Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Tet · Mishná 7 de 7

Assim como o altar consagra, também a rampa consagra

כְּשֵׁם שֶׁהַמִּזְבֵּחַ מְקַדֵּשׁ אֶת הָרָאוּי לוֹ כָּךְ הַכֶּבֶשׁ מְקַדֵּשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná final do Perek Tet estende o princípio consagrador que abriu o capítulo, do próprio altar para os demais componentes do serviço do Templo: primeiro a rampa de acesso ao altar, depois os utensílios sagrados. Distingue com precisão os recipientes próprios para líquidos e para secos, e fecha com a regra dos utensílios furados, que consagram apenas quando ainda cumprem, mesmo que parcialmente, sua função original.

O poder consagrador se estende do altar à rampa e desta aos utensílios; a distinção entre recipientes de líquido e medidas de seco; a regra dos utensílios furados; e o princípio final — consagram apenas dentro da santidade.

Assim como o altar consagra o que lhe é apto, também a rampa consagra.A mishná estende à rampa de acesso ao altar — a estrutura inclinada pela qual os sacerdotes sobem para realizar o serviço — o mesmo poder consagrador do próprio altar: o que é apto e toca a rampa também se consagra irrevogavelmente.

Assim como o altar e a rampa consagram o que lhes é apto, também os utensílios consagram.O mesmo princípio se estende ainda mais, aos utensílios de serviço do Templo — os recipientes usados para receber sangue, farinha, vinho, azeite: tudo o que é apto a um determinado utensílio se consagra ao tocar nele.

Os utensílios do líquido consagram o líquido, e as medidas do seco consagram o seco. Os utensílios do líquido não consagram o seco, nem as medidas do seco consagram o líquido.A mishná precisa que essa consagração é específica à função de cada utensílio: as taças e bacias destinadas a sangue, vinho, água ou azeite consagram apenas substâncias líquidas; as medidas destinadas à farinha das ofertas consagram apenas substâncias secas. Não há transferência de poder consagrador entre as duas categorias de recipiente.

Os utensílios sagrados que foram furados — se ainda realizam algo semelhante ao trabalho que faziam quando estavam inteiros, consagram; e se não, não consagram.Um utensílio de serviço que sofreu dano físico — um furo, uma rachadura — mantém seu poder consagrador apenas na medida em que ainda é capaz de cumprir, mesmo que de forma reduzida, a função para a qual foi originalmente feito. Se o dano o torna incapaz de qualquer função semelhante à original, ele perde completamente seu poder consagrador.

E todos eles só consagram dentro da santidade.A mishná fecha o capítulo com o princípio unificador de todo o Perek Tet: o poder consagrador do altar, da rampa e dos utensílios se ativa somente para aquilo que já pertence ao âmbito da santidade do Templo — nunca para algo que ainda está fora dele, encerrando assim, num só princípio, todo o eixo do capítulo: o que é consagrado permanece consagrado, mas a santidade não se cria a partir do nada.

