Se ela se cobria com vestes brancas, cobrem-na com vestes negras. Se tinha sobre si joias de ouro, colares, argolas e anéis, removem-nos dela, para desfigurá-la. E depois trazem uma corda egípcia e a amarram acima de seus seios. E todo aquele que quiser vir ver, vem ver, exceto seus servos e suas servas, pois seu ânimo se acostuma com eles. E todas as mulheres são permitidas a vê-la, como está dito: "e todas as mulheres serão advertidas, e não farão conforme sua depravação". — A mishná descreve as etapas finais da preparação da sotá antes de beber as águas: se costumava se vestir de branco, agora a vestem de preto; retiram-se todos os seus adornos de ouro — não para poupá-la de vergonha adicional, mas justamente para acentuar sua desfiguração pública; e amarra-se-lhe uma corda egípcia acima dos seios, para que suas vestes rasgadas não caiam por completo, mantendo alguma cobertura mínima em meio à humilhação. A cena então se torna pública: qualquer pessoa pode vir assistir, com a única exceção de seus próprios servos e servas, que, por já terem convívio próximo e familiar com ela, poderiam não sentir o impacto pretendido pela exposição. Para as mulheres, porém, assistir não é apenas permitido — é obrigatório, pois a Torá, no versículo citado do profeta Yechezkel, prevê que o espetáculo sirva de advertência moral a todas elas.
A obrigatoriedade de todas as mulheres assistirem ao procedimento é derivada de um versículo do profeta Yechezkel, na denúncia da infidelidade simbólica de Israel.
Rambam observa que, embora este versículo pertença ao profeta Yechezkel, e não à própria Torá, a tradição rabínica o adota como base para transformar a presença feminina no espetáculo da sotá de mera permissão em obrigação: as mulheres presentes na região devem comparecer, precisamente para que a advertência moral do procedimento cumpra seu propósito dissuasório mais amplo. Para os homens, por outro lado, a mishná trata a presença como opcional — "todo aquele que quiser vir ver, vem ver" —, sem qualquer obrigação formal.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que se retiram os adornos em vez de mantê-los, e detalha os termos técnicos dos objetos removidos.
Rambam identifica cada adorno mencionado na mishná: as "katlaiot" são colares de contas de ouro enfiadas em um fio e presas ao redor do pescoço; os "nezamim" são adornos usados no nariz; e as "tabaot" são simplesmente anéis. Sobre o propósito de removê-los, explica que a palavra usada pela mishná — "nivul" — carrega o sentido de repugnância e desfiguração: retirar os adornos não é um ato de compaixão, mas parte deliberada do processo de humilhação, pois deixá-los sobre ela, junto às vestes já rasgadas, seria incongruente com o objetivo de expô-la em sua condição mais desfavorável.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 7b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi descreve fisicamente o colar mencionado na mishná — um adorno em forma de meio-círculo aberto, com o qual se fecha a gola da veste, contornando o pescoço pelos lados. Sobre a corda egípcia, explica que era feita das fibras que crescem envolvendo o tronco da tamareira, entrelaçadas. E confirma o propósito prático de amarrá-la acima dos seios: evitar que, com as vestes já rasgadas e soltas pelo procedimento, elas caiam completamente ao chão, deixando-a sem cobertura alguma.
Rambam confirma que a expressão "quem quiser ver" refere-se especificamente aos homens, enquanto as mulheres presentes na região são obrigadas a comparecer. Explica também a exceção dos servos e servas da própria mulher: a expressão "seu ânimo se acostuma com eles" significa que ela sente certo conforto ao ver rostos familiares e conhecidos em meio à multidão — conforto esse que anularia o efeito de humilhação e vergonha que o procedimento busca produzir, motivo pelo qual eles são especificamente excluídos da plateia.
Bartenura explica que a Guemará precisa esclarecer expressamente que os adornos são removidos, para que não se pense o contrário — que talvez fosse mantê-los sobre ela mesmo depois de rasgadas as vestes e exposto o peito, pois isso poderia parecer, à primeira vista, uma vergonha ainda maior, à semelhança de alguém nu que caminha calçado, o que soa mais indecoroso do que caminhar descalço; a mishná esclarece que não é esse o caso, e os adornos são de fato removidos. Sobre a corda especificamente egípcia, cita o Talmud Yerushalmi: ela alude ao fato de que o povo de Israel, segundo a tradição, praticou atos de infidelidade à semelhança dos costumes do Egito — e por isso a corda usada no procedimento evoca simbolicamente essa terra.