Ele vem ao bode enviado, e apoia as duas mãos sobre ele, e confessa. — Terminado o serviço de dentro do Santo dos Santos e do Santuário, o Cohen Gadol se dirige ao bode designado a Azazel, coloca ambas as mãos sobre sua cabeça — como no gesto de apoio (semichá) usado em outras confissões do dia — e pronuncia sobre ele a confissão relativa aos pecados de todo o povo.
E assim dizia: "Por favor, o Nome, transgrediram, pecaram, erraram diante de Ti Teu povo, a Casa de Israel. Por favor, pelo Nome, expia agora as iniquidades, as transgressões e os pecados que transgrediram, e que pecaram, e que erraram diante de Ti Teu povo, a Casa de Israel — como está escrito na Torá de Moshé, Teu servo, ao dizer: Pois neste dia se fará expiação sobre vós, para purificar-vos; de todos os vossos pecados, perante o Eterno, sereis purificados." — O texto da confissão sobre o bode enviado é o mais completo dos três recitados no dia: nomeia as três categorias de falta — iniquidade (avon), transgressão (pesha) e pecado (chet) — e as invoca duas vezes, encerrando com a citação literal do próprio versículo da Torá que institui o dia da expiação, unindo a fórmula humana ao texto divino que a autoriza.
E os sacerdotes e o povo que estavam de pé no pátio, quando ouviam o Nome Explícito saindo da boca do Cohen Gadol, ajoelhavam-se, prostravam-se e caíam sobre seus rostos, e diziam: "Bendito o nome de Sua glória gloriosa, para todo o sempre." — Ao pronunciar a confissão, o Cohen Gadol usava o próprio Nome Explícito de Deus (o Tetragrama), algo que só ocorria no Templo e apenas nesse dia; e o povo reunido, ao ouvi-lo, respondia com o gesto máximo de reverência — ajoelhar-se, curvar-se e prostrar-se por completo — recitando a fórmula que, desde então, tornou-se parte da liturgia judaica em substituição à pronúncia direta do Nome.
O versículo enumera as três categorias de falta na mesma ordem usada pela mishná — iniquidades (avonot), transgressões (pesha'im) e pecados (chataim) — e é dessa enumeração que a fórmula da confissão sobre o bode enviado deriva sua estrutura tríplice. A citação de Vayikra 16:30 dentro do próprio texto da confissão — "pois neste dia se fará expiação sobre vós" — não é ornamental: a Guemará explica que essa citação, e não apenas a menção das faltas, é o elemento que torna essa confissão a mais completa das três do dia, pois ela ancora o pedido de expiação diretamente na linguagem da Torá que institui o próprio Yom Kipur.
O Rambam remete à ordem da confissão já explicada no Perek Dalet, confirmando que a sequência pecado-iniquidade-transgressão é a mesma em todas as confissões do dia.
Já expliquei a ti que a ordem da confissão é: pecado, iniquidade e transgressão.
Bartenura situa o momento exato dessa confissão na sequência do serviço do dia.
"Ele vem ao bode" — depois de terminadas as aplicações do sangue do touro e do bode, o sacerdote vem ao bode enviado, no lugar onde o havia colocado, junto ao caminho de seu envio.
"Mishná: ele vem ao bode" — agora a mishná retoma o assunto para ensinar a ordem do serviço, e diz que, depois que o Cohen Gadol terminou as aplicações de sangue do touro e do bode — como concluído no perek anterior, onde foi trazido para fora — o sacerdote vem ao bode enviado, no lugar onde o havia colocado, junto ao caminho por onde seria enviado, como já dissemos no capítulo "Tarach Bakalfi".