כְּשֵׁם שֶׁהַמִּזְבֵּחַ מְקַדֵּשׁ אֶת הָרָאוּי לוֹ כָּךְ הַכֶּבֶשׁ מְקַדֵּשׁ. כְּשֵׁם שֶׁהַמִּזְבֵּחַ וְהַכֶּבֶשׁ מְקַדְּשִׁין אֶת הָרָאוּי לָהֶן, כָּךְ הַכֵּלִים מְקַדְּשִׁים. כְּלֵי הַלַּח מְקַדְּשִׁין אֶת הַלַּח, וּמִדּוֹת הַיָּבֵשׁ מְקַדְּשׁוֹת אֶת הַיָּבֵשׁ. אֵין כְּלֵי הַלַּח מְקַדְּשִׁים אֶת הַיָּבֵשׁ, וְלֹא מִדּוֹת הַיָּבֵשׁ מְקַדְּשׁוֹת אֶת הַלָּח. כְּלֵי הַקֹּדֶשׁ שֶׁנִּקְּבוּ, אִם עוֹשִׂים הֵם מֵעֵין מְלַאכְתָּן שֶׁהָיוּ עוֹשִׂים וְהֵם שְׁלֵמִים, מְקַדְּשִׁין. וְאִם לָאו, אֵין מְקַדְּשִׁים. וְכֻלָּן אֵין מְקַדְּשִׁים אֶלָּא בַקֹּדֶשׁ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 9:7
כְּשֵׁם שֶׁאָמַר הַכָּתוּב בַּמִּזְבֵּחַ "כָּל הַנֹּגֵעַ בַּמִּזְבֵּחַ יִקְדָּשׁ", כָּךְ אָמַר בְּכָל הַכֵּלִים "וְקִדַּשְׁתָּ אֹתָם וְהָיוּ קֹדֶשׁ קָדָשִׁים, כָּל הַנֹּגֵעַ בָּהֶם יִקְדָּשׁ", וְעַל מְנָת שֶׁיְּהֵא אוֹתוֹ דָּבָר רָאוּי לְאוֹתוֹ כְּלִי אוֹ לְאוֹתוֹ מָקוֹם. וּכְלֵי הַלַּח — הַכֵּלִים שֶׁמְּקַבְּלִים בָּהֶם הַדָּם וְהַיַּיִן אוֹ הַמַּיִם וְהַשֶּׁמֶן, וּמִדּוֹת הַיָּבֵשׁ — מִן הַמִּדּוֹת שֶׁמּוֹדְדִין בָּהֶן הַסֹּלֶת לַמְּנָחוֹת. וְרָאוּי לְךָ לָדַעַת שֶׁכְּלֵי הַשָּׁרֵת אִם נִקְּבוּ אוֹ נִשְׁבְּרוּ, אֵין מְרַפְּאִין שִׁבְרֵיהֶם, אֶלָּא עוֹשִׂין אוֹתָן פַּעַם שְׁנִיָּה. וְכֵן הַסַּכִּין אִם נִשְׁמַט אוֹ נִפְגַּם, אֵין מְתַקְּנִין אוֹתוֹ וְאֵין מַשְׁחִיזִין אוֹתוֹ עַד שֶׁיָּסִיר הַפְּגָם. וְכֵן בִּגְדֵי כֹהֲנִים אִם נִתְלַכְלְכוּ אֵין מְכַבְּסִים אוֹתָן, אֶלָּא עוֹשִׂים בְּגָדִים חֲדָשִׁים, וּמַנִּיחִים אֵלּוּ לְצֹרֶךְ פְּתִילוֹת, כְּמוֹ שֶׁנִּתְבָּאֵר בְּסֻכָּה. וְטַעַם כָּל זֶה: אֵין עֲנִיּוּת בִּמְקוֹם עֲשִׁירוּת.

Rambam mostra que a extensão do poder consagrador dos utensílios tem a mesma base bíblica que a do altar: assim como foi dito "tudo o que toca o altar se consagra", foi dito também sobre os utensílios "e os consagrarás, e serão santidade suprema; tudo o que os tocar se consagrará" — sempre condicionado à aptidão do item para aquele utensílio específico. Identifica os utensílios do líquido como os que recebem sangue, vinho, água ou azeite, e as medidas do seco como as usadas para medir a farinha das ofertas. Acrescenta uma regra prática importante: utensílios de serviço furados ou quebrados não são consertados, mas substituídos por novos; da mesma forma a faca de abate danificada não é afiada até remover o defeito, mas trocada, e vestes sacerdotais sujas não são lavadas, mas substituídas por novas — tudo isso porque "não há pobreza em lugar de riqueza", isto é, o serviço do Templo não se contenta com o remendado quando o novo está disponível.

Bartenura · Zevachim 9:7
הַכֶּבֶשׁ מְקַדֵּשׁ. דִּכְתִיב "וּמָשַׁחְתָּ אֶת הַמִּזְבֵּחַ" וְגוֹ', "אֶת" לְרַבּוֹת אֶת הַכֶּבֶשׁ. הַכֵּלִים מְקַדְּשִׁים. דִּבְכֵלִים נַמִּי כְתִיב "כָּל הַנֹּגֵעַ בָּהֶם יִקְדָּשׁ". כְּלֵי הַלַּח. קְעָרוֹת וּמִזְרָקוֹת לְדָם וּלְיַיִן וּלְשֶׁמֶן. מִדּוֹת הַיָּבֵשׁ. שְׁתֵּי מִדּוֹת שֶׁל יָבֵשׁ הָיוּ שָׁם, עִשָּׂרוֹן וַחֲצִי עִשָּׂרוֹן. וּמִזְבֵּחַ שֶׁנִּפְגַּם פָּסוּל, וְכָל פְּגִימָה הַפּוֹסֶלֶת בְּסַכִּין שֶׁל שְׁחִיטָה פּוֹסֶלֶת בַּמִּזְבֵּחַ. וְכָל זְמַן שֶׁהַמִּזְבֵּחַ פָּגוּם, כָּל קָדָשִׁים הַנִּשְׁחָטִין בָּעֲזָרָה כֻּלָּם פְּסוּלִים, דִּכְתִיב "וְזָבַחְתָּ עָלָיו אֶת עֹלֹתֶיךָ וְאֶת שְׁלָמֶיךָ", כְּלוֹמַר: כָּל זְמַן שֶׁהוּא שָׁלֵם אַתָּה זוֹבֵחַ, וְאֵין אַתָּה זוֹבֵחַ כְּשֶׁהוּא פָּגוּם.

Bartenura traz a base bíblica precisa de cada extensão: a rampa consagra por inclusão da partícula "et" no versículo sobre a unção do altar; os utensílios consagram por versículo próprio e paralelo. Identifica os utensílios do líquido como as taças e bacias para sangue, vinho e azeite, e as medidas do seco como as duas medidas usadas no Templo — o issarón e a metade do issarón. Acrescenta uma consequência prática notável: assim como o altar danificado fica desqualificado — qualquer mossa que desqualificaria uma faca de abate também desqualifica o altar — e enquanto ele permanece danificado, todos os sacrifícios abatidos no átrio ficam desqualificados, pois o versículo "sobre ele sacrificarás tuas ofertas queimadas e tuas ofertas pacíficas" ensina que se sacrifica apenas enquanto o altar está íntegro.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 87a, sobre a Guemará desta mishná
אֶת הַמִּזְבֵּחַ — "וּמָשַׁחְתָּ אֶת הַמִּזְבֵּחַ" לְרַבּוֹת אֶת הַכֶּבֶשׁ: הָכִי גָּרְסִינַן, "כֵּלֵי שָׁרֵת מִנַּיִן — כָּל הַנּוֹגֵעַ בָּהֶן יִקְדָּשׁ": מַהוּ שֶׁיְּקַדְּשׁוּ פְּסוּלִין — הוּא סָבוּר לְעִנְיַן פִּדְיוֹן קָא מִיבַּעְיָא לֵיהּ, כְּגוֹן מִנְחָה טְמֵאָה שֶׁקָּדְשָׁה בִּכְלִי שָׁרֵת, מִי קָדְשָׁה קְדֻשַּׁת הַגּוּף וְלָא נָפְקָא לְהוּ לְחֻלִּין דְּקָדְשָׁה כְּלִי אַף עַל פִּי שֶׁהִיא טְמֵאָה, אוֹ לֹא קָדְשָׁה. וּשְׁקַבְּלוּ פְּסוּלִים וְזָרְקוּ אֶת דָּמוֹ — אִם עָלָה הַבָּשָׂר לֹא יֵרֵד.

Rashi identifica a fonte exata da inclusão da rampa: a palavra "et" no versículo sobre a unção do altar, que ensina a incluir também a rampa no mesmo poder consagrador. Sobre os utensílios, cita a leitura talmúdica que deriva de "tudo o que os tocar se consagrará" a fonte para os utensílios de serviço. Discute ainda a questão levantada na Guemará sobre se os utensílios sagrados consagram também itens já desqualificados — por exemplo, se uma oferenda de farinha impura que foi colocada em recipiente sagrado adquire com isso uma santidade completa que a impede de retornar ao uso comum, ou se não chega a se consagrar dessa forma — questão que se conecta à regra vista na mishná 9:2 sobre o sangue recebido por mãos desqualificadas.

סְלִיקָא לַהּ מַסֶּכְתָּא — פֶּרֶק ט׳
Aqui se conclui o Perek Tet de Massechet Zevachim, dedicado inteiramente ao poder consagrador do altar e de seus componentes. O capítulo avança numa progressão cuidadosa: primeiro a disputa fundamental sobre o critério de aptidão — apto ao fogo, para Rabi Yehoshua, ou apto ao altar, para Rabán Gamliel — com a posição intermediária de Rabi Shimon sobre sangue e libações (9:1); depois a lista dos seis casos de desqualificação "dentro da santidade" que não descem, e a exceção de Rabi Yehudá para três casos mais graves, com o princípio organizador de Rabi Shimon (9:2); a lista complementar dos dez casos cuja desqualificação é anterior a qualquer consagração, com a disputa sobre os animais com defeito físico (9:3); o princípio simétrico de que o que desceu não volta a subir, e a regra dos animais vivos no topo do altar (9:4); os itens válidos que ainda assim não pertencem ao altar, e a regra da lã, do pelo, dos ossos e dos chifres unidos ao corpo (9:5); o caso das peças que saltam do próprio altar em chamas, com a questão de meilá antes e depois da meia-noite (9:6); e finalmente, encerrando o capítulo, a extensão do poder consagrador à rampa e aos utensílios do Templo, com a regra dos recipientes de líquido e seco e dos utensílios danificados (9:7). Por possuir Guemará no Talmud Bavli, as mishnayot deste capítulo se distribuem por Zevachim 83a–87a, e todas reuniram, além do Rambam (Perush HaMishná) e do Bartenura, o comentário de Rashi sobre a respectiva sugya. O estudo de Massechet Zevachim prossegue nos cinco perakim seguintes, ainda por construir.