Desde quando é permitido a um homem comprar luf (de outrem, sem suspeita de que seja produto de shevi'it) no ano seguinte à shevi'it? Rabi Yehudá diz: imediatamente (assim que o ano sabático termina, pois o luf, por sua forma de colheita alterada, não costuma ser guardado ilegalmente). E os sábios dizem: desde que se multiplique o novo (quando a nova safra do oitavo ano já se torna abundante no mercado, afastando a suspeita de que se trate ainda de produto do ano sabático).
Esta mishná encerra o bloco dedicado ao luf, retomando o princípio geral que rege a compra de produtos agrícolas no ano seguinte à shevi'it — quando cessa a presunção de que se trate ainda de fruto sagrado do ano sabático.
A regra geral da compra de produtos após a shevi'it, e a exceção do luf. Como regra geral, os sábios proibiram a compra de vegetais logo após o encerramento do ano sabático, pois receavam que o vendedor estivesse, na verdade, vendendo produto de shevi'it retido ilegalmente — o que violaria as restrições sobre a santidade desses frutos, que não podem ser objeto de comércio comum nem armazenados além do necessário. Essa restrição só se levanta quando "a nova safra já se torna abundante", afastando a suspeita. A pergunta desta mishná é se o luf, por sua natureza peculiar — sendo desenterrado por processo trabalhoso, como já visto na mishná anterior —, deveria ser tratado como exceção a essa regra geral, liberado imediatamente após o fim da shevi'it, uma vez que seria implausível supor que alguém tenha se dado ao trabalho de escavar e guardar clandestinamente uma quantidade de luf de shevi'it apenas para vendê-lo depois.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá conforme os sábios, rejeitando a posição de Rabi Yehudá que permitiria a compra imediata. Assim, mesmo o luf — apesar da peculiaridade de sua colheita, notada por Rabi Yehudá como razão para tratá-lo com mais leniência — permanece sujeito à mesma regra geral que rege os demais vegetais: só se compra livremente quando a nova safra já se tornou abundante no mercado, eliminando qualquer suspeita razoável de que o produto vendido seja, na verdade, fruto retido do ano sabático anterior.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
A explicação de tudo isto é evidente, e a halachá é conforme os sábios.
"Rabi Yehudá diz: imediatamente": e ainda que, quanto aos demais vegetais, Rabi Yehudá concorde que é proibido comprá-los até que se produza algo semelhante à nova safra, quanto ao luf — visto que, para arrancá-lo, é preciso usar, segundo Beit Shamai, enxadas de madeira, e segundo Beit Hilel, machados de metal, e não há costume de arrancá-lo na shevi'it senão por meio de uma alteração no procedimento —, por isso, no ano seguinte à shevi'it, não é comum que haja transgressão, e por essa razão é permitido imediatamente.
Mas o vegetal comum, que os sábios não decretaram que se deixasse de arrancar de seu modo habitual, também é comum que haja transgressão no oitavo ano; por isso é proibido até que se produza algo semelhante à nova safra.
"Desde que se multiplique o novo": no Talmud Yerushalmi se explica que isso é a partir de Pêssach em diante. E a halachá é conforme os sábios.