Massechet Arachin, o quinto tratado de Seder Kodashim, volta-se aos votos de erech e de damim — os dois modos pelos quais alguém se compromete a doar ao Templo, respectivamente, a soma fixa que a Torá determina para a idade e o sexo de uma pessoa (Vayikrá 27:1–8), ou o preço real pelo qual essa pessoa se venderia como escravo no mercado. O tratado tira seu nome, e sua matéria de abertura, diretamente da parashat arachin na Torá, e avança, em capítulos posteriores, para os limites mínimo e máximo desses votos, o resgate de campos consagrados, e outras leis de hekdesh (consagração de bens ao Templo).
O Perek Alef, com suas quatro mishnayot, abre o tratado definindo quem está apto a fazer e a ser objeto dos dois votos: sacerdotes, levitas, israelitas, mulheres e escravos plenamente; o tumtum e o androginos apenas em parte, por lhes faltar sexo definido; o surdo-mudo, o insensato e o menor apenas como objeto, por lhes faltar discernimento; e o menor de um mês apenas para o voto de valor (1:1). Segue com a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehudá sobre se o gentio é objeto do voto de avaliação ou se o faz sobre outros — com o acordo de ambos quanto ao voto de valor de mercado (1:2). A terceira mishná trata do moribundo e do condenado à morte, que a opinião anônima exclui de ambos os votos, com as posições intermediárias de Rabi Chanina ben Akavya e de Rabi Yosei (1:3). E a quarta e última mishná do capítulo fecha com a execução da mulher grávida — que não espera pelo parto, salvo se ela já estiver na cadeira de parto — e com o benefício permitido do cabelo da executada, em contraste com a proibição total sobre o animal morto por sentença (1:4). O Perek Bet, com suas seis mishnayot, muda de assunto por completo, reunindo leis sobre limites mínimos e máximos no Templo: as avaliações votivas, a contagem da mulher em dúvida e o isolamento por lepra (2:1); os meses do calendário, os pães de Shavuot, o pão da proposição e a circuncisão (2:2); as trombetas, harpas e flautas do serviço musical (2:3); a disputa sobre a origem dos instrumentistas — escravos, israelitas de linhagem pura, ou levitas (2:4); os cordeiros examinados do sacrifício perpétuo, as trombetas e harpas sem teto, e o único címbalo (2:5); e o fecho do capítulo com o mínimo de doze levitas na plataforma do canto e os jovens que temperavam a melodia (2:6). O Perek Guimel, com suas cinco mishnayot, muda de assunto novamente, voltando ao princípio de que há, em quatro institutos jurídicos, tanto leniência quanto rigor: a abertura geral e o caso da avaliação do mais belo e do mais feio de Israel, ambos em cinquenta selá (3:1); o campo de herança, com a mesma soma fixa para as areias do distrito e para os pomares de Sebaste, e a disputa de Rabi Eliezer sobre o quinto (3:2); o boi advertido que matou o escravo, com a multa fixa de trinta selá, e o pagamento do valor real em caso de morte de um homem livre (3:3); o estuprador e o sedutor, com a multa fixa de cinquenta selá, e o pagamento variável da vergonha e do dano (3:4); e o fecho do capítulo com o difamador, cuja multa de cem selá prova que quem fala é mais grave do que quem age, exemplificado pela maledicência dos espias no deserto (3:5). O Perek Dalet, chamado “Heseg Yad” pelas suas palavras iniciais, com suas quatro mishnayot, muda de assunto novamente para os princípios gerais que regem os valores fixos: a capacidade financeira segue o avaliador, e os anos, os valores fixos e o momento da avaliação seguem o avaliado (4:1); a diferença entre valores fixos e sacrifícios do leproso, a opinião de Rabi sobre essa diferença, e o caso de quem muda de condição econômica antes de pagar (4:2); a distinção adicional nos sacrifícios, onde uma herança ou navio ainda não recebidos não contam para a condição da pessoa (4:3); e o fecho do capítulo com os princípios de idade e sexo, o limite do trigésimo dia e a analogia verbal que estende aos cinco e vinte anos a mesma regra do ano sessenta (4:4). O Perek Hei, com suas seis mishnayot, muda de assunto para os votos pessoais de peso e de preço de mercado: quem promete seu peso ou o de outrem, em prata ou ouro, e a disputa sobre como pesar um braço por deslocamento de água (5:1); o preço da mão avaliado com e sem ela, o rigor cruzado entre nedarim e arachin, e o princípio do membro do qual depende a alma (5:2); a diferença entre “metade do meu valor” e “o valor de minha metade” (5:3); o desfecho conforme a ordem das mortes do votante e do avaliado (5:4); a diferença entre consagrar um boi ou uma casa diretamente e prometer seu preço “sobre mim” (5:5); e o fecho do capítulo e do perek com a penhora dos obrigados a oferendas e a coerção até que a pessoa diga “eu quero”, tanto nas oferendas quanto no divórcio (5:6). O Perek Vav, com suas cinco mishnayot, volta ao tema da execução de bens: os prazos de pregão para vender bens de órfãos e bens consagrados, e o voto contra o conluio de quem consagra seus bens e depois divorcia sua mulher (6:1); o caso em que ketubá e credor disputam simultaneamente bens consagrados, resolvido apenas pelo resgate condicional (6:2); o que a penhora do Templo não pode tirar do obrigado a valores fixos — alimento, vestimenta, cama, sandálias, filactérios e os instrumentos de seu ofício (6:3); a regra de não vender o excesso de um tipo de ferramenta para completar a falta de outro, em contraste com quem consagra a totalidade de seus bens, que perde até os filactérios (6:4); e o fecho do capítulo com a proteção da vestimenta da mulher e dos filhos, e o princípio de que o consagrado vale apenas o que vale aqui e agora, no seu lugar e momento presentes (6:5). O Perek Zayin, com suas cinco mishnayot, abre as leis de resgate do campo de herança (sde achuzá) consagrado: os prazos mínimos de dois anos para consagrar e de um ano para resgatar em torno do Jubileu, a contagem apenas em anos inteiros, e o preço-base de cinquenta selá por bet-kor de cevada no próprio ano do Jubileu (7:1); a diferença entre o dono e qualquer outra pessoa no resgate — apenas o dono acrescenta um quinto (7:2); as quatro cadeias de posse que decidem se o campo retorna ao dono, ao pai, ou se deve necessariamente se dividir entre todos os sacerdotes (7:3); a disputa entre Rabi Yehuda, Rabi Shimon e Rabi Eliezer sobre o campo que ninguém resgatou até o Jubileu chegar, e o destino do “campo abandonado” até o Jubileu seguinte (7:4); e o fecho do capítulo com o campo comprado do próprio pai, cujo estatuto depende da ordem entre a compra, a consagração e a morte do pai, e o privilégio perpétuo de sacerdotes e levitas de consagrar e resgatar terra ancestral a qualquer momento (7:5). O Perek Chet, com suas sete mishnayot, abre com o mecanismo do leilão de resgate do campo de herança fora do Jubileu, em que se pede ao próprio dono que abra o lance primeiro, e o caso de quem tentou resgatar seu campo por um issar (8:1); o leilão em cascata de dez a cinquenta selá, em que a desistência de um lance é coberta por penhora de dez selá de seus bens, e a precedência do dono em caso de empate (8:2); a aritmética do quinto quando um estranho supera o lance do dono por pouco (8:3); a mudança de assunto para o cherem, com o princípio de que ninguém pode consagrar a totalidade de seus bens, e o argumento a fortiori de Rabi Elazar ben Azarya sobre poupar os próprios bens (8:4); o que não pode ser declarado cherem por não pertencer plenamente ao declarante — filhos, escravos hebreus, campo comprado — e a disputa sobre sacerdotes e levitas resolvida por Rabi entre terras e bens móveis (8:5); a distinção entre o cherem dos sacerdotes, sem resgate algum, e o cherem sem especificação, e a disputa entre Rabi Yehuda ben Beteira e os sábios sobre seu destino padrão (8:6); e o fecho do capítulo com o cherem sobre sacrifícios próprios, o primogênito consagrável apenas por avaliação de benefício, e a resolução de Rabi Yishmael para a contradição entre os dois versículos sobre consagrar o primogênito (8:7). O Perek Tet, último do tratado e o mais extenso, com suas oito mishnayot, abre com o campo hereditário vendido durante o ciclo do Jubileu, o mínimo de duas colheitas para o resgate, e a exceção de Rabi Elazar sobre o campo cheio de frutos (9:1); o cálculo do resgate quando o campo mudou de mãos por preços diferentes, e as restrições contra vender longe para resgatar perto, vender ruim para resgatar bom, tomar emprestado, ou resgatar pela metade (9:2); a casa em cidade muralhada, resgatável a qualquer momento nos doze meses seguintes, sua aparência de juro sem sê-lo, e o ano completo com o mês embolísmico (9:3); o prazo vencido sem resgate e a instituição de Hilel, o Idoso, contra o comprador que se escondia (9:4); tudo o que está dentro da muralha, exceto os campos, e o debate sobre a casa construída na própria parede (9:5); a cidade cujos telhados formam sua muralha, a exigência de que a muralha remonte aos dias de Yehoshua bin Nun, e a lista de cidades conhecidas (9:6); as casas de pátios abertos, que recebem o melhor das duas leis anteriores (9:7); e o fecho do tratado com o israelita que herdou de avô levita, o terreno aberto inviolável ao redor das cidades levíticas, e o privilégio perpétuo de sacerdotes e levitas de vender e resgatar a qualquer momento (9:8). Segue-se agora o estudo de Massechet Temurá.