Continuando o princípio geral da mishná anterior, esta mishná enumera seis categorias específicas de desqualificação — todas ocorridas já dentro do âmbito da santidade — que, uma vez subidas ao altar, não descem mais. Em seguida, Rabi Yehudá isola três casos ainda mais severos, cuja desqualificação precede a própria entrada no sistema sacrificial, e por isso devem descer mesmo depois de subir; Rabi Shimon discorda e formula o princípio geral que rege toda essa distinção.
E estes, se subiram, não descem: o que passou a noite, e o impuro, e o que saiu, e o abatido fora de seu tempo e fora de seu lugar, e o que recebeu seu sangue por mãos desqualificadas e aspergiu seu sangue. — A mishná enumera seis casos de desqualificação: a carne ou os eimurim que passaram a noite sem serem queimados; o sacrifício que se tornou impuro; o que saiu dos limites do átrio; o abatido com intenção de comer ou queimar fora do tempo devido (piggul) ou fora do lugar devido; e aquele cujo sangue foi recebido por pessoa desqualificada e ainda assim foi aspergido. Em todos esses casos, a desqualificação ocorreu depois que o sacrifício já havia entrado corretamente no sistema do Templo — e por isso, se a carne ou os eimurim já subiram ao altar, permanecem ali.
Rabi Yehudá diz: o que foi abatido de noite, e o que teve seu sangue derramado, e o que teve seu sangue saído para fora das cortinas — se subiu, desce. — Rabi Yehudá acrescenta três casos ainda mais graves, que ele exclui explicitamente da regra anterior: o animal abatido à noite (quando o abate é inválido desde o início), o sangue que foi derramado no chão antes de ser aspergido, e o sangue que saiu para fora do recinto do Tabernáculo (as "cortinas", kela'im) antes da aspersão. Nesses três casos, para Rabi Yehudá, mesmo que a carne já tenha subido ao altar, ela deve descer, pois a desqualificação é anterior e mais radical do que nos seis casos precedentes.
Rabi Shimon diz: não desce, pois Rabi Shimon dizia: tudo cuja desqualificação ocorreu dentro da santidade, a santidade o recebe; se sua desqualificação não ocorreu dentro da santidade, a santidade não o recebe. — Rabi Shimon discorda de Rabi Yehudá mesmo quanto a esses três casos e formula o princípio que organiza toda a mishná: o critério decisivo não é a gravidade do defeito, mas o momento em que ele ocorreu. Se o item já havia entrado no âmbito da santidade — por exemplo, um animal que foi validamente consagrado e abatido de dia, mas cujo sangue depois foi derramado — sua desqualificação é "dentro da santidade", e por isso, uma vez subido ao altar, o próprio altar o "recebe" e retifica. Mas se a desqualificação é anterior à entrada no sistema sacrificial — como um animal que nunca poderia ter sido válido, por exemplo abatido à noite — a santidade nunca chegou a recebê-lo propriamente, e por isso o altar não o retifica.
Rambam explica a base bíblica das duas posições: Rabi Yehudá traz prova da palavra restritiva "ela" no versículo "ela é a oferenda queimada", que exclui os três casos mais graves — abatido de noite, sangue derramado, sangue saído para fora das cortinas — determinando que, se ainda assim subiram ao altar, devem descer. Rabi Shimon, por sua vez, traz prova da expressão "esta é a lei da oferenda queimada", entendendo que há uma única lei para todas as oferendas queimadas: se subiram, não descem, sem exceção. Rambam esclarece ainda que "o que passou a noite" refere-se tanto ao sangue quanto à carne que permaneceram sem aplicação ou queima durante a noite. Conclui que a halachá segue Rabi Yehudá.
Bartenura esclarece que "o que passou a noite" abrange tanto o sangue quanto os eimurim que permaneceram fora do altar durante a noite. Detalha a base textual de Rabi Yehudá: das três expressões aparentemente redundantes no versículo — "esta é a lei", "ela é a oferenda", "esta é ela a oferenda" — derivam-se três exclusões específicas, correspondentes aos três casos mais graves. Rabi Shimon, em contraste, lê a mesma expressão "esta é a lei da oferenda queimada" como estabelecendo uma lei única e uniforme para todas as oferendas queimadas, sem exceções. Conclui que a halachá segue Rabi Yehudá.
Rashi esclarece que "o que passou a noite" inclui tanto o sangue quanto os eimurim. Observa que Rabi Yehudá discorda dos Sábios apenas quanto a esses três casos específicos — abatido de noite, sangue derramado, sangue saído das cortinas — concordando com o restante da lista, e que sua razão é desenvolvida na Guemará. Sobre o princípio de Rabi Shimon, explica que "sua desqualificação ocorreu dentro da santidade" significa que o item já havia chegado válido ao átrio antes de ser desqualificado — e que a fundamentação completa desse princípio também é desenvolvida na Guemará.