Dois são impuros por meio de um morto: um é impuro com impureza de sete dias, e um é impuro com impureza de véspera. Três são impuros por meio de um morto: dois são impuros com impureza de sete dias, e um é impuro com impureza de véspera. Quatro são impuros por meio de um morto: três são impuros com impureza de sete dias, e um é impuro com impureza de véspera. Como assim, dois? A pessoa que toca no morto é impura com impureza de sete dias; e a pessoa que toca nela é impura com impureza de véspera.
A mishná de abertura de todo o tratado — e, com ele, de toda a Seder Tehorot — lança o princípio organizador de todo o Perek Alef: a partir do cadáver (met), a impureza se propaga em cadeia, mas perde intensidade a cada elo. Quem toca diretamente no morto recebe a impureza mais grave, de sete dias (tumat shivá); quem toca nesse primeiro contaminado recebe apenas a impureza mais leve, até a tarde (tumat erev) — e a cadeia não avança mais, pois essa impureza de véspera não se transmite adiante a uma terceira pessoa. A mishná anuncia, em três frases paralelas e crescentes, que a mesma estrutura de “o penúltimo elo é grave, o último é leve” se repete quando a cadeia envolve dois, três ou quatro elos — mas só explica de imediato o caso mais simples, o de dois: pergunta retoricamente “como assim, dois?” e responde com o caso da pessoa. As mishnayot seguintes explicarão os casos de três e quatro elos, que envolvem também utensílios.
“O que tocar no morto, em qualquer pessoa que morrer, ficará impuro sete dias” (19:11) — é a fonte da impureza grave, de sete dias, para quem toca diretamente no cadáver. “E a pessoa que tocar ficará impura até a tarde” (19:22) — é a fonte da impureza leve, de véspera, para quem toca em quem já está contaminado pelo morto. Rambam e Bartenura citam ambos os versículos como base direta desta mishná: o primeiro grau (que toca no próprio morto) é chamado av hatumá, pai da impureza, pois o morto em si é avi avot hatumá, pai dos pais da impureza; o segundo grau é chamado valad hatumá, filho da impureza, e todo filho da impureza carrega apenas impureza de véspera.
Rambam explica: disse o Eterno, sobre a impureza do morto (Bemidbar 19:22), “e a pessoa que tocar ficará impura até a tarde”. E disseram no Sifrei: que pessoa recebe impureza do morto a ponto de contaminar seu companheiro com impureza de sete dias? Ensina o versículo “e a pessoa que tocar ficará impura até a tarde” — mas a pessoa que tocou no próprio morto é impura com impureza de sete dias, pois assim diz a linguagem do mesmo texto: “o que tocar no morto, em qualquer pessoa que morrer, ficará impuro sete dias”.
E esta lei — que a segunda pessoa da cadeia tem apenas impureza de véspera — é lei da Torá; mas é dito dos escribas [dos Sábios] que, quando alguém tocou no morto e, antes de se afastar do morto, tocou em outra pessoa, também essa segunda pessoa fica impura por sete dias — por decreto rabínico. Saiba isto.
Sobre “dois são impuros por meio de um morto, um é impuro com impureza de sete dias”: toda a mishná se explicará a si mesma, prosseguindo.
Sobre “a pessoa que toca no morto é impura com impureza de sete dias”: pois está escrito (Bemidbar 19) “o que tocar no morto, em qualquer pessoa que morrer, ficará impuro sete dias”, porquanto ela se torna av hatumá (pai da impureza), já que o morto é avi avot hatumá (pai dos pais da impureza).
Sobre “a pessoa que toca nela é impura com impureza de véspera”: pois está escrito (ibidem) “e a pessoa que tocar ficará impura até a tarde”, porquanto ela se torna valad hatumá (filho da impureza), e todo filho da impureza não carrega senão impureza de véspera. Mas os Sábios decretaram que quem toca no impuro por morto, enquanto este ainda está unido ao próprio morto [antes de dele se afastar], fica impuro por sete dias.