No início, qualquer um que quisesse retirar as cinzas do altar, retirava. E quando eram muitos, corriam e subiam pela rampa, e todo aquele que ultrapassasse seu companheiro em quatro côvados vencia. — Originalmente não havia procedimento formal algum: o primeiro cohen a se apresentar simplesmente executava a retirada das cinzas. Quando vários cohanim desejavam o privilégio ao mesmo tempo, competiam correndo pela rampa que subia ao altar, e aquele que conseguisse se adiantar quatro côvados ao seu companheiro mais próximo garantia o direito de realizar o serviço.
E se ambos estivessem empatados, o encarregado lhes dizia: mostrem os dedos. E o que mostravam, um ou dois; mas não mostravam o polegar no Templo. — Quando a corrida terminava empatada, o encarregado dos sorteios recorria a um método de contagem por dedos levantados — cada participante mostrando um ou dois dedos, conforme instrução — evitando contar as próprias pessoas diretamente. Uma única restrição se impunha nesse gesto: jamais se levantava o polegar dentro do recinto do Templo, para impedir fraudes na contagem.
É por causa desse alerta contra contar diretamente os filhos de Israel — mesmo para fins de mitsvá — que o encarregado do sorteio no Templo jamais contava os cohanim pelo número de pessoas, recorrendo em vez disso à contagem indireta pelos dedos que cada um levantava. A tradição entende que qualquer contagem direta de cabeças, mesmo entre cohanim reunidos para um serviço sagrado, carrega o mesmo risco espiritual descrito neste versículo, e por isso o Templo desenvolveu esse método alternativo, seguro, de sorteio.
O Rambam, no Perush HaMishná, confirma que a proibição de contar pessoas diretamente é a razão de todo o mecanismo do pais descrito nesta mishná.
O ato do sorteio que mencionou — como te explicarei — é sabido que não nos é permitido contar pessoas de Israel de forma alguma, mesmo para um assunto de mitsvá, e o episódio do rei David é conhecido. Mas as contam quando alguém quer contá-las tomando de cada uma delas algo, e depois contam esses objetos.
Bartenura detalha o mecanismo exato da corrida e do sorteio por dedos; Rashi, na Guemará, descreve com mais detalhe ainda o procedimento circular do pais ao introduzir a mishná no fólio.
"No início, qualquer um que quisesse retirar" — todo cohen daquela família de sacerdotes que quisesse retirar as cinzas de manhã, retirava, e não havia sorteio para isso. "Correm e sobem pela rampa" — do altar, que tem trinta e dois côvados de comprimento. "E todo aquele que ultrapassa" — entrando nos quatro últimos côvados da rampa, próximos ao topo do altar, vencia. E esse era seu sorteio.
"E se ambos estivessem empatados" — na entrada, nenhum dos dois vencia, mas então todos vinham lançar sortes. E qual era a sorte? O encarregado dos sorteios dizia a todos: "mostrem os dedos" — isto é, tirem seus dedos, cada um mostrando seu dedo, pois é proibido contar pessoas de Israel. "Um ou dois" — um dedo, se estava saudável, ou dois, se estava doente, pois o doente não consegue conter seus dedos. "E não mostravam o polegar no Templo" — por causa dos trapaceiros.
"Mishná: no início, qualquer um que quisesse retirar" — todo cohen daquela família sacerdotal que quisesse retirar as cinzas de manhã retirava, e não havia sorteio para isso. "Mostrem os dedos" — tirem seus dedos, cada um mostrando seu dedo, como se explica adiante neste perek: cercam e ficam de pé em círculo, vem o encarregado e toma o turbante da cabeça de um deles, e a partir dele o sorteio começa a contar, e cada um mostra seu dedo para a contagem, e o encarregado diz que aquele em quem a contagem terminar é o vencedor, e pronuncia de sua boca um número — cem, ou sessenta, muito mais do que havia cohanim ali — e começa a contar a partir daquele de quem tomou o turbante, e vai girando e contando, repetindo o ciclo até o fim da contagem, e aquele em quem a contagem termina é o vencedor.