Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Yud-Vav · Mishná 5 de 5

Os limites da busca, os ossos colhidos sem terra ensopada, encerramento do Perek Yud-Vav

מְלַקֵּט עֶצֶם עֶצֶם וְהַכֹּל טָהוֹר
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Yud-Vav com os limites naturais que interrompem a busca por vinte côvados — rio, canal de irrigação ou caminho público —, e três casos em que se colhem apenas os ossos, sem terra ensopada, por não se tratar de sepultura intencional desde o início, com a ressalva de Rabi Shimon

Se ele estava examinando, e chegou a um rio, ou a um canal de irrigação, ou a um caminho público, ele interrompe. Um campo no qual foram mortos assassinados, colhe-se osso por osso, e tudo é puro. Aquele que remove seu túmulo de dentro de seu campo, colhe-se osso por osso, e tudo é puro. Um poço no qual se lançam fetos abortados ou assassinados, colhe-se osso por osso, e tudo é puro. Rabi Shimon diz: se o preparou como túmulo desde o início, ele tem terra ensopada.

O Rambam identifica o shlulit como o canal de água que sai do rio para irrigar jardins e pomares, e explica que, no caminho público, ninguém sepulta seus mortos — por isso, ao chegar a estes limites, encerra-se a busca do bairro de sepulturas, sem necessidade de completar os vinte côvados. Nos três casos finais — campo de assassinados, túmulo removido e poço de fetos e assassinados — não houve intenção original de sepultura no local, por isso bastam os ossos, sem terra ensopada; a halachá não segue Rabi Shimon, que exigiria terra ensopada quando o local foi preparado como túmulo desde o início.

הָיָה בוֹדֵק, הִגִּיעַ לְנַחַל אוֹ לִשְׁלוּלִית, אוֹ לְדֶרֶךְ הָרַבִּים, מַפְסִיק. שָׂדֶה שֶׁנֶּהֶרְגוּ בָהּ הֲרוּגִים, מְלַקֵּט עֶצֶם עֶצֶם וְהַכֹּל טָהוֹר. הַמְפַנֶּה קִבְרוֹ מִתּוֹךְ שָׂדֵהוּ, מְלַקֵּט עֶצֶם עֶצֶם וְהַכֹּל טָהוֹר. בּוֹר שֶׁמַּטִּילִים לְתוֹכוֹ נְפָלִים אוֹ הֲרוּגִים, מְלַקֵּט עֶצֶם עֶצֶם וְהַכֹּל טָהוֹר. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אִם הִתְקִינוֹ לְקֶבֶר מִתְּחִלָּה, יֶשׁ לוֹ תְבוּסָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 16:5
כבר ביארנו בשני מפיאה ששלולית היא אמת המים אשר תצא מן הנהר להשקות בו הגנות והפרדסים…

Já explicamos, no segundo capítulo de Peá, que shlulit é o canal de água que sai do rio para irrigar os jardins e os pomares; e no caminho público não se sepulta ninguém, e por isso não é necessário examiná-lo. Portanto, quando se chega a um destes lugares, já se encerrou a busca do bairro de sepulturas, e não é preciso completar os vinte côvados. E a halachá não é como Rabi Shimon.

Bartenura · Ohalot 16:5
הָיָה בוֹדֵק. לְהַשְׁלִים עֶשְׂרִים אַמָּה…

Sobre “se ele estava examinando”: para completar os vinte côvados.

Sobre “a um rio”: um rio.

Sobre “a um canal de irrigação”: o canal de água que distribui água por seus braços, dos quais outros canais bebem.

Sobre “ou a um caminho público”: onde não se sepulta o morto.

Sobre “ele interrompe”: e não examina mais para completar os vinte côvados.

Sobre “e tudo é puro”: e não têm tefussá; apenas se colhem os ossos, sem necessidade de tomar mais que isso.

Sobre “Rabi Shimon diz etc.”: e a halachá não é como Rabi Shimon.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.
מְלַקֵּט עֶצֶם עֶצֶם וְהַכֹּל טָהוֹר

Com esta quinta mishná, encerra-se o Perek Yud-Vav de Massechet Ohalot, um capítulo que abre com a impureza trazida por objetos móveis e se volta, em sua maior parte, para as regras de quem encontra um morto desconhecido no campo.

O capítulo abriu (16:1) com a regra de que todos os objetos móveis trazem a impureza pela espessura de um marde'a (aguilhão de arar) — a objeção de Rabi Tarfon ao caso do lavrador cujo marde'a fez ohel sobre um túmulo, e a correção de Rabi Akiva, distinguindo três graus de medida: sobre quem carrega o objeto, a espessura do marde'a; sobre o próprio objeto, qualquer quantidade; sobre as demais pessoas e utensílios, a largura de um palmo. A mishná 16:2 exemplificou esta regra com o fuso preso na parede e o oleiro cuja vara fazia ohel sobre um túmulo, e tratou dos montículos próximos ou distantes de uma cidade ou caminho, com a controvérsia entre Rabi Meir e Rabi Yehuda sobre as definições de “próximo” e “antigo”.

As três últimas mishnayot (16:3–16:5) mudaram de assunto, voltando-se para as regras de quem encontra um morto no campo: a mishná 16:3 ensinou a regra de tomar o corpo com sua terra ensopada (tevussá), e a definição de bairro de sepulturas a partir de três corpos espaçados de quatro a oito côvados, com a busca sucessiva de vinte côvados em vinte côvados; a mishná 16:4 detalhou o método da escavação, côvado por côvado, até a rocha ou a terra virgem, e distinguiu quem retira terra de um lugar já reconhecido como impuro de quem desobstrui um monte de escombros sem saber o que há embaixo; e esta última mishná (16:5) fechou o capítulo com os limites que interrompem a busca — rio, canal de irrigação, caminho público — e os três casos em que se colhem apenas os ossos, sem terra ensopada, por não se tratar de sepultura intencional desde o início: o campo de assassinados, o túmulo removido e o poço de fetos e assassinados, com a ressalva isolada de Rabi Shimon.

O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Yud-Zayin, o penúltimo capítulo do tratado.