Consagrou-a e a resgatou: ela não sai de sua mão no Jubileu. Se seu filho a resgatou, ela sai para seu pai no Jubileu. Se outro ou um dos parentes a resgatou, e ele a resgatou da mão dele: ela não sai de sua mão no Jubileu. Se um dos sacerdotes a resgatou, e eis que ela está sob sua mão, não diga: já que ela sai para os sacerdotes no Jubileu, e eis que está sob minha mão — eis que é minha; mas sai para todos os seus irmãos sacerdotes.
— Esta mishná trata do destino do sde achuzá no momento do Jubileu, conforme a cadeia de quem o resgatou do Templo. A regra bíblica de base é que um campo consagrado e não resgatado sai, no Jubileu, para os sacerdotes; mas se alguém o resgatou antes disso, ele permanece nas mãos de quem o resgatou, sem retornar ao sacerdócio. A mishná examina quatro cenários. No primeiro, o próprio dono consagra e depois resgata seu campo: como ele nunca perdeu o vínculo original com a terra herdada, o campo simplesmente permanece seu, sem qualquer efeito do Jubileu. No segundo, é o filho quem resgata o campo consagrado pelo pai: como o filho está em posição jurídica equivalente à do próprio pai quanto a esse campo, ele sai para o pai no Jubileu — e não para os sacerdotes, pois um filho não é considerado “outra pessoa” para este efeito. No terceiro, um estranho ou parente resgata o campo do Templo, e depois o próprio dono original o resgata desse resgatador: o campo permanece com o dono, pois a cadeia de resgate, ainda que passando por mãos intermediárias, terminou nele. O quarto cenário é o mais delicado: se um sacerdote resgatou o campo do Templo — como qualquer outra pessoa poderia fazer — ele não pode argumentar que, já que o campo estava destinado a ir para os sacerdotes de qualquer forma, e agora está em sua posse, ele o mantenha só para si. Ao contrário: precisamente porque o campo sairia para todos os sacerdotes coletivamente, ele deve, no Jubileu, ser dividido entre todos os seus irmãos sacerdotes, e não ficar retido por aquele que por acaso o resgatou primeiro.
Rambam resume o princípio de forma sucinta: quem consagra um sde achuzá pode resgatá-lo, ele mesmo ou seu filho; e se um estranho ou parente o resgatou primeiro do Templo, e depois o próprio dono o resgatou desse intermediário, o campo se mantém como propriedade sua nesses quatro cenários. Mas se nem ele nem seu filho o resgataram — permanecendo consagrado até o Jubileu, ou resgatado por um estranho ou parente sem que o dono o resgatasse de volta deles — o campo não retorna ao dono original, nem se torna propriedade definitiva de quem o resgatou por último; ele sai para o Templo (e daí para os sacerdotes), conforme a Torá determina.
Bartenura explica que o campo não sai da mão do dono no Jubileu para ser dividido entre os sacerdotes, exatamente como aconteceria se outra pessoa o resgatasse: assim como aquele resgate faria o campo sair no Jubileu para se dividir entre os sacerdotes, o resgate do próprio dono cumpre esse papel e encerra o processo. Sobre o filho, esclarece que o campo sai para o pai, e não para os sacerdotes, porque o verso “a outro homem” exclui expressamente o filho. Sobre o parente, explica que se um parente do consagrante resgatou o campo do tesoureiro do Templo, e depois o próprio consagrante o resgatou de seu parente, o campo não sai da mão do consagrante no Jubileu. E sobre o sacerdote que resgata, explica a lógica que a mishná rejeita: ele não pode dizer que, se um israelita comum tivesse resgatado o campo, este sairia no Jubileu para ele e para seus colegas sacerdotes de qualquer forma — e que, agora que está sob sua própria posse por tê-lo resgatado, não há sacerdote mais apto a recebê-lo do que ele mesmo.
Rashi explica, cláusula por cláusula, o mecanismo de cada cenário. Sobre o dono que resgata seu próprio campo, esclarece que o motivo de o campo não sair é que, se outra pessoa o tivesse resgatado, ele sairia no Jubileu para se dividir entre os sacerdotes — e o resgate do dono simplesmente evita essa saída. Sobre o filho, remete à derivação da baraita na Guemará, que exclui o filho da categoria de “outro homem”. Quanto ao parente, Rashi nota algo sutil: se um parente resgatou o campo do tesoureiro, mas o próprio consagrante não o resgatou de volta desse parente, o campo sai no Jubileu e se divide entre os sacerdotes — exatamente como sairia da mão daquele parente, já que este chegou à posse do campo por causa do consagrante original. E sobre o sacerdote que resgata, Rashi expõe o raciocínio que a mishná rejeita como ilegítimo: o sacerdote não pode argumentar que, já que o campo sairia para ele e seus colegas de qualquer forma se um israelita o tivesse resgatado, e agora está sob sua própria mão porque ele mesmo o resgatou, não há sacerdote mais apto que ele para ficar com o campo inteiro.