Uma tábua que está colocada sobre a boca de um forno velho, e se estende para além dele de um lado e de outro por um palmo, mas não pelos lados: se há impureza deste lado, os vasos que estão do outro lado permanecem puros. Rabi Yosei declara impuro. O betach não traz impureza. Se havia nele uma saliência: Rabi Eliezer diz, não traz impureza. Rabi Yehoshua diz, considera-se o betach como se não existisse, e a saliência superior traz impureza.
Diferentemente da mishná anterior, aqui a tábua não se estende igualmente por todos os lados do forno velho, mas apenas de dois lados opostos (leste e oeste, segundo Bartenura), permanecendo justa nos outros dois (norte e sul). Por não haver, nesses dois lados, nenhuma passagem para a impureza atravessar, os vasos do lado oposto ao da impureza permanecem puros — posição que Rabi Yosei contesta, por entender que o próprio forno não interrompe a passagem da impureza entre um lado e outro. A mishná passa então ao betach, uma construção — segundo o Rambam, uma espécie de apoio junto à clarabóia; segundo o Bartenura, algo como uma banheira coberta por uma tábua — que, por si só, nunca traz impureza de um lado ao outro, pois interrompe a passagem. A controvérsia final surge quando há, além do betach, uma saliência (zíz) colocada por cima dele: Rabi Eliezer mantém que o betach continua a proteger, também nesse caso; Rabi Yehoshua sustenta que, em relação à saliência, deve-se considerar o betach como se não existisse, de modo que a saliência superior, ligada diretamente ao espaço da casa, transmite a impureza normalmente. A halachá segue Rabi Yehoshua.
O betach é uma construção que sai da parede diante da janela, pois, quando alguém sobe pela clarabóia, apoia-se nessa construção — por isso se chama betach. E disse que, quando havia impureza debaixo dele, a casa não fica impura, porque a impureza não alcança um espaço sob uma tenda ligada a esta casa.
E se havia ali uma saliência que sai dessa construção para dentro da casa, então a casa também permanece pura, segundo Rabi Eliezer, pois a impureza está debaixo do betach, não debaixo da saliência. E Rabi Yehoshua diz que devemos considerar o betach como separado, e a saliência superior fica ligada ao espaço de ar da casa sem borda que a separe. E hei de esclarecer-te as leis das saliências quanto à transmissão da impureza, como são e qual é a forma das saliências. E a halachá é como Rabi Yehoshua.
Sobre “tábua”: que é comprida e estreita, e quando está colocada sobre a boca do forno, estende-se um palmo do lado leste e um palmo do lado oeste, mas não se estende do lado sul nem do lado norte.
Sobre “impureza deste lado”: debaixo da tábua, no leste ou no oeste.
Sobre “os vasos que estão do outro lado permanecem puros”: pois não há lugar por onde a impureza possa passar, já que a tábua não se estende do norte nem do sul.
Sobre “e Rabi Yosei declara impuro”: ele entende que o forno não interrompe a impureza. E a halachá não é como Rabi Yosei.
Sobre “o betach”: há livros que trazem a leitura “abtach”. E é uma construção feita como uma espécie de banheira das casas de banho, nas quais se coloca água para lavar-se; e uma tábua é colocada sobre ela como teto, e a tábua se estende para os dois lados. E se a impureza está deste lado, ela não sai para o outro lado, porque o betach interrompe a passagem.
Sobre “se havia nele uma saliência”: havia uma viga que saía por cima do betach, do leste ao oeste.
Sobre “considera-se o betach como se não existisse”: pois, ainda que o betach interrompa em relação à tábua, em relação à saliência ele não interrompe. E a halachá é como Rabi Yehoshua.