Chegou o Jubileu e ela não foi resgatada: os sacerdotes entram nela e dão o seu valor — palavras de Rabi Yehuda. Rabi Shimon diz: entram, mas não dão. Rabi Eliezer diz: não entram e não dão, mas ela se chama campo abandonado, até o segundo Jubileu. Se chegou o segundo Jubileu e não foi resgatada, chama-se abandonado de abandonados, até o terceiro Jubileu. Nunca os sacerdotes entram nela, até que outro a resgate.
— Esta mishná enfrenta o caso em que nenhuma das cadeias de resgate descritas na mishná anterior se concretizou: o campo consagrado permaneceu, sem ser resgatado por ninguém, até o próprio Jubileu chegar. A Torá diz que, nesse caso, o campo “será santo ao Eterno… ao sacerdote pertencerá sua posse” — mas os sábios discordam sobre o que exatamente essa santidade sacerdotal implica na prática. Rabi Yehuda entende que os sacerdotes tomam posse do campo, porém devem pagar seu valor ao tesouro do Templo, equiparando esse caso ao da casa consagrada, que nunca sai do Templo sem pagamento. Rabi Shimon discorda: os sacerdotes tomam posse do campo sem qualquer pagamento, equiparando-o antes aos cordeiros de oferenda pública de Shavuot, que são dados aos sacerdotes gratuitamente como um dos vinte e quatro presentes sacerdotais. Rabi Eliezer vai mais longe e nega que os sacerdotes tenham qualquer direito imediato: para ele, o versículo só ativa a santidade sacerdotal quando o campo “sai da mão de outro” — ou seja, quando alguém de fora efetivamente o resgata do Templo e depois o Jubileu o libera dessa mão. Enquanto isso não ocorre, o campo fica num limbo, chamado “sde retushim”, campo abandonado, à espera; e se um segundo Jubileu também passar sem resgate, ele se torna “abandonado de abandonados”, mantendo-se nesse estado indefinidamente, Jubileu após Jubileu, até que finalmente algum resgatador externo apareça. A halachá segue Rabi Yehuda.
Rambam explica que esta mishná trata do caso em que ninguém — nem o dono, nem qualquer outra pessoa — resgatou o campo consagrado antes de chegar o Jubileu, de modo que ele permaneceu integralmente sob posse do Templo. Rabi Yehuda sustenta que os sacerdotes devem pagar seu valor ao Templo para recebê-lo, derivando essa exigência por comparação verbal com a consagração de uma casa. Rabi Shimon deriva, por comparação com os cordeiros de Shavuot — ambos contados entre os presentes sacerdotais — que a entrega deve ser gratuita. Rabi Eliezer entende que a santidade sacerdotal só se ativa quando o campo sai da mão de um resgatador externo, e não enquanto permanece sob o Templo. Rambam conclui que a halachá segue Rabi Yehuda.
Bartenura precisa que “não foi resgatada” significa que ninguém — nem o dono, nem qualquer outra pessoa — a resgatou da mão do Templo. Os sacerdotes que entram são especificamente os do turno sacerdotal (mishmar) em serviço quando o Jubileu ocorre, e o campo passa a ser propriedade definitiva deles. Bartenura explica a comparação verbal de Rabi Yehuda com a consagração de uma casa, e a de Rabi Shimon com os cordeiros da oferenda de Shavuot, concluindo que a halachá segue Rabi Yehuda. Sobre a expressão “campo retushim”, esclarece que significa campo abandonado, comparando-a ao versículo de Hoshea “mãe despedaçada sobre os filhos”, que emprega a mesma raiz no sentido de abandono violento.
Rashi explica que os sacerdotes que tomam posse do campo são os do turno sacerdotal em exercício quando o Jubileu chega, e que a expressão “campo abandonado” descreve seu estado enquanto aguarda que algum resgatador externo o retire do Templo. Sobre a comparação verbal de Rabi Yehuda, Rashi detalha o mecanismo: assim como a casa consagrada nunca sai do Templo sem pagamento — conforme está escrito que o sacerdote a avalia e, se o dono quiser resgatá-la, deve pagar —, também o campo herdado não sai sem pagamento; por isso, quando um estranho o resgata, seu valor entra para o fundo de manutenção do Templo, e quando chega o Jubileu, ele sai gratuitamente para os sacerdotes; mas se ninguém o resgatou, são os próprios sacerdotes que pagam os cinquenta siclos e o recebem. Já a posição de Rabi Shimon, explica Rashi, funda-se no fato de que tanto os cordeiros de Shavuot quanto o campo herdado contam-se entre os vinte e quatro presentes dados ao sacerdócio — ao contrário da casa consagrada, que nunca se torna propriedade sacerdotal, mesmo quando resgatada por um estranho do Templo.