Claraboias, uma sobre a outra, e há nelas uma abertura de um palmo: se há impureza na casa, diante das claraboias permanece puro. Se há impureza diante das claraboias, a casa permanece pura. Se a impureza está tanto na casa quanto diante das claraboias, e foi colocado ali um objeto que recebe impureza, seja na de cima seja na de baixo, tudo fica impuro. E um objeto que não recebe impureza: dele para baixo, fica impuro; dele para cima, permanece puro.
Esta quarta mishná introduz um novo cenário: uma casa com um sótão por cima, ligados por duas claraboias alinhadas uma sobre a outra — uma no teto da casa (o piso do sótão) e outra no teto do próprio sótão, cada uma com abertura de um palmo, de modo que, se a impureza estivesse debaixo das claraboias, ela subiria livremente até o céu aberto. Os dois princípios iniciais repetem os das mishnayot anteriores: impureza na casa não afeta o que está diante das claraboias (ou seja, o sótão e o céu acima), e impureza diante das claraboias não afeta a casa. A novidade está em colocar um objeto dentro de uma das claraboias — na de cima ou na de baixo, tanto faz. Se o objeto é capaz de receber impureza (um vaso comum, por exemplo), ele não bloqueia a passagem da impureza para os fins deste caso: como o próprio objeto se contaminaria caso a impureza o alcançasse, ele é tratado como parte contínua do espaço aberto, e a impureza se propaga através dele, impurificando tudo — a casa, o sótão e o próprio objeto. Mas se o objeto é incapaz de receber impureza (por exemplo, um vaso de pedra, esterco ou terra), ele funciona como uma barreira real: tudo que está abaixo dele fica impuro, mas o que está acima dele — inclusive o sótão, se o objeto estava na claraboia de baixo — permanece puro, pois o objeto insuscetível bloqueia a impureza como bloquearia um teto sólido.
Estas claraboias ocorrem quando há uma casa e um sótão, havendo uma claraboia no teto da casa e uma claraboia no teto do sótão, uma diante da outra, de modo que, quando a impureza está debaixo das claraboias, a casa fica descoberta para o céu. E já se estabeleceu que um vaso impuro não bloqueia; e quando a impureza tem em seu teto uma abertura de um palmo, o sótão fica impuro, pois a impureza pode sair por ali para ele. Por isso, quando se coloca um objeto capaz de receber impureza sobre a claraboia que está no teto da casa, esse vaso já ficou impuro, e a casa ficou impura; e, sendo a casa inteira impura, e havendo em seu teto uma abertura de um palmo, a impureza saiu por essa claraboia, e o sótão também ficou impuro, pois este vaso não separa entre a casa e o sótão, por ser um vaso impuro. Mas se colocou esse vaso na claraboia superior, que está no teto do sótão, é evidente que ele impurifica o sótão e a casa. E se era um vaso que não recebe impureza, ele bloqueia diante da impureza; por isso, se o colocou na claraboia que está no teto da casa, a casa fica impura e o sótão permanece puro; e se o colocou na claraboia que está no sótão, a casa e o sótão ficam impuros, e tudo o que está diante dessa claraboia, de cima até o céu, permanece puro.
Sobre “claraboias, uma sobre a outra”: como quando há uma claraboia entre a casa e o sótão, e há ainda outra claraboia no teto do sótão, alinhada diante dela, e em cada uma delas há abertura de um palmo.
Sobre “na de cima”: na claraboia superior.
Sobre “na de baixo”: na claraboia inferior.
Sobre “tudo fica impuro”: mesmo o que está no sótão, ainda que o objeto tenha sido colocado na de baixo e não na de cima. Pois, sendo um objeto que recebe impureza e não bloqueando diante da impureza que está na casa, olhamos para ele como se estivesse colocado na boca da claraboia superior, e ele misturou a impureza.
Sobre “dele para baixo, fica impuro”: pois se tornou uma tenda fechada, e tudo o que está em seu interior fica impuro.
Sobre “dele para cima, permanece puro”: pois ele bloqueia diante da impureza.