Uma claraboia que está no meio da casa, e uma panela colocada debaixo dela, de tal modo que, se subisse, suas bordas não tocariam na claraboia: se há impureza debaixo dela, em seu interior ou sobre ela, a impureza penetra e sobe, penetra e desce. Se ela estava elevada da terra um palmo: se há impureza debaixo dela, ou na casa, debaixo dela e a casa ficam impuras; seu interior e seu topo permanecem puros. Se a impureza está em seu interior ou sobre ela, tudo fica impuro.
Esta sexta mishná desloca o foco da claraboia para um novo tipo de vaso colocado sob ela: uma panela assentada no chão, diretamente debaixo da claraboia, mas estreita o bastante para que, mesmo imaginando-a erguida até a altura da claraboia, suas bordas não tocariam nas paredes do vão — ou seja, ela não fecha a claraboia, deixando sempre uma folga ao redor. Nessa condição, colada ao chão, a panela não se comporta como uma tenda independente: se há impureza debaixo dela, dentro dela, ou sobre ela, a impureza simplesmente penetra e sobe, penetra e desce por toda a coluna vertical diante dela, exatamente como se a panela não estivesse ali, pois, sendo um vaso de barro pousado no chão, ela não protege sequer o que está em seu próprio interior daquilo que está diante do azeitona. Mas a mishná então altera as condições: se essa mesma panela estava elevada um palmo do chão, ela deixa de ser um simples objeto e passa a se comportar como uma tenda própria e independente. Nessa nova condição, se há impureza debaixo dela ou na casa, tanto o espaço debaixo dela quanto a casa inteira ficam impuros — pois a panela elevada faz tenda sobre essa impureza, e essa tenda se conecta ao teto da casa —, mas o que está em seu interior e sobre ela permanece puro, protegido pelas próprias paredes da panela erguida, que agora bloqueiam a impureza de baixo como bloquearia qualquer tenda. Por fim, se a impureza está dentro da panela elevada ou sobre ela, tudo fica impuro, pois agora é a própria panela, com a impureza em seu interior ou por cima, que faz tenda sobre a casa inteira.
“De tal modo que, se subisse, suas bordas não tocariam na claraboia” significa que o vaso está diante da claraboia, sendo esta maior que o corpo da panela, a ponto de calcularmos que, se o vaso subisse sobre uma coluna erguida, sairia pela claraboia sem tocar suas laterais de nenhum modo. E, estando a panela nessa condição, se há impureza em qualquer parte dela, ela impurifica tudo o que está diante dela, apenas — acima ou abaixo —, pois a impureza fica comprimida e não está sob uma única tenda, nem descoberta para o céu, e não se espalha por seus lados, e não aparece como explicamos no assunto de “penetra e sobe”. E se a altura da panela em relação ao chão for de um palmo, e houver impureza debaixo dela, ela já fez tenda sobre a impureza, e toda a casa fica impura. E já se disse a você, neste capítulo, que, estando a impureza debaixo da claraboia, se alguém colocou o pé por cima, misturou a impureza; e tudo o que estiver em seu interior ou sobre ela permanece puro, pois não está sob uma tenda descoberta, por estar diante da claraboia. E se a impureza estava em seu interior ou sobre ela, sendo essa panela elevada um palmo, como mencionamos, tudo permanece puro — ou seja, a casa inteira permanece pura, pois a impureza está diante da claraboia; e da mesma forma, debaixo da panela permanece puro, pois ela é uma tenda por estar elevada um palmo, segundo o que estabelecemos; e apenas fica impuro o que está diante da impureza, até o firmamento.
Sobre “claraboia”: a que vê o ar livre.
Sobre “e uma panela colocada debaixo dela”: no chão, diante da claraboia; e não é tão larga que, se subisse diante da claraboia, suas bordas tocariam nela, mas sai e entra com folga.
Sobre “a impureza penetra e sobe”: e a casa permanece pura, e tudo o que faz sombra sobre ela, não diante da impureza, permanece puro; mas diante da impureza fica impuro, pois, ainda que um vaso de barro não se contamine pelas costas, aqui, sendo a impureza que penetra também dentro dela, ela também fica impura, mesmo estando a impureza debaixo dela. E tudo o que está na panela fica impuro, mesmo o que não está diante da impureza.
Sobre “debaixo dela e a casa ficam impuras”: pois a panela faz tenda sobre a impureza, por estar elevada um palmo.
Sobre “seu interior e seu topo permanecem puros”: pois a panela bloqueia diante da impureza e salva, à semelhança das paredes de tendas.
Sobre “se a impureza está em seu interior ou sobre ela, tudo fica impuro”: isto é, seu interior, seu topo, debaixo dela e a casa. Pois a impureza que está sobre ela penetra debaixo dela, e, sendo ela elevada um palmo, deixa de salvar, uma vez que a panela está impura.