Yossei ben Choni diz: os abatidos com a intenção de oferenda pascal e com a intenção de oferenda de pecado são inválidos. — A primeira mishná ensinara que os sacrifícios comuns permanecem válidos mesmo abatidos sem a intenção correta — exceto quando o próprio sacrifício abatido é a oferenda pascal ou a de pecado. Yossei ben Choni discorda e amplia a regra na direção oposta: mesmo um sacrifício comum — digamos, uma oferenda de paz — torna-se inválido se for abatido com a intenção específica de ser uma oferenda pascal ou de pecado. Ou seja, não é apenas o abate do próprio pêssach ou do próprio chatat fora de sua intenção que causa problema; é também abater qualquer outro sacrifício com a intenção de pêssach ou de chatat que o invalida, por essa intenção "contaminar" o sacrifício com a exigência estrita que rege essas duas categorias.
Shimon Achi Azaryá diz: se os abateu com a intenção de um sacrifício de santidade maior que a deles, são válidos; com a intenção de um de santidade menor que a deles, são inválidos. Como assim? Sacrifícios de santidade máxima que foram abatidos com a intenção de sacrifícios de santidade leve são inválidos; sacrifícios de santidade leve que foram abatidos com a intenção de sacrifícios de santidade máxima são válidos. O primogênito e o dízimo do gado que foram abatidos com a intenção de oferenda de paz são válidos; e a oferenda de paz abatida com a intenção de primogênito ou com a intenção de dízimo é inválida. — Shimon, irmão de Azaryá, propõe um princípio geral e simétrico: a intenção "sobe" sem problema, mas não "desce". Um sacrifício de santidade máxima (kodshei kodashim — como a oferenda de pecado ou o holocausto) que foi abatido com a intenção de um sacrifício de santidade mais leve (kodashim kalim — como a oferenda de paz) é inválido, pois se rebaixaria sua santidade. Mas o inverso é permitido: um sacrifício de santidade leve abatido com a intenção de um de santidade máxima permanece válido, pois nenhuma santidade é perdida. Esse mesmo princípio se aplica à escala interna dos sacrifícios de santidade leve: o primogênito (bechor) e o dízimo do gado (maasser behemá), que têm menos exigências rituais, permanecem válidos se abatidos com a intenção de oferenda de paz — que é mais elevada entre os sacrifícios leves, por exigir mais dádivas de sangue, apoio das mãos, libações e a elevação do peito e da coxa. Mas o inverso — uma oferenda de paz abatida com a intenção de primogênito ou de dízimo — é inválido, por ser um rebaixamento de santidade.
O princípio de Shimon Achi Azaryá — que não se rebaixa a santidade de um sacrifício — deriva de um versículo sobre a proibição de profanar as oferendas sagradas de Israel.
"E não profanarão" fornece o fundamento textual do princípio de Shimon Achi Azaryá. A Guemará lê o verbo "יָרִימוּ" (elevarem) como referência ao que ainda está por vir — a santidade que um sacrifício de nível inferior recebe quando pensado, no momento do abate, como se fosse de um nível superior: nesse caso, não há profanação, pois a santidade só sobe. Mas o inverso — direcionar a intenção de um sacrifício de santidade máxima para um de santidade leve — é a própria profanação que o versículo proíbe, e por isso o sacrifício se invalida.
Rambam explica que Yossei ben Choni discorda do tanna anônimo da primeira mishná: para ele, a regra de que os demais sacrifícios permanecem válidos mesmo abatidos sem a intenção correta só vale desde que não sejam abatidos especificamente com a intenção de oferenda de pecado ou de Pêssach — se um holocausto ou uma oferenda de paz for abatido com essa intenção específica, esse sacrifício se invalida. E Shimon Achi Azaryá discorda tanto de Yossei ben Choni quanto do tanna anônimo, propondo que os demais sacrifícios, se abatidos com a intenção de um sacrifício de santidade maior, são válidos, e se abatidos com a intenção de um de santidade menor, são inválidos — trazendo como prova o versículo "e não profanarão as coisas sagradas dos filhos de Israel": não se rebaixa a santidade. Rambam remete ainda ao capítulo 5 deste tratado, onde se explicará quais sacrifícios são de "santidade leve" e quais de "santidade máxima", e que os primogênitos, o dízimo e a oferenda de paz são todos de santidade leve, mas a oferenda de paz tem uma vantagem adicional por exigir quatro dádivas de sangue, apoio das mãos, libações e a elevação do peito e da coxa, o que não existe no primogênito nem no dízimo. E a lei segue o tanna anônimo (não Yossei ben Choni, nem Shimon Achi Azaryá).
Bartenura esclarece que "os abatidos com a intenção de oferenda pascal" refere-se a qualquer outro sacrifício abatido em 14 de Nissan com essa intenção específica, e da mesma forma o abatido com a intenção de oferenda de pecado, em qualquer época — inválidos, "assim como eles próprios são inválidos quando abatidos com a intenção de outro". Isso contradiz o tanna anônimo da mishná anterior, que dissera que todos os sacrifícios abatidos sem a intenção correta são válidos; Yossei ben Choni acrescenta a condição de que não se abata especificamente com a intenção do pêssach ou do chatat. Sobre o princípio de Shimon Achi Azaryá, cita o mesmo versículo — "não profanarão... o que elevarem" — lendo que ao elevar-se a santidade (para um sacrifício maior) não há profanação, mas ao rebaixá-la, há. E explica que o primogênito e o dízimo do gado são de santidade inferior à oferenda de paz porque a oferenda de paz exige quatro dádivas de sangue, apoio das mãos e libações, e a elevação do peito e da coxa — o que não se aplica a eles. Conclui que a lei não segue nem Yossei ben Choni nem Shimon Achi Azaryá.
Rashi acompanha a Guemará numa análise cuidadosa das duas opiniões desta mishná. Sobre Yossei ben Choni, relata que Rabi Yochanan deduz de uma baraita que ele concorda com Rabi Eliezer da mishná anterior — ambos invalidam outros sacrifícios abatidos com a intenção de Pêssach em seu tempo, e com a intenção de oferenda de pecado em qualquer época; já Rabá lê a disputa de modo mais restrito, entendendo que a controvérsia entre Yossei ben Choni e Rabi Eliezer se limita apenas aos sacrifícios abatidos com a intenção de oferenda de pecado, pois quanto à intenção de Pêssach ambos concordariam. Sobre o princípio de Shimon Achi Azaryá, Rashi explica o versículo "e não profanarão": não há profanação quando se eleva a santidade de um sacrifício ao pensá-lo como um de nível superior. A Guemará então debate, através de Rabi Zeira, se a expressão "válidos" da mishná significa plenamente válidos e aptos a cumprir a obrigação do dono, ou apenas válidos mas sem cumpri-la (כשרין ואין מרצין) — concluindo, a partir do caso do primogênito e do dízimo abatidos com a intenção de oferenda de paz, que mesmo "subindo" de santidade o sacrifício não cumpre plenamente a obrigação original, ecoando o mesmo princípio da mishná anterior. Por fim, Rashi confirma que a oferenda de paz precede o primogênito na escala de santidade precisamente por exigir quatro dádivas de sangue, apoio das mãos, libações, e a elevação do peito e da coxa — encargos rituais que o primogênito e o dízimo não têm.