Uma janela que é para o ar, sua medida é a plenitude da broca. Se construiu uma casa fora dela, sua medida é um palmo aberto quadrado. Se colocou o telhado no meio da janela, a parte inferior tem a medida de um palmo aberto quadrado, e a superior, a plenitude da broca.
Esta segunda mishná do capítulo trata de uma janela aberta especificamente para deixar entrar o ar do mundo exterior — e não a luz, como no caso anterior —, cuja medida mínima, para efeitos de transmissão da impureza, é também a plenitude da broca, pela mesma lógica exposta na mishná anterior sobre o buraco de luz. Se, porém, alguém constrói uma casa do lado de fora dessa janela, exatamente diante dela, o ar que antes vinha do mundo exterior deixa de existir: a janela passa a dar apenas para o interior da nova casa construída, e sua função se reduz à de mero uso, motivo pelo qual sua medida sobe para um palmo aberto quadrado, como qualquer abertura destinada a uso. O caso final da mishná combina essas duas situações: se o telhado dessa casa nova é colocado exatamente na altura do meio da janela, a janela fica dividida em duas metades com destinos diferentes — a metade inferior, que dá para dentro da casa construída, sob o telhado, é tratada como uma janela de uso comum, com a medida do palmo aberto quadrado; enquanto a metade superior, que fica acima do telhado e continua exposta ao céu aberto, conserva a função original de deixar entrar o ar e a luz, e por isso mantém a medida menor da broca.
Quando se construiu uma casa fora dela, a janela se torna uma janela entre duas casas, e já não é para a luz, pois já não entra luz por ela; ela permanece apenas para uso, e por isso sua medida é um palmo aberto quadrado. E se colocou as vigas dessa casa — a que está ao lado desta casa que se construiu fora da janela — em certa altura da clarabóia, então a parte que fica abaixo do telhado é para uso, e a que fica acima do telhado é para luz, porque está exposta ao céu e por ela entra a luz.
Sobre “uma janela feita para o ar”: para deixar entrar por ela o ar do mundo, isto é, uma janela feita para o buraco de luz. E como a mishná precisa ensinar “construiu uma casa fora dela”, ela a ensinou de volta aqui.
Sobre “construiu uma casa fora dela”: defronte da janela, e assim se anula o ar da janela.
Sobre “sua medida é um palmo aberto quadrado”: como a lei de uma janela feita para uso.
Sobre “colocou o telhado no meio da janela”: de modo que a janela fica com metade acima do telhado e metade abaixo.
Sobre “a janela inferior tem a medida de um palmo aberto quadrado”: como a lei de uma janela feita para uso, pois ali já não há ar.
Sobre “e a superior, a plenitude da broca”: porque, acima do telhado, ela é para o ar.