Não se reduz a menos de quatro meses embolismais no ano, e não se via bem acrescentar mais que oito. Os dois pães são comidos não antes de dois dias, nem depois de três. O pão da proposição é comido não antes de nove dias, nem depois de onze. O menino é circuncidado não antes de oito dias, nem depois de doze.
— Esta mishná reúne quatro leis, todas sobre contagem de dias, sob a mesma fórmula de mínimo e máximo. A primeira trata do calendário lunar: como o mês da lua tem cerca de vinte e nove dias e meio, o ano hebraico alterna meses “cheios” de trinta dias com meses “deficientes” de vinte e nove; os sábios ensinam que, num ano comum, não se fixam menos de quatro meses cheios, nem, via de regra, mais de oito — ainda que ocasionalmente, por necessidade do cálculo, esse limite superior seja ultrapassado. A segunda lei trata dos shtei halechem, os dois pães de trigo fermentado oferecidos no Templo na festa de Shavuot: assados na véspera do feriado, eles só podem ser consumidos pelos sacerdotes a partir do segundo dia após serem assados, e nunca depois do terceiro. A terceira lei trata do lechem hapanim, o pão da proposição disposto semanalmente sobre a mesa de ouro do santuário: assado na sexta-feira e trocado no sábado seguinte, ele é consumido normalmente no nono dia após ter sido assado, mas esse prazo pode se estender até o décimo primeiro dia quando as duas festas de Rosh Hashaná caem na quinta e na sexta-feira, adiando a troca do pão para o sábado seguinte. A quarta lei, por fim, trata da circuncisão: embora a regra geral seja circuncidar o menino no oitavo dia de vida, esse prazo pode se antecipar ou se adiar por causa da incerteza sobre o momento exato do nascimento durante o crepúsculo, ou por causa de um sábado seguido por dias festivos, chegando no máximo ao décimo segundo dia.
Rambam explica que os meses hebraicos seguem o ciclo da lua, cuja duração real gira em torno de vinte e nove dias e meio, com um pequeno resto de horas que se acumula ano após ano; por isso, é necessário ora declarar seis meses cheios e seis deficientes, ora ajustar essa proporção para até oito meses cheios, conforme esse resto se acumula ou se consome. Ele remete o leitor a seus próprios comentários sobre o tratado de Menachot para os detalhes dos dois pães e do pão da proposição, e ao tratado de Shabat para os detalhes da circuncisão adiada por causa do sábado e das festas.
Bartenura detalha o cálculo lunar: o mês da lua dura vinte e nove dias, meio dia e uma pequena fração de hora, de modo que, a cada dois meses, somam-se cerca de cinquenta e nove dias — um mês de vinte e nove e outro de trinta. Por causa dessa fração residual que se acumula, às vezes é preciso declarar oito meses cheios no ano e apenas quatro deficientes. Sobre a circuncisão, ilustra o caso do menino nascido no crepúsculo da véspera de sábado: como esse período é duvidosamente dia ou noite, não se pode circuncidá-lo no sábado seguinte — pois talvez esse sábado seja apenas o nono dia, e a circuncisão fora de seu tempo próprio não suplanta o sábado nem a festa; e se, depois desse sábado, caírem ainda as duas festas de Rosh Hashaná, a circuncisão só ocorre na terça-feira, o décimo segundo dia de vida do menino.
Rashi explica cada cláusula em sequência: os quatro meses embolismais mínimos são de trinta dias cada, e a razão de nunca se ultrapassar oito é desenvolvida adiante pela Guemará, na explicação de Ulá. Os dois pães de Shavuot, assados na véspera por não poderem ser assados no próprio sábado ou festa, são consumidos a partir do segundo dia após a agitação ritual, no máximo até o terceiro. O pão da proposição, assado normalmente na sexta-feira e trocado no sábado seguinte — o nono dia desde que foi assado —, pode ter seu consumo adiado até o décimo primeiro dia quando as duas festas de Rosh Hashaná caem imediatamente antes do sábado de troca, obrigando a assá-lo dois dias mais cedo. Sobre a circuncisão, Rashi detalha o caso do nascimento no crepúsculo: por ser um período de dúvida entre dia e noite, a circuncisão não pode suplantar o sábado quando talvez já seja o nono dia, e se depois ainda sobrevierem as duas festas de Rosh Hashaná, o menino só é circuncidado na terça-feira seguinte, no décimo segundo dia.