Diziam ao Cohen Gadol: "O bode chegou ao deserto." — Assim que se confirmava que o bode havia chegado ao ponto do deserto onde deveria ser enviado, essa informação era transmitida de volta ao Cohen Gadol no Templo, pois ele não podia prosseguir com a próxima etapa do serviço — a queima da gordura da oferenda de pecado — antes que essa notícia chegasse.
E como sabiam que o bode havia chegado ao deserto? Faziam torres de vigia, e agitavam panos, e sabiam que o bode chegara ao deserto. — Ao longo de todo o percurso entre Jerusalém e o deserto, eram erguidas estruturas ou postos de observação, e homens de vigia, ao ver o bode chegar a seu destino, agitavam lenços ou panos como sinal, transmitindo a notícia de um posto a outro até que ela chegasse ao Templo.
Disse Rabi Yehuda: mas não tinham eles um sinal maior? De Jerusalém até Beit Chidudo há três milhas: iam um mil, e voltavam um mil, e aguardavam o tempo de um mil, e sabiam que o bode chegara ao deserto. — Rabi Yehuda propõe um método alternativo, dispensando o sistema de torres: calculando que a distância entre Jerusalém e o início do deserto era de três milhas, bastava que os acompanhantes caminhassem um mil, voltassem um mil, e então esperassem o tempo equivalente a percorrer mais um mil — e, pelo simples cálculo do tempo decorrido, já sabiam que o bode devia ter chegado a seu destino.
Disse Rabi Yishmael: mas não tinham eles outro sinal? Uma língua de lã escarlate estava amarrada à porta do Santuário, e quando o bode chegava ao deserto a língua embranquecia, como está dito: "Ainda que vossos pecados sejam como o escarlate, como a neve embranquecerão." — Rabi Yishmael relata um terceiro sinal, distinto tanto das torres quanto do cálculo de Rabi Yehuda: uma segunda língua de lã escarlate — diferente daquela amarrada ao próprio bode no penhasco — ficava atada à entrada do Santuário, e o próprio milagre de seu embranquecimento, no momento em que o bode chegava ao deserto, servia de sinal visível a todos no Templo de que a expiação do dia se completava, cumprindo literalmente a promessa do profeta Yeshayahu.
É a sequência dos versículos que explica por que a notícia da chegada do bode ao deserto é indispensável antes de prosseguir: o mesmo capítulo que ordena o envio do bode, em Vayikra 16:22, prossegue no versículo 25 com a queima da gordura sobre o altar, e a tradição recebida entende que essa ordem textual reflete uma ordem obrigatória de execução — a gordura só pode ser queimada depois que o bode já chegou a seu destino. A citação de Yeshayahu 1:18 na fala de Rabi Yishmael não é meramente ilustrativa: ele a lê como descrição literal de um sinal físico que ocorria todos os anos no Templo, unindo a imagem profética da purificação do pecado a um fenômeno concreto observável na língua de lã amarrada à porta do Santuário.
O Rambam explica o raciocínio de Rabi Yehuda e decide que a halachá não segue nem ele nem os demais sinais alternativos à opinião da mishná.
"Torres de vigia" são grandes marcos elevados onde os vigias ficavam de pé e agitavam os panos. E Rabi Yehuda entende que, a partir do momento em que o bode chega ao deserto, seu preceito já se cumpre, ainda que não tenha chegado ao penhasco; por isso calculam apenas o tempo suficiente para que chegue a Beit Choron, que já está no deserto. E a halachá não é como Rabi Yehuda.
Bartenura explica por que o Cohen Gadol não podia prosseguir sem essa notícia, e detalha o significado de "Beit Chidudo" e das torres de vigia; Rashi identifica as torres com o termo latino correspondente.
"O bode chegou ao deserto" — pois ele não pode começar outra parte do serviço até que o bode chegue ao deserto, como está dito: "e enviará o bode ao deserto", e depois: "e a gordura da oferenda de pecado ele queimará". "Torres" — pedras grandes e altas, umas sobre as outras, onde os vigias ficavam de pé e agitavam os panos. "E até Beit Chidudo" — é o início do deserto, e entende Rabi Yehuda que, desde que o bode chega ali, seu preceito já se cumpre, ainda que não tenha chegado ao penhasco. E a halachá não é como Rabi Yehuda.
"Mishná: disseram ao Cohen Gadol etc." — pois ele não pode começar outra parte do serviço até que o bode chegue ao deserto, como está dito: "e enviará o bode ao deserto", e depois: "e a gordura da oferenda de pecado ele queimará sobre o altar". "Torres" — pessoas ficavam de pé desde Jerusalém até o penhasco, de modo que um visse o sinal do outro, e os que estavam próximos ao deserto agitavam os panos, e o próximo a eles via e também agitava, e assim seu companheiro mais próximo de Jerusalém via — torres, em língua estrangeira, "ridariges" [uma forma antiga do francês para "vigias"]. "Até Beit Chidudo" — é o início do deserto, e ali se cumpria "e enviará o bode ao deserto". "Iam um mil" — como dissemos acima, que os notáveis de Jerusalém o acompanhavam até a primeira cabana.