Utensílios que foram untados com óleo impuro, e voltaram a ser untados com óleo puro (um utensílio de couro — como sandálias ou correias — é primeiro tratado com óleo ritualmente impuro para amaciá-lo, e depois recebe uma segunda camada de óleo puro), ou que foram untados com óleo puro, e voltaram a ser untados com óleo impuro (o caso inverso: óleo puro primeiro, óleo impuro depois), Rabi Eliezer diz: sigo o primeiro (Rabi Eliezer resolve o caso seguindo sempre o primeiro óleo aplicado — pois é ele que penetra mais profundamente no couro e permanece absorvido nas fibras do utensílio). E os Sábios dizem: sigo o último (os Sábios discordam: para eles, o critério é o óleo que efetivamente é exsudado — que "sai" do couro — quando o utensílio é usado e aquecido, e este é normalmente o óleo aplicado por último, que permanece mais próximo da superfície).
Esta mishná trata de leis de impureza ritual de utensílios (não de proibição de proveito de orlá ou kilei hakerem), mas é incluída no capítulo por sua estrutura paralela à disputa de "seguir o último" em 2:11.
Por que esta mishná sobre impureza de utensílios aparece no meio de um capítulo dedicado a misturas de orlá, trumá e kilei hakerem? A resposta está na estrutura redacional da Mishná, que frequentemente agrupa disputas por semelhança formal, e não apenas por tema. Esta mishná compartilha com 2:11 exatamente o mesmo padrão de disputa — "sigo o primeiro" versus "sigo o último" — aplicado a um cenário físico análogo: dois elementos (dois fermentos, ou dois óleos) que se combinam sucessivamente num mesmo objeto. Os compiladores da Mishná parecem ter posicionado esta mishná aqui precisamente por essa semelhança estrutural com a disputa de Rabi Eliezer e os Sábios, ainda que o conteúdo temático (impureza ritual, não proibição de proveito) seja tecnicamente distinto do resto do capítulo.
Não há uma halachá dedicada específica em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva ou em Hilchot Terumot, pois esta mishná pertence tecnicamente às leis de impureza ritual de utensílios (Hilchot Kelim), fora do escopo direto das leis de orlá, trumá ou kilei hakerem. Registra-se aqui, honestamente, que não foi localizada uma halachá do Rambam dedicada a este caso específico dentro das obras diretamente ligadas a Massechet Orlá — a decisão halachica (seguindo os Sábios) permanece implícita na própria mishná e em seu comentário.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
[Segundo os Sábios] consideramos aquele óleo que está sobre eles [na superfície] como sendo impuro se o último foi impuro, ou puro se o último foi puro, porque dizemos que o primeiro foi absorvido na substância dos utensílios, e permaneceu o último [na superfície] (o Rambam explica a lógica física por trás da posição dos Sábios: o primeiro óleo penetra fundo no couro e se torna parte de sua estrutura interna, enquanto o segundo óleo permanece mais superficial — por isso é o óleo superficial, o último aplicado, que efetivamente entra em contato com outros objetos quando o utensílio é tocado ou usado). E Rabi Eliezer se preocupa com o primeiro (a posição de Rabi Eliezer, que considera o óleo original absorvido como determinante, independentemente de qual camada está mais acessível na superfície). E a halachá é como os Sábios.
"Utensílios que foram untados": como sandálias e outros utensílios de couro que se untam com óleo para amaciá-los (o Bartenura esclarece o contexto prático: trata-se de calçados e objetos de couro comuns, tratados com óleo como parte de seu processo normal de fabricação e manutenção). [Sobre a disputa] "Sigo o primeiro": pois Rabi Eliezer entende que é o primeiro [óleo] que se exsuda para fora. E os Sábios dizem: sigo o último: entendem que é o último que se exsuda. E a halachá é como os Sábios (o Bartenura inverte ligeiramente a explicação física do Rambam — aqui o debate é sobre qual óleo "sai" do couro ao ser espremido ou usado, mas a conclusão halachica é idêntica: seguir os Sábios, que atribuem o efeito ao óleo aplicado por último).