precede a praga, como quando embranquece o pelo e o corpo sem tzaraat, e depois disso surge no mesmo lugar uma praga de tzaraat — nesse caso ele não é sinal de impureza, a menos que a tzaraat o tenha precedido, sendo ela quem mudou o pelo e o tornou branco, como se disse: “e ela o tornou pelo branco”; e isto se explicará depois com toda a clareza. Já a carne viva não é assim: quando surge uma praga circular num lugar do corpo e nele permanece carne viva, é carne viva não invertida; e quando surge uma praga no corpo e o lugar embranquece, e depois disso se inverte dentro dessa praga uma parte e volta a ser carne viva, é carne viva invertida — e ambas são sinal de impureza. E quem se tornou todo branco, se nele permaneceu resquício de carne viva, é impuro até que a carne viva desapareça, e o pelo branco não lhe prejudica. E já se explicou que a carne viva certifica impura em qualquer aparência, ao passo que o pelo, apenas na aparência de brancura, seja forte, seja fraca.
Sobre “reunido”: que as duas fiações de pelo estão num único lugar dentro da praga.
Sobre “disperso”: uma a leste da praga e outra a oeste.
Sobre “cercado”: as duas fiações de pelo no meio da praga, como uma fortaleza no meio da cidade.
Sobre “não cercado”: num fio que sai da praga, tendo em sua largura duas fiações de pelo. O que não ocorre na carne viva, pois esta exige que seja cercada e reunida.
Sobre “invertida e não invertida”: seja quando a mancha precedeu a carne viva, seja quando a carne viva precedeu a mancha. O que não ocorre no pelo branco, pois, se ele precedeu a mancha, é puro.
Sobre “e impede que quem se tornou todo branco seja puro”: pois, se foi certificado impuro por carne viva, e a tzaraat floresceu por todo o corpo, exceto no lugar da carne viva, ele continua impuro. Mas se floresceu por todo o corpo, mesmo que todo o seu corpo esteja coberto de pelo branco, é puro — pois o pelo branco não impede a pureza.