Este boi é holocausto, esta casa é oferenda — e morreu o boi e caiu a casa — não é obrigado a pagar. O preço deste boi está sobre mim como holocausto, ou o preço desta casa está sobre mim como oferenda — e morreu o boi e caiu a casa — é obrigado a pagar.
— Esta mishná desloca a discussão dos votos sobre pessoas para os votos sobre bens materiais, e isola uma distinção formal decisiva: a diferença entre consagrar diretamente um objeto específico (“este boi é holocausto”) e comprometer-se a trazer o preço de um objeto como oferenda (“o preço deste boi está sobre mim”). Quando alguém diz “este boi é holocausto” ou “esta casa é oferenda”, sem acrescentar “sobre mim”, a consagração recai imediata e exclusivamente sobre aquele animal ou aquela casa específicos — e se esse boi morre ou essa casa desaba antes de serem efetivamente entregues ao Templo, a pessoa nada mais deve, pois nunca se obrigou pessoalmente a garantir a existência do objeto, apenas o consagrou como estava. Mas quando alguém diz “o preço deste boi está sobre mim” ou acrescenta a expressão “sobre mim” ao consagrar, a fórmula cria uma obrigação pessoal, paralela à consagração do objeto: a pessoa se compromete a garantir que o Templo receba o valor correspondente, independentemente do que aconteça ao objeto original. Por isso, se esse boi morre ou essa casa desaba antes da entrega, a pessoa continua obrigada a pagar o preço equivalente do próprio bolso — a palavra “sobre mim” transformou uma consagração de objeto em uma dívida pessoal.
Rambam observa que este assunto é evidente por si só, e a mishná só o enunciou para que não se pensasse, por analogia com o princípio de que “não há preço para os mortos” aplicado às pessoas, que o mesmo valeria aqui — ou seja, que a morte do boi o isentaria de pagar. Por isso a mishná esclarece que, no caso de bens materiais, avalia-se quanto o boi valia mesmo depois de morto, pois o princípio de que não há preço para os mortos se aplica exclusivamente à espécie humana, não a animais ou bens.
Bartenura precisa que “esta casa é oferenda” refere-se à manutenção do prédio do Templo, e que “caiu a casa” se refere ao caso em que ela desabou antes que o tesoureiro do Templo a tomasse posse. E confirma que, quando o voto foi feito “sobre mim”, a pessoa é obrigada a pagar mesmo depois da morte do boi, pois o princípio de que não há preço para os mortos aplica-se apenas à espécie humana.
Rashi confirma que “esta casa é oferenda” se refere à manutenção do prédio do Templo, e que a queda mencionada é anterior à tomada de posse pelo tesoureiro. Explica ainda a distinção da Guemará sobre a fórmula exata que gera a obrigação: quando a pessoa disse “o preço deste boi está sobre mim”, ela se comprometeu com uma soma em dinheiro, e não com o boi específico — por isso, se o boi morre, a soma em dinheiro não se perde junto com ele, pois nunca foi essa soma específica que estava fisicamente presente, mas uma obrigação pessoal de trazê-la até que a oferenda se complete.