A segunda mishná limita a regra da primeira: a lei da lavagem só se aplica ao sangue de uma oferenda de pecado válida. Se a oferenda foi desqualificada, seu sangue não obriga lavagem alguma — e a mishná distingue dois tipos de desqualificação: a que ocorreu depois de a oferenda ter, num momento, sido apta à aspersão, e a que já nasceu inválida, sem nunca ter tido esse momento de aptidão.
Oferenda de pecado desqualificada — seu sangue não requer lavagem, quer tenha tido momento de aptidão, quer não tenha tido momento de aptidão. — A mishná restringe o alcance da regra anterior: só o sangue de uma oferenda válida obriga a lavagem da veste manchada; o sangue de uma oferenda já desqualificada não a obriga, e isso vale tanto para a desqualificação posterior a um momento de validade quanto para a desqualificação desde a origem.
Qual é a que teve momento de aptidão? A que pernoitou, a que se contaminou, e a que saiu. — São três exemplos de oferendas que, num certo momento, estavam aptas para a aspersão de seu sangue e só depois se desqualificaram: o sangue que pernoitou de um dia para o outro sem ser aspergido, o sangue que se contaminou por impureza depois de recolhido, e o sangue que saiu do átrio do Templo antes de ser aspergido.
E qual é a que não teve momento de aptidão? A que foi abatida fora de seu tempo e fora de seu lugar, e cujo sangue foi recebido por desqualificados e por eles aspergido. — Em contraste, estes são exemplos de oferendas desqualificadas já no próprio ato que as constitui, sem nunca terem passado por um momento de validade: o abate fora do tempo devido ou fora do lugar devido, e o recebimento do sangue por sacerdotes já desqualificados no momento do próprio recebimento.
Rambam nota que o próprio versículo restringe a regra ao dizer "de seu sangue" — expressão que os sábios entendem como "de seu sangue válido, e não de seu sangue desqualificado". A halachá, conclui Rambam, é clara e explícita nesse ponto: só o sangue apto à aspersão gera a obrigação de lavar a veste manchada.
Rashi explica que o versículo "o que se espirrar de seu sangue" fala especificamente do sangue apto à aspersão, o que já exclui o sangue desqualificado da obrigação de lavagem. Sobre a expressão "momento de aptidão", Rashi precisa que ela se refere à aptidão para a aspersão propriamente dita. Quanto ao texto da mishná sobre os sacerdotes desqualificados, Rashi observa uma nuance na versão correta: deve-se ler "cujo sangue foi recebido por desqualificados", sem incluir "e o aspergiram" — pois mesmo o sangue de uma oferenda válida, se já foi aspergido e só depois respinga sobre uma veste, não obriga mais a lavagem, já tendo cumprido seu preceito.