Rosa nova (de shevi'it) que foi conservada em óleo velho (de um ano comum, sem santidade) — retira-se a rosa (e o óleo permanece permitido, pois a rosa nova ainda não transmitiu seu sabor ao óleo velho o bastante para desqualificá-lo). Mas rosa velha (de shevi'it, já murcha, no tempo do biur) em óleo novo — é obrigado ao biur (pois a rosa já transmitiu sabor à mistura toda). Alfarrobas novas (de shevi'it) que foram conservadas em vinho velho, e alfarrobas velhas em vinho novo — são obrigadas ao biur (em ambos os casos, pois o vinho absorve rapidamente o sabor da alfarroba). Este é o princípio: tudo o que transmite sabor, a mistura é obrigada a remover — quando se trata de espécie diferente da sua. Mas espécie igual à sua, a proibição se aplica em qualquer quantidade. A shevi'it proíbe tudo o que é de sua espécie, em qualquer quantidade; e o que não é de sua espécie, por transmissão de sabor.
Com esta mishná encerra-se o Perek Zayin, que se dedicou à santidade de shevi'it (kedushat shevi'it) e às leis do biur. A última mishná trata do caso da mistura, aplicando à shevi'it o mesmo princípio de "sabor transmitido" (noten taam) que rege as demais proibições alimentares da Torá.
A santidade de shevi'it, como toda proibição alimentar bíblica, transmite-se a uma mistura de acordo com a regra geral da tradição oral: sabor transmitido (noten taam) quando as espécies diferem, e qualquer quantidade (kol shehu) quando a espécie é a mesma. A Torá não trata explicitamente do caso de mistura, mas os sábios aplicam a essa questão um princípio hermenêutico geral, válido para todas as proibições alimentares da Torá: quando um produto proibido se mistura com um produto permitido de espécie diferente, a mistura toda fica proibida apenas se o produto proibido "transmitiu seu sabor" ao conjunto — um critério sensorial e prático. Mas quando a mistura é de produtos da mesma espécie (por exemplo, alfarroba de shevi'it com alfarroba de ano comum), a distinção entre "proibido" e "permitido" se apaga completamente, e a mera presença de qualquer quantidade do produto proibido basta para estender a santidade — e o dever de biur — a todo o conjunto, pois não há como isolar fisicamente as partes.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — encerrando o capítulo dedicado às leis do biur.
O Rambam explica a diferença entre o caso da rosa e o das alfarrobas: a rosa nova, ainda fresca, não transmite seu sabor rapidamente ao óleo — por isso, se ambas ainda estão dentro do prazo (antes do momento do biur), basta retirar a rosa, e o óleo permanece isento. Mas quando a rosa já secou (chegou ao seu próprio tempo de biur) ou quando se trata de alfarrobas em vinho — que absorve sabor rapidamente — a mistura inteira já carrega o "sabor" da shevi'it, e o dever de biur se estende ao líquido inteiro. Assim se completa, com a mishná final do perek, o quadro geral da santidade de shevi'it e do biur, abrindo caminho para o Perek Chet.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Rosa nova que foi conservada em óleo velho": é quando se esconde uma rosa de shevi'it em óleo do sexto ano — ele a retira, para que a força das rosas e seu sabor não penetrem no óleo, pois o óleo é velho e a rosa é nova, a menos que a deixe ali por muito tempo.
"Velha em novo" é colocar rosa de shevi'it em óleo do oitavo ano (após a shevi'it), e isso faz penetrar nele a força da rosa e seu sabor imediatamente, e por isso é obrigado a remover o óleo. Mas as alfarrobas no vinho — nele penetra o sabor das alfarrobas imediatamente, e por isso, em ambos os casos, é obrigado a remover o vinho.
E o que disse "espécie igual à sua, em qualquer quantidade" — como se se misturasse vinho de shevi'it com vinho do sexto ano, mesmo uma única gota num recipiente grande, ele é obrigado a remover; e é isso que quer dizer "a shevi'it proíbe qualquer quantidade quando é de sua espécie". E o que disse "e o que não é de sua espécie, por transmissão de sabor" — como a rosa no óleo e as alfarrobas no vinho; e assim é a lei nas demais proibições da Torá.
"Rosa nova que foi conservada em óleo velho": rosa de shevi'it que foi conservada em óleo do sexto ano — retira-se a rosa antes de chegar o tempo do biur, e tudo é permitido. Mas rosa de shevi'it que foi conservada em óleo do oitavo ano, e já chegou o tempo do biur da rosa, é obrigado a remover tudo, conforme ensina o final da mishná, que a shevi'it proíbe espécie diferente da sua por transmissão de sabor.
"E alfarrobas novas etc.": aqui se trata de quando vem a beber o vinho depois do tempo do biur, pois de qualquer modo é obrigado a remover. E se as alfarrobas não permaneceram no vinho até o tempo do biur, retira-se as alfarrobas e o vinho é permitido, como no caso da rosa — e assim se ensina explicitamente na Tosefta.
"Este é o princípio etc.": trata-se de todas as proibições da Torá, pois em todas elas, da mesma espécie, mesmo a menor quantidade, e de espécie diferente, por transmissão de sabor — mas esta não é a halachá (pois a maioria das proibições segue outros critérios, salvo a shevi'it e algumas exceções).
"A shevi'it proíbe qualquer quantidade quando é de sua espécie": depois do biur; mas antes do biur, não têm elas a santidade de shevi'it que proíba desperdiçá-las e comercializar com elas, a não ser que haja nelas transmissão de sabor, seja da mesma espécie, seja de espécie diferente.
"E de espécie diferente": mesmo depois do biur, por transmissão de sabor.