Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Yud · Mishná 6 de 8

Assim como precedem no sacrifício, precedem na consumição

כְּשֵׁם שֶׁהֵן קוֹדְמִין בְּהַקְרָבָתָן כָּךְ הֵן קוֹדְמִין בַּאֲכִילָתָן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná transfere toda a lógica de precedência estudada até aqui — válida para o momento do sacrifício — para o momento da consumição da carne, e traz um caso-limite onde o critério da frequência e o da santidade entram em conflito direto, com Rabi Meir e os Sábios em lados opostos.

Assim como precedem no sacrifício, precedem também na consumição; a oferenda de paz de ontem precede a de hoje; e o caso-limite da oferenda de paz de ontem contra a de pecado ou culpa de hoje, disputado entre Rabi Meir e os Sábios.

Assim como precedem no seu sacrifício, também precedem na sua consumição.Toda a hierarquia de precedência estabelecida nas mishnayot anteriores para o momento de oferecer no altar aplica-se igualmente ao momento em que os sacerdotes consomem a carne das ofertas: quem precede no altar precede também na mesa.

Oferenda de paz de ontem à noite e de hoje — a de ontem precede.Entre duas porções do mesmo tipo de oferenda, a mais antiga é consumida primeiro, simplesmente por razões de urgência — para que não se aproxime demais de seu prazo final de consumo.

Oferenda de paz de ontem à noite e oferenda de pecado ou de culpa de hoje — a oferenda de paz de ontem precede: palavras de Rabi Meir.Rabi Meir aplica aqui o princípio da frequência e da urgência: mesmo sendo de santidade menor, a carne do shelamim de ontem, mais próxima de seu prazo de invalidação, deve ser consumida antes da chatát ou do asham trazidos hoje.

E os Sábios dizem: a oferenda de pecado precede, porque é santidade suprema; e assim também a oferenda de culpa.Os Sábios discordam e aplicam aqui o critério da santidade acima do da urgência: mesmo mais recentes, a chatát e o asham, sendo kodshei kodashim, têm precedência sobre o shelamim de santidade leve, ainda que este seja de ontem.

כְּשֵׁם שֶׁהֵן קוֹדְמִין בְּהַקְרָבָתָן, כָּךְ הֵן קוֹדְמִין בַּאֲכִילָתָן. שְׁלָמִים שֶׁל אֶמֶשׁ וְשֶׁל הַיּוֹם, שֶׁל אֶמֶשׁ קוֹדְמִין. שְׁלָמִים שֶׁל אֶמֶשׁ וְחַטָּאת אוֹ אָשָׁם שֶׁל הַיּוֹם, שְׁלָמִים שֶׁל אֶמֶשׁ קוֹדְמִין, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, חַטָּאת קוֹדֶמֶת מִפְּנֵי שֶׁהִיא קָדְשֵׁי קָדָשִׁים, וְכֵן אָשָׁם:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 10:6
הֲרֵי זֶה מְבֹאָר, וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים.

Rambam considera a mishná suficientemente clara por si mesma, e determina que a lei segue os Sábios — ou seja, a oferenda de pecado e a de culpa, ainda que de hoje, precedem a oferenda de paz de ontem na consumição.

Bartenura · Zevachim 10:6
כָּךְ הֵם קוֹדְמִים לַאֲכִילָה. אַכֻּלְּהוּ דִּבְנֵי אֲכִילָה קָאֵי, כְּגוֹן חַטָּאת לְאָשָׁם, וְאָשָׁם לְתוֹדָה, וְתוֹדָה לִשְׁלָמִים. שְׁלָמִים. שֶׁל קָרְבַּן אֶמֶשׁ. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים כוּ'. וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים. וְתָדִיר וּמְקֻדָּשׁ, כְּגוֹן דַּם עוֹלַת תָּמִיד וְדַם חַטָּאת עוֹמְדִים, זֶה תָּדִיר וְזֶה מְקֻדָּשׁ מִמֶּנּוּ, דְּהָא אֲמַרַן דַּם חַטָּאת קֹדֶם לְדַם עוֹלָה מִפְּנֵי שֶׁהוּא מְרַצֶּה — הָא מִלְּתָא מִבַּעְיָא בַּגְּמָרָא וְלֹא אִפְשִׁיטָא, וְנִרְאֶה דְּתָדִיר קֹדֶם.

Bartenura precisa que a regra de precedência na consumição se aplica a todas as ofertas comestíveis, como a de pecado em relação à de culpa, a de culpa em relação à de agradecimento, e a de agradecimento em relação à de paz. Confirma que a lei segue os Sábios. E observa que, quando o critério da frequência e o da santidade entram em conflito direto — como no sangue da oferenda de subida contínua contra o sangue da oferenda de pecado, ambos prontos, um mais frequente e outro mais sagrado, já que dissemos que o sangue da chatát precede o da olá por expiar — essa questão foi levantada na guemará e não foi resolvida, mas parece que o mais frequente precede.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 91a, sobre a Guemará desta mishná
וְאַף עַל גַּב דְּמוּסָפִין קָדִישֵׁי — מוּסָפִין שֵׁם שַׁבָּת עֲלֵיהֶן שֶׁהֵם בָּאִים חוֹבָה לָהּ, וְהַתְּמִידִין בָּאִין אַף בְּחֹל: לַתְּמִידִין לֹא אַהֲנַאי — כֵּיוָן דְּהָאִידָּנָא קְרֵבִין, אִם כֵּן שֵׁם שַׁבָּת עֲלֵיהֶם:

A guemará cita esta mishná — o caso da oferenda de paz de ontem contra a de pecado ou culpa de hoje — como prova para o dilema entre o princípio do mais frequente e o do mais sagrado. Rashi esclarece o argumento: mesmo que as ofertas adicionais sejam mais sagradas — pois trazem consigo a santidade do Shabat, sendo obrigatórias por causa dele, enquanto as ofertas contínuas se oferecem também em dia comum — essa santidade do Shabat não beneficia as ofertas contínuas simplesmente por serem oferecidas naquele dia; elas continuam sendo, em si, ofertas do cotidiano. Por isso a mishná pôde ensinar que a oferenda de paz de ontem, ainda que de santidade menor, precede a oferenda de pecado ou de culpa de hoje: o critério da frequência, e não apenas o da santidade, também pesa na balança da precedência.