A sexta mishná registra o terceiro marco: a fixação do santuário em Shiló, após a conquista e a divisão da terra, identificada pela Torá como "o repouso" (menuchá). Com essa fixação permanente, os altares particulares voltaram a ser proibidos.
Chegaram a Shiló, e os altares particulares foram proibidos. — Depois de concluída a conquista e a divisão da terra entre as tribos, o Tabernáculo foi fixado em Shiló, onde permaneceu por gerações. Essa fixação permanente pôs fim ao período de mobilidade em que os altares particulares eram tolerados, e a proibição voltou a vigorar.
Não havia ali teto, mas uma casa de pedras por baixo e cortinas por cima, e ela era o repouso. — O santuário de Shiló ocupava uma posição intermediária entre o Tabernáculo móvel do deserto e o Templo definitivo de pedra: paredes de pedra sustentavam as mesmas cortinas de tecido do Tabernáculo original, sem teto de madeira. A mishná identifica esse lugar com "o repouso" mencionado na Torá — o primeiro estágio de assentamento permanente, em contraste com as andanças do deserto e de Guilgal.
As oferendas de santidade suprema são comidas dentro das cortinas; as oferendas de santidade leve e o segundo dízimo, em todo lugar de onde se avista. — As oferendas de santidade suprema permaneciam restritas ao átrio, como sempre. Mas a regra para as oferendas de santidade leve muda com a fixação permanente do santuário: em vez de "em qualquer lugar", como em Guilgal, passam a ser comidas apenas em lugar de onde se avista Shiló — e agora, pela primeira vez, o segundo dízimo se junta a elas com a mesma regra, já que os israelitas haviam se estabelecido em suas terras e começado a cumprir essa obrigação.
Rambam observa que Shiló é chamada tanto "casa" — como está escrito "e o trouxe à casa do Senhor em Shiló" — quanto "Tabernáculo" — como está escrito "e abandonou o Tabernáculo de Shiló" — refletindo exatamente a estrutura mista descrita na mishná. Explica que, uma vez havendo ali uma construção permanente, esse é o "repouso" de que fala o verso, pois o povo já estava assentado, sem mais viagens; e Deus ordenou não oferecer em altares particulares assim que chegasse o repouso, derivando daí que, no momento em que ali chegassem, a proibição entraria em vigor. Sobre "em todo lugar de onde se avista", explica que, enquanto alguém está de pé, mesmo à distância, e avista qualquer parte da casa, é-lhe permitido comer naquele lugar oferendas de santidade leve e o segundo dízimo — recebido por tradição.
Bartenura explica que a proibição dos altares particulares em Shiló deriva do verso "pois não chegastes ainda até agora ao repouso", do qual se conclui que, ao chegar ao repouso, os altares particulares se tornam proibidos; e identifica esse repouso com Shiló, onde o povo permaneceu fixo, sem mais viajar de lugar em lugar como no deserto. Sobre a estrutura física, mostra a partir de dois versos aparentemente contraditórios — um que chama Shiló de "casa" e outro que a chama de "Tabernáculo" — que se tratava de uma construção mista, sem teto, com paredes de pedra e cobertura de cortinas. Explica por que o segundo dízimo só é mencionado a partir desta mishná: durante os catorze anos em Guilgal, ainda não havia obrigação de dízimos, que só começou após a conquista e a divisão da terra. E esclarece que "todo lugar de onde se avista" se refere a qualquer ponto de onde se via Shiló, derivado por analogia verbal do verso sobre onde não se pode oferecer sacrifícios.
Rashi explica que, logo após a divisão da terra, o Tabernáculo foi fixado em Shiló, e detalha a leitura completa do verso de Devarim: enquanto o povo ainda estava ocupado em conquistar e dividir a terra, ainda não havia chegado ao repouso, e por isso podia oferecer livremente conforme lhe parecesse reto, como faziam no deserto com votos e doações; mas depois de atravessar o Jordão e se estabelecer na terra — isto é, após conquista e assentamento —, entraria em vigor a proibição dos altares particulares. Precisa que "teto" se refere a um teto de tábuas de madeira, ausente em Shiló, e que "todo lugar de onde se avista" significa todo ponto de onde se via Shiló, derivação que a Guemará desenvolve a partir dos mesmos versos citados por Bartenura.