A oitava e última mishná do capítulo trata do sangue da oferenda pelo pecado recolhido em um único cálice ou em dois cálices separados, e de sua colocação dentro ou fora do átrio; a seguir, traça uma analogia com o caso de uma oferenda pelo pecado separada, perdida, substituída e depois reencontrada, aplicando à sua abate a mesma lógica de dentro e fora, e fecha com o princípio de isenção mútua entre as duas oferendas.
A oferenda pelo pecado cujo sangue foi recolhido em um único cálice — colocou-o fora e voltou e colocou-o dentro, ou dentro e voltou e colocou-o fora, é responsável, pois todo ele era apto a ser colocado dentro. — A mishná de fechamento do capítulo trata do sangue de uma oferenda pelo pecado recolhido de uma só vez, num único cálice: em qualquer ordem que parte dele seja colocada fora — antes ou depois da porção colocada dentro —, há responsabilidade, pois todo o sangue daquele cálice era igualmente apto a ser colocado dentro, sem que nenhuma parte fosse, desde o início, mero resto dispensável.
Recolheu-lhe o sangue em dois cálices: colocou ambos dentro, é isento. Ambos fora, é responsável. — Quando o mesmo sangue é recolhido separadamente em dois cálices, cada porção conserva sua própria aptidão plena e independente. Colocando ambas dentro, o serviço foi realizado corretamente; colocando ambas fora, há responsabilidade, pois cada uma das duas porções era, por si só, inteiramente apta a ser colocada dentro.
Um dentro e um fora, é isento. Um fora e um dentro, é responsável pelo colocado externamente, e o interno expia. — A mishná distingue pela ordem dos atos: se a primeira porção foi colocada dentro, isso já realiza integralmente a expiação, e a segunda porção — colocada depois, fora — torna-se um mero resto sem função própria, gerando isenção. Mas se a primeira porção foi colocada fora, ainda apta que era para dentro, há responsabilidade por esse ato; e a segunda porção, colocada depois dentro, ainda realiza a expiação devida.
A que coisa isso se assemelha? A quem separou sua oferenda pelo pecado e ela se perdeu, e separou outra em seu lugar, e depois se encontrou a primeira, e eis que ambas estão de pé diante dele. — A mishná introduz uma analogia para explicar a lógica dos dois cálices: assim como duas porções de sangue do mesmo animal permanecem, cada uma, plenamente aptas até que uma delas seja usada, também duas oferendas — a original, separada e depois perdida, e a substituta, separada em seu lugar — permanecem ambas igualmente aptas para o sacrifício até que uma delas seja de fato oferecida, ainda que apenas uma seja necessária.
Abateu ambas dentro, é isento. Abateu ambas fora, é responsável. Uma dentro e uma fora, é isento. Uma fora e uma dentro, é responsável pela externa, e a interna expia. — A mishná aplica à analogia a mesma lógica exata dos dois cálices de sangue: abater ambos os animais dentro é o procedimento correto; abater ambos fora gera responsabilidade por cada um, pois cada um era, individualmente, apto para dentro. Se o primeiro abatido foi o de dentro, este já realiza a expiação, tornando o segundo — abatido depois, fora — um animal já sem função própria, isento; mas se o primeiro abatido foi o de fora, ainda apto que era, há responsabilidade por ele, e o segundo, abatido depois dentro, ainda cumpre a expiação.
Assim como o sangue dela isenta a sua própria carne, assim ele isenta também a carne de sua companheira. — A mishná fecha o capítulo com um princípio adicional sobre apropriação indevida (meilá): quando ambas as oferendas foram abatidas dentro e o sangue de uma delas foi aspergido, essa aspersão retira a carne de santidade suprema do risco de apropriação indevida, dando um momento de permissão aos sacerdotes — e o mesmo efeito se estende também à carne da outra oferenda, mesmo que esta já esteja desqualificada por se tratar de uma oferenda pelo pecado cujos donos já foram expiados pela primeira.
Rambam explica que, se colocou fora primeiro e depois voltou e colocou dentro, é responsável por ter aspergido fora, pois todo o sangue era apto a vir dentro; mas se colocou dentro e depois voltou e colocou fora, o sangue restante é válido e é isento, pois se trata de resto. E o que se diz aqui "é responsável" reflete a opinião de Rabi Nechemia, que disse que o restante do sangue oferecido fora torna responsável, e suas palavras parecem corretas. Sobre "assim como o sangue dela isenta sua carne", explica: se abateu ambas dentro e aspergiu o sangue de uma delas, ficou permitida a carne de ambas para o consumo, pois, assim como esse sangue permite uma delas, também permite sua companheira, e ambas se tornam como uma única coisa. E toda a matéria está explicada.
Bartenura explica que "colocou fora e voltou e colocou dentro, é responsável" é algo evidente, mencionado por causa da segunda cláusula: "colocou dentro e voltou e colocou fora", quando já não coloca fora senão o restante do sangue, ainda assim é responsável — pois a mishná segue Rabi Nechemia, que entende que os restos impedem a validade; mas não é essa a lei. Sobre "ambos fora, é responsável", esclarece que é responsável uma vez, e, se teve conhecimento intermediário, duas vezes. Sobre "o interno expia", explica que se refere a tornar válido o sacrifício, pois o sangue aspergido primeiro fora não fez do restante um equivalente a ele. Sobre "ambas fora, é responsável", precisa que é por cada uma delas, pois no momento do abate cada uma era apta para dentro. Sobre "uma dentro e a segunda fora, é isento", explica que se trata de uma oferenda pelo pecado cujos donos já foram expiados, destinada à morte, que não é recebida dentro; e "é responsável pela externa" porque essa era apta para dentro, podendo-se oferecer qualquer uma das duas. Por fim, sobre "assim como o sangue dela isenta sua carne", esclarece que se refere à apropriação indevida, pois a aspersão do sangue retira a carne de santidade suprema da apropriação indevida, dando um momento de permissão aos sacerdotes; assim também isenta a carne de sua companheira, ainda que desqualificada — tratando-se do caso em que ambas foram abatidas dentro — pois se estabelece que as oferendas pelo pecado destinadas à morte não beneficiam nem estão sujeitas à apropriação indevida.
Rashi explica que a mishná menciona primeiro o caso evidente — colocou fora e voltou e colocou dentro, é responsável — apenas por causa da segunda cláusula, ensinando que, ainda que se trate apenas do restante do sangue, torna-se responsável; e o texto segue, sem o dizer expressamente, a opinião de Rabi Nechemia. Sobre "ambos fora, é responsável", esclarece que é uma vez, mas, se teve conhecimento intermediário entre as duas aspersões, é responsável duas vezes. Sobre "um dentro e o segundo fora, é isento", explica que isso vale mesmo para Rabi Nechemia, que entende que um cálice torna o outro dispensado, destinado a ser derramado no canal — de modo que nem sequer se considera resto. Sobre "o interno expia", esclarece que se refere a tornar válido o sacrifício, pois, como já se disse em "Todas as Oferendas que se Misturaram", o sangue aspergido primeiro fora não faz do sangue restante um equivalente a ele. Sobre "ambas fora, é responsável", precisa que é por cada uma delas, pois no momento do abate cada uma era apta para dentro. Sobre "uma dentro e a segunda fora, é isento", explica que se trata de uma oferenda pelo pecado cujos donos já foram expiados, destinada à morte, que não é recebida dentro; e sobre "é responsável pela externa", que essa era apta para dentro, podendo-se oferecer qualquer uma das duas à vontade. Por fim, sobre "assim como o sangue dela isenta sua carne", esclarece que se refere à apropriação indevida, pois a aspersão do sangue retira a carne de santidade suprema da apropriação indevida, dando um momento de permissão aos sacerdotes; assim também isenta a carne de sua companheira, ainda que desqualificada — tratando do caso em que ambas foram abatidas dentro, ensinando que, onde ambas estão presentes e se antecipou e aspergiu o sangue de uma, isenta a outra da apropriação indevida por se tratar de oferenda pelo pecado cujos donos já foram expiados, pois se estabelece que as oferendas pelo pecado destinadas à morte não beneficiam nem estão sujeitas à apropriação indevida.