A capacidade financeira segue o avaliador. E os anos seguem o avaliado. E os valores fixos seguem o avaliado. E o valor segue o momento da avaliação. A capacidade financeira segue o avaliador: como assim? Um pobre que avaliou um rico dá o valor de pobre. E um rico que avaliou um pobre dá o valor de rico.
— Esta mishná abre o Perek Dalet, chamado justamente pelas suas palavras iniciais — “Heseg Yad”, capacidade financeira —, e enuncia quatro princípios gerais que organizam toda a lei dos valores fixos (arachin) estudada até aqui. Primeiro: a capacidade de pagamento — se a pessoa pode ou não arcar com a soma fixa — é determinada pela condição econômica de quem faz o voto de avaliação (o noder), não pela condição de quem foi avaliado. Segundo e terceiro: tanto a distinção etária quanto a distinção por sexo, que fixam somas diferentes na Torá, seguem a pessoa que foi avaliada (o nearach), e não quem fez o voto. Quarto: o valor exato a ser pago é determinado pela idade e condição do avaliado no momento em que a avaliação foi feita, e não no momento do pagamento. A mishná então ilustra o primeiro princípio com um caso concreto: se um pobre faz um voto de avaliação sobre um rico — dizendo, por exemplo, “o valor deste homem rico está sobre mim” —, ele paga apenas conforme sua própria capacidade de pobre, e não a soma integral fixada pela Torá para a idade do rico; e, inversamente, um rico que assim vota sobre um pobre paga a soma completa, pois tem como arcar com ela.
Rambam explica que o princípio da capacidade financeira segundo o avaliador está fundamentado no próprio versículo da Torá, “segundo o que a mão de quem vota alcançar”. E observa que a mishná, ao explicar “como assim”, está apenas esclarecendo o primeiro dos quatro princípios enunciados — os demais serão desenvolvidos um a um nas mishnayot seguintes. Nota ainda que a mishná chama quem faz a avaliação de “noder” (votante) por tomar emprestada a linguagem exata do versículo, já que de fato ele está fazendo um voto verdadeiro.
Bartenura explica cada um dos quatro princípios com um exemplo. Sobre a capacidade financeira: como o pobre é julgado nos valores fixos conforme sua própria capacidade, seguimos quem vota, não quem é avaliado — e a mishná chama quem avalia de “noder” porque toma a linguagem exata do versículo. Sobre os anos: uma criança que avaliou o valor de um idoso dá o valor de idoso, pois não seguimos os anos de quem vota. Sobre os valores fixos: a soma para homem e mulher segue quem é avaliado, não quem avalia — como se explicará adiante, quando um homem diz “o valor de tal mulher está sobre mim”, ele dá o valor de mulher. E sobre o momento da avaliação: como se explicará adiante, se alguém avaliou a si mesmo quando tinha menos de vinte anos — o que é um valor menor —, e antes de pagar completou vinte anos, ele paga apenas conforme o momento em que fez a avaliação.
Rashi confirma que a lei da capacidade financeira determina que o pobre é julgado nos valores fixos conforme sua própria capacidade, como está escrito “e se ele for pobre demais para o valor” — seguimos quem vota, não quem é avaliado. Sobre os anos: uma criança que avaliou um idoso dá o valor de idoso, pois não seguimos os anos de quem vota, já que ele não disse “meu valor está sobre mim”, mas “o valor de fulano está sobre mim” — e o valor do idoso, a partir dos sessenta anos, é menor do que o da criança. Sobre os valores fixos: a soma fixada para homem e mulher segue quem é avaliado, não quem avalia, como quando um homem diz “o valor de tal mulher está sobre mim”, e dá o valor da avaliada. E sobre o momento da avaliação: se alguém se avaliou quando tinha menos de vinte anos — um valor menor — e antes de pagar completou vinte anos, paga apenas conforme o momento em que fez a avaliação originalmente.