A sexta e última mishná do capítulo detalha, com precisão espacial e temporal, o momento exato em que se ativa a contaminação das vestes durante o transporte e a queima dos touros e bodes queimados conforme seu preceito: primeiro a passagem do muro do átrio pelos carregadores, depois a posição dissidente de Rabi Shimon, que desloca o critério para o próprio acender do fogo, e por fim o limite de quando a carne já se consumiu.
Carregavam-nos em varas. Se os da frente saíram para fora do muro do átrio e os de trás não saíram, os da frente contaminam as vestes, e os de trás não contaminam as vestes, até que saiam. Se saíram estes e aqueles, estes e aqueles contaminam as vestes. — A mishná detalha o momento exato em que se ativa a contaminação das vestes na queima dos touros e bodes, tratando do transporte físico dos animais para fora do Templo, carregados em varas por dois grupos de sacerdotes — os que carregam a extremidade dianteira e os que carregam a traseira. A contaminação é definida com precisão espacial: os carregadores da frente, ao cruzarem o muro do átrio, já ficam sujeitos à contaminação das vestes, mesmo que os de trás ainda não tenham saído; estes últimos só ficam sujeitos à contaminação no momento em que eles próprios cruzam o muro. Uma vez que ambos os grupos já saíram, ambos contaminam as vestes igualmente.
Rabi Shimon diz: estes e aqueles não contaminam as vestes, até que o fogo se acenda na maioria deles. Uma vez que a carne se consumiu, aquele que a queima não contamina as vestes. — A mishná fecha o capítulo com a posição dissidente de Rabi Shimon, que desloca inteiramente o critério da contaminação: para ele, não é a saída do muro do átrio que ativa a contaminação, mas sim o próprio ato de queima — e apenas quando o fogo já se acendeu na maior parte dos animais. Antes disso, nem os carregadores da frente nem os de trás contaminam suas vestes, por mais que já tenham saído do átrio. A mishná acrescenta, na sequência da posição de Rabi Shimon, o limite oposto: uma vez que a carne já se consumiu completamente pelo fogo, sem restar mais umidade, quem continua a atuar sobre os restos — remexendo ou acrescentando lenha — já não contamina as vestes, pois o processo próprio de "queima" já se encerrou.
Rambam esclarece, antes de tudo, um ponto de fundo: os próprios touros e bodes queimados não contaminam por contato direto, nem contaminam as vestes que os tocam — eles contaminam apenas alimentos e bebidas, não pessoas nem utensílios; quem efetivamente contamina as vestes é a pessoa que os queima, conforme já explicado, e essa é uma lei da própria Torá. Rambam explica que a extensão dessa contaminação também a quem os transporta até o local da queima é uma tradição recebida, apoiada no versículo sobre o touro da transgressão coletiva: "e levará todo o touro para fora do acampamento" — donde se conclui que, assim que os animais saem de um dos acampamentos, quem se ocupa deles já contamina as vestes. Rambam identifica os três acampamentos: o acampamento da Presença Divina, que é o átrio; o Monte do Templo, correspondente ao acampamento dos levitas; e Jerusalém, correspondente ao acampamento de Israel. Sobre "consumiu-se a carne", explica que significa que ela se derreteu e escorreu, como ocorre no início da queima, quando a umidade se dissolve. E traz a posição dos Sábios, que discordam de Rabi Shimon: "aquele que os queima", no momento da queima — poder-se-ia pensar que mesmo depois de já terem virado cinza ele ainda contamina as vestes; por isso o versículo repete "a eles" para ensinar que só "a eles" — os animais ainda como tal — contaminam as vestes, mas já feitos cinza, não contaminam mais; ou seja, quem remexe as cinzas, ou acrescenta lenha à queima, ou os transporta depois disso, não contamina as vestes, pelo motivo já mencionado. E a lei segue os Sábios.
Bartenura explica que os carregadores dos touros e bodes, quando são queimados conforme seu preceito, os transportam em varas até o local de queima; os "primeiros" são as pessoas que carregam a ponta dianteira da vara, e os "últimos", as que carregam a ponta traseira, ainda dentro do átrio. Sobre "consumiu-se a carne", esclarece que significa que a queima já se completou, e a partir desse ponto quem ainda ajuda a mexer no fogo não mais contamina as vestes; mas antes disso, todos os que ajudam durante o próprio processo de queima contaminam as vestes, conforme o versículo "e aquele que os queimar lavará suas vestes" — entendido como referindo-se especificamente ao momento da queima. Poder-se-ia pensar que também quem ajuda depois de já terem virado cinza contamina as vestes; por isso o texto repete "a eles" — "a eles" contamina, mas já feitos cinza, não contamina mais. Bartenura reafirma que os próprios touros e bodes queimados não contaminam pessoas nem vestes por simples contato; apenas quem se ocupa ativamente de sua queima fica impuro, por decreto bíblico — segundo os Sábios, a partir do momento em que os carregadores saem do átrio; segundo Rabi Shimon, apenas a partir do momento em que o fogo se acende na maioria dos animais. E a lei não segue Rabi Shimon.
Rashi identifica os carregadores da mishná como os sacerdotes que transportam os touros e bodes queimados conforme seu preceito, presos em varas, e remete à Guemará a fonte que deriva essa regra do transporte. Precisa que os "primeiros" são os que carregam a extremidade dianteira da vara, e explica que o momento em que os últimos passam a contaminar as vestes — quando eles próprios saem — também é derivado na Guemará. Sobre "consumiu-se a carne", confirma que significa que a queima já terminou, e a partir desse ponto quem ainda ajuda não contamina mais as vestes; mas até esse ponto, todos os que ajudam durante o processo de queima contaminam — sendo toda a derivação dessas regras explicada na Guemará.