Quem faz um lugar para uma vara, para uma tenaz, ou para uma lâmpada, sua medida é qualquer tamanho, segundo as palavras da Casa de Shamai. A Casa de Hilel diz: um palmo aberto quadrado. Para alimentar seus olhos, e para falar com o seu próximo, e para uso, é um palmo aberto quadrado.
Esta mishná trata de buracos abertos numa parede para fins específicos de armazenamento ou uso doméstico. A controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel diz respeito ao buraco feito propositalmente para acomodar uma vara — provavelmente de tecelão —, uma tenaz em forma de espada usada pelos tecelões, ou uma lâmpada: para Bet Shamai, como se trata de um buraco feito com destino tão específico, qualquer medida, por menor que seja, já basta para que ele transmita a impureza para o outro lado, pois nele cabe exatamente o objeto pretendido; Bet Hilel, porém, exige a medida padrão de um palmo aberto quadrado, mesmo nesse caso. Já o segundo conjunto de casos — um buraco feito para “alimentar os olhos”, isto é, para espiar o domínio público ou o pátio vizinho, para conversar através da parede com um vizinho, ou para guardar objetos pessoais — tem, por consenso, a medida fixa de um palmo aberto quadrado, pois são usos que exigem uma abertura de tamanho consideravelmente maior do que o necessário apenas para uma vara ou uma lâmpada.
Quer dizer que, se alguém abriu na parede um buraco passante para erguer ali uma vara para algum fim, ou um prego no qual se trancará a porta — a isso se chama “tenaz” em todas as portas —, ou para colocar ali algum utensílio sobre o qual se ponha a lâmpada, ou para espiar por ali quem sai e entra de sua casa, ou para chamar por ali quem quiser — a medida desse buraco é um palmo aberto.
Sobre “quem faz um lugar”: que abriu um buraco passante na parede para colocar ali uma vara de tecelões.
Sobre “e para uma tenaz”: espada, em língua grega, chama-se ispati; e os tecelões têm um utensílio em forma de espada.
Sobre “sua medida é qualquer tamanho”: para trazer a impureza para o outro lado.
Sobre “para alimentar seus olhos”: para olhar dali para o domínio público ou para o pátio.
Sobre “e para uso”: para guardar ali seus pertences.