A mishná final do Perek Tet estende o princípio consagrador que abriu o capítulo, do próprio altar para os demais componentes do serviço do Templo: primeiro a rampa de acesso ao altar, depois os utensílios sagrados. Distingue com precisão os recipientes próprios para líquidos e para secos, e fecha com a regra dos utensílios furados, que consagram apenas quando ainda cumprem, mesmo que parcialmente, sua função original.
Assim como o altar consagra o que lhe é apto, também a rampa consagra. — A mishná estende à rampa de acesso ao altar — a estrutura inclinada pela qual os sacerdotes sobem para realizar o serviço — o mesmo poder consagrador do próprio altar: o que é apto e toca a rampa também se consagra irrevogavelmente.
Assim como o altar e a rampa consagram o que lhes é apto, também os utensílios consagram. — O mesmo princípio se estende ainda mais, aos utensílios de serviço do Templo — os recipientes usados para receber sangue, farinha, vinho, azeite: tudo o que é apto a um determinado utensílio se consagra ao tocar nele.
Os utensílios do líquido consagram o líquido, e as medidas do seco consagram o seco. Os utensílios do líquido não consagram o seco, nem as medidas do seco consagram o líquido. — A mishná precisa que essa consagração é específica à função de cada utensílio: as taças e bacias destinadas a sangue, vinho, água ou azeite consagram apenas substâncias líquidas; as medidas destinadas à farinha das ofertas consagram apenas substâncias secas. Não há transferência de poder consagrador entre as duas categorias de recipiente.
Os utensílios sagrados que foram furados — se ainda realizam algo semelhante ao trabalho que faziam quando estavam inteiros, consagram; e se não, não consagram. — Um utensílio de serviço que sofreu dano físico — um furo, uma rachadura — mantém seu poder consagrador apenas na medida em que ainda é capaz de cumprir, mesmo que de forma reduzida, a função para a qual foi originalmente feito. Se o dano o torna incapaz de qualquer função semelhante à original, ele perde completamente seu poder consagrador.
E todos eles só consagram dentro da santidade. — A mishná fecha o capítulo com o princípio unificador de todo o Perek Tet: o poder consagrador do altar, da rampa e dos utensílios se ativa somente para aquilo que já pertence ao âmbito da santidade do Templo — nunca para algo que ainda está fora dele, encerrando assim, num só princípio, todo o eixo do capítulo: o que é consagrado permanece consagrado, mas a santidade não se cria a partir do nada.
Rambam mostra que a extensão do poder consagrador dos utensílios tem a mesma base bíblica que a do altar: assim como foi dito "tudo o que toca o altar se consagra", foi dito também sobre os utensílios "e os consagrarás, e serão santidade suprema; tudo o que os tocar se consagrará" — sempre condicionado à aptidão do item para aquele utensílio específico. Identifica os utensílios do líquido como os que recebem sangue, vinho, água ou azeite, e as medidas do seco como as usadas para medir a farinha das ofertas. Acrescenta uma regra prática importante: utensílios de serviço furados ou quebrados não são consertados, mas substituídos por novos; da mesma forma a faca de abate danificada não é afiada até remover o defeito, mas trocada, e vestes sacerdotais sujas não são lavadas, mas substituídas por novas — tudo isso porque "não há pobreza em lugar de riqueza", isto é, o serviço do Templo não se contenta com o remendado quando o novo está disponível.
Bartenura traz a base bíblica precisa de cada extensão: a rampa consagra por inclusão da partícula "et" no versículo sobre a unção do altar; os utensílios consagram por versículo próprio e paralelo. Identifica os utensílios do líquido como as taças e bacias para sangue, vinho e azeite, e as medidas do seco como as duas medidas usadas no Templo — o issarón e a metade do issarón. Acrescenta uma consequência prática notável: assim como o altar danificado fica desqualificado — qualquer mossa que desqualificaria uma faca de abate também desqualifica o altar — e enquanto ele permanece danificado, todos os sacrifícios abatidos no átrio ficam desqualificados, pois o versículo "sobre ele sacrificarás tuas ofertas queimadas e tuas ofertas pacíficas" ensina que se sacrifica apenas enquanto o altar está íntegro.
Rashi identifica a fonte exata da inclusão da rampa: a palavra "et" no versículo sobre a unção do altar, que ensina a incluir também a rampa no mesmo poder consagrador. Sobre os utensílios, cita a leitura talmúdica que deriva de "tudo o que os tocar se consagrará" a fonte para os utensílios de serviço. Discute ainda a questão levantada na Guemará sobre se os utensílios sagrados consagram também itens já desqualificados — por exemplo, se uma oferenda de farinha impura que foi colocada em recipiente sagrado adquire com isso uma santidade completa que a impede de retornar ao uso comum, ou se não chega a se consagrar dessa forma — questão que se conecta à regra vista na mishná 9:2 sobre o sangue recebido por mãos desqualificadas.