Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Yud-Bet · Mishná 6 de 8

A viga entre duas paredes

קוֹרָה שֶׁהִיא נְתוּנָה מִכֹּתֶל אֶל כֹּתֶל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata de uma viga isolada, apoiada de uma parede a outra, com impureza debaixo dela: se tem a largura mínima de um palmo, contamina tudo o que está debaixo de toda a sua extensão; se não tem essa largura, a impureza rompe e sobe, rompe e desce, como se a viga não existisse; e conclui com a medida de circunferência necessária, redonda ou quadrada, para produzir essa largura

Uma viga que está colocada de uma parede a outra e tem impureza debaixo dela: se há nela um palmo, ela traz impureza para debaixo de toda ela. E se não, rompe e sobe, rompe e desce. Quanto deve ser sua circunferência para que sua largura seja de um palmo? Se é redonda, sua circunferência deve ser de três palmos; se é quadrada, quatro, porque o quadrado é um quarto maior que o círculo.

Diferentemente da mishná anterior, que tratava de várias vigas formando um teto, esta mishná examina uma única viga isolada, atravessada de uma parede a outra, sem nenhuma outra estrutura ao seu redor. Se essa viga tem, no mínimo, um palmo de largura, ela funciona como uma tenda genuína: a impureza que está debaixo dela se espalha por toda a sua extensão, contaminando tudo o que está por baixo, enquanto o que está por cima permanece protegido. Se, porém, sua largura é menor que um palmo, ela deixa de funcionar como tenda e é tratada como se não existisse: a impureza que está debaixo dela “rompe e sobe”, contaminando também o que está diretamente acima, e, inversamente, se a impureza estivesse em cima, ela “romperia e desceria”. A mishná fecha com uma questão de geometria prática, recorrente neste tratado: para que uma viga tenha efetivamente um palmo de largura, uma viga redonda precisa ter três palmos de circunferência, e uma viga quadrada, quatro — pois a relação entre o perímetro do quadrado e o do círculo inscrito é de um quarto a mais.

קוֹרָה שֶׁהִיא נְתוּנָה מִכֹּתֶל אֶל כֹּתֶל וְטֻמְאָה תַחְתֶּיהָ, אִם יֶשׁ בָּהּ פּוֹתֵחַ טֶפַח, מְבִיאָה אֶת הַטֻּמְאָה תַחַת כֻּלָּהּ. וְאִם לָאו, בּוֹקַעַת וְעוֹלָה, בּוֹקַעַת וְיוֹרָדֶת. כַּמָּה יְהֵא הֶקֵּפָהּ וְיֵהָא רָחְבָּהּ טֶפַח, שְׁלֹשָׁה טְפָחִים. מְרֻבַּעַת, אַרְבָּעָה, מִפְּנֵי שֶׁהַמְּרֻבַּעַת יֶתֶר עַל הָעֲגֻלָּה רְבִיעַ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 12:6
כְּבָר כָּפַל הַרְבֵּה זֶה הַשֹּׁרֶשׁ…

Já se repetiu muitas vezes este princípio: que, quando a impureza não se estende sob a regra de uma tenda, ela impurifica tudo o que está diante dela, para baixo e para cima. E já esclarecemos, quanto à relação do quadrado com o círculo, o que basta, no início de Eruvin; consulta ali.

Bartenura · Ohalot 12:6
תַּחַת כֻּלָּהּ. כָּל כֵּלִים שֶׁתַּחְתֶּיהָ טְמֵאִים…

Sobre “debaixo de toda ela”: todos os vasos que estão debaixo dela ficam impuros, pois ela traz impureza a toda a sua extensão; e os que estão sobre ela permanecem puros, pois ela interrompe diante da impureza.

Sobre “e se não”: quando ela não tem a largura de um palmo.

Sobre “rompe e sobe”: pois, se há impureza debaixo dela, os vasos que estão sobre ela, diretamente acima da impureza, ficam impuros.

Sobre “rompe e desce”: pois, se há impureza sobre ela, os vasos que estão debaixo dela, diretamente abaixo da impureza, ficam impuros.

Sobre “sua circunferência de três palmos”: pois tudo o que tem um palmo de largura tem três palmos de circunferência, como encontramos em Divrei HaYamim (II, 4) a respeito do Mar que Salomão fez: “dez côvados de uma borda à outra, redondo ao seu redor… e um cordão de trinta côvados o cercava ao redor.”

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.