Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Dalet · Mishná 7 de 10

As crianças soltam seus lulavim

מִיַּד הַתִּינוֹקוֹת שׁוֹמְטִין אֶת לוּלְבֵיהֶן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Uma mishná breve, mas expressiva: encerrado o preceito do lulav ao fim do sétimo dia, os pequenos que participavam da cerimônia expressavam sua alegria de um modo próprio e imediato.

Imediatamente, das mãos das crianças, soltavam-se seus lulavim e comiam-se seus etrogim.Assim que se concluía a cerimônia do sétimo dia, no qual o preceito do lulav e do etrog chegava ao fim, as crianças, tomadas de alegria, soltavam de suas mãos o lulav — já sem função — e comiam o etrog, expressão espontânea de contentamento ao ver cumprida a mitzvá até seu último momento.

מִיַּד הַתִּינוֹקוֹת שׁוֹמְטִין אֶת לוּלְבֵיהֶן וְאוֹכְלִין אֶתְרוֹגֵיהֶן:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 16:14-15
וְשָׂמַחְתָּ בְּחַגֶּךָ... וְהָיִיתָ אַךְ שָׂמֵחַ.
E te alegrarás em tua festa... e serás apenas alegre.

O costume espontâneo relatado nesta mishná é uma expressão concreta do preceito de alegria da festa, ordenado pela Torá. A Guemará (Sucá 46b) discute se, para os adultos, essa mesma alegria permitiria comer o etrog logo ao término do sétimo dia, ou se, por já ter sido consagrado ao preceito durante parte do dia, o etrog permanece proibido para consumo até o dia seguinte — distinção que a próxima seção de Halachot esclarece.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura apresenta duas leituras possíveis desta mishná: uma em que os adultos tomam os lulavim e comem os etrogim das crianças, e outra em que apenas as próprias crianças soltam e comem os seus.

Bartenura · Sucá 4:7
הַתִּינוֹקוֹת שׁוֹמְטִים אֶת לוּלְבֵיהֶן. הַגְּדוֹלִים שׁוֹמְטִים לוּלְבֵי הַתִּינוֹקוֹת מִיָּדָן שֶׁל תִּינוֹקוֹת. וְאוֹכְלִים. הַגְּדוֹלִים אֶתְרוֹגֵיהֶן שֶׁל תִּינוֹקוֹת, וְאֵין בַּדָּבָר מִשּׁוּם גֶּזֶל, שֶׁכָּךְ נָהֲגוּ מִשּׁוּם שִׂמְחָה. פֵּרוּשׁ אַחֵר, הַתִּינוֹקוֹת מַשְׁלִיכִים לוּלְבֵיהֶם מִיָּדָם וְאוֹכְלִים אֶתְרוֹגֵיהֶם בַּשְּׁבִיעִי, אֲבָל הַגְּדוֹלִים אֵין אוֹכְלִים אֶתְרוֹגֵיהֶם כָּל אוֹתוֹ הַיּוֹם, דְּכֵיוָן שֶׁהֻקְצָה לְמִצְוָה לְמִקְצָת הַיּוֹם, הֻקְצָה לְכֻלּוֹ.

"As crianças soltam seus lulavim" — os adultos arrebatam os lulavim das mãos das crianças. "E comem" — os adultos comem os etrogim das crianças, e não há nisso nada de furto, pois assim costumavam fazer por causa da alegria. Outra explicação: as próprias crianças lançam seus lulavim de suas mãos e comem seus etrogim já no sétimo dia; mas os adultos não comem os seus durante todo aquele dia, pois, uma vez consagrado ao preceito por parte do dia, permanece consagrado por todo ele.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

O Rambam liga esta mishná à discussão sobre Rabi Yochanan ben Beroká da mishná anterior, explicando por que os adultos se abstêm de comer o etrog, ao contrário das crianças, "que não são cuidadosas quanto ao permitido e ao proibido".

Rambam · רַמְבַּ״ם
Perush HaMishná, Sucá 4:6-7
וְאָסוּר לֶאֱכֹל הָאֶתְרוֹג בַּשְּׁבִיעִי, כִּי הָעִקָּר אֶצְלֵנוּ כֵּיוָן שֶׁנֶּאֱסַר מִקְצָת הַיּוֹם נֶאֱסַר כֻּלּוֹ, וּלְפִיכָךְ אָמַר "הַתִּינוֹקוֹת", כִּי אֵינָם מְדַקְדְּקִים בְּאִסּוּר וְהֶתֵּר.

E é proibido comer o etrog no sétimo dia, pois o princípio entre nós é que, uma vez proibido para parte do dia, fica proibido para o dia inteiro; e por isso a mishná diz especificamente "as crianças", pois estas não são cuidadosas quanto ao permitido e ao proibido.