Brotos (os ramos tenros, comestíveis) de zarzeiras e as alfarrobeiras (seus brotos) — têm eles shevi'it e seu dinheiro tem shevi'it, têm biur e seu dinheiro tem biur. Brotos do terebinto, do pistacheiro e do espinheiro-branco — têm eles shevi'it e seu dinheiro tem shevi'it, mas não têm biur, nem seu dinheiro tem biur. Mas para as folhas (de todas essas árvores, mesmo as isentas de biur quanto a seus brotos) há biur, porque caem de seu pai (o galho ao qual estavam ligadas — e, uma vez caídas, deixam de estar disponíveis, exigindo remoção quando se esgotam no campo).
O mesmo critério do biur — a disponibilidade "na tua terra... para comer" — determina aqui a diferença entre brotos que se conservam e brotos que se estragam, e explica por que até as folhas de árvores isentas de biur caem sob essa obrigação.
O critério do biur não depende do tipo de árvore, mas da natureza física da parte da planta em questão: aquilo que murcha e se perde, mesmo em árvores cujos brotos se conservam, ainda assim exige remoção quando se esgota no campo. Os brotos de zarzeira e alfarrobeira são tenros e murcham rapidamente, tornando-se indisponíveis ao animal selvagem no campo em pouco tempo — por isso, seguem a regra geral do biur. Já os brotos de terebinto, pistacheiro e espinheiro-branco são mais resistentes e permanecem no galho, disponíveis por mais tempo, o que os isenta do biur, seguindo o mesmo raciocínio da mishná 7:2 sobre partes que "se conservam na terra". Mas as folhas dessas mesmas árvores — mesmo as isentas quanto aos brotos — sempre caem no outono, separando-se do galho ("seu pai", na expressão da mishná); uma vez caídas, elas se estragam e se perdem, e por isso, quanto a elas, sempre há o dever de biur, independentemente da árvore de origem.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam acrescenta um detalhe importante ausente da mishná: nem toda folha está sujeita ao biur — apenas aquelas que efetivamente murcham e caem. As folhas de oliveira, de cana e, notavelmente, de alfarrobeira (a mesma árvore cujos brotos têm biur) permanecem verdes e não se deterioram como as demais, e por isso ficam isentas. Esta halachá mostra que o critério do biur, tanto para a mishná quanto para o Rambam, é sempre empírico e físico — a durabilidade real da parte da planta — e não uma classificação fixa por espécie de árvore.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Lulav" é o broto (literalmente, "flor"). Já dissemos algumas vezes (acima, no perek segundo, mishná terceira) que "zeradim" são os ramos que se podam das videiras, e há quem esconda esses ramos ainda úmidos para comê-los.
"Elá" (terebinto) se chama, em língua árabe, "balluto". "A batná" (pistacheiro) é "pistak", e seu plural são "pistachos". "E atadin" é uma espécie de espinho na qual crescem grãos negros duros como ervilhas, comestíveis.
"Porque caem de seu pai": quero dizer, caem dos galhos aos quais estão ligadas, numa relação como a de pai para filho — e por isso o biur delas se dá quando murcham dos galhos, como se explicará quando explicarmos o assunto do biur.
"Lulavim de zeradim": brotos da árvore cujo nome é zardatá.
"Lulavim do terebinto" (elá): expressão de "como o terebinto e como o carvalho" (Isaías 6), em árabe "ballut", e em outra língua "glandi".
"Batná" (pistacheiro): da mesma raiz de "batnim" e "amêndoas", em árabe "fastak".
"E atadin": uma espécie de espinho na qual crescem caroços negros duros, e são comestíveis.
"Mas para as folhas": de todas essas árvores há biur. Pois, ainda que os brotos em si não caiam — e por isso eu não leio quanto a eles "e para o teu animal e para o animal selvagem" no sentido de que, quando se esgota para o animal selvagem no campo, se esgota para o teu animal em casa —, ainda assim as folhas caem de seu ponto de ligação, e aos galhos aos quais elas estão ligadas chama-se "seu pai"; e já que elas caem, têm biur